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Esse pode ser o seu mal, moça bonita.

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Pense bem no que você quer…

Quando você olha pra mim, você enxerga outra pessoa. Enxerga uma pessoa decente e boa, o homem que você gostaria que eu fosse. Um perfeito cavalheiro. Um homem que eu jamais poderia ser.

Esse é o seu mal, moça bonita: você acha que o amor é baseado nas expectativas que cria. O amor não é isso. O amor tá naquela unha encravada horrível que você aceita. Tá nos pães de queijo na mesa quando chego do trabalho. Tá na sua música preferida que eu coloco bem alta quando você está no banho. O amor tem muito mais das pequenas coisas do dia-a-dia do que essa imagem que você pinta de mim.

Eu não sou e nem vou ser essa pessoa que você avaliou como a correta para você. Eu sou um ser humano como qualquer outro e não posso mudar toda a minha vida porque você me chama o tempo todo a atenção por ser desse ou daquele jeito. Eu sou assim e pronto, não tô te fazendo nenhum mal. Eu esqueço as datas, mas e daí? Todo dia que estou em sua companhia não se torna menos especial por isso. Sei que eu podia ser mais atento, mais cheiroso, mais disponível… mas aí não seria amor. Seria servidão.

E você não quer um servo, não é mesmo?

Às vezes acho que o amor é um produto de um erro de avaliação. As pessoas vão criando expectativas e exigindo que o outro se encaixe perfeitamente nelas. E se isso não acontece, há uma enxurrada de lágrimas, muito drama e frustração envolvidos.

É a mesma coisa com casais que enfrentam a infidelidade: um lado geralmente quer um relacionamento monogâmico. Quer fazer passeios nos sábados ensolarados. Quer ir a concertos. Quer jantares a luz de velas. A outra parte, nem tanto. A outra parte quer curtir sexo no banheiro com estranhos ou marcar breves escapadas em motéis espalhados pela cidade. E assim caminha a humanidade.

Moça, pensa bem no que você quer. Pensa bem se é isso mesmo, se eu te faço feliz desse jeito ou se você precisa de outra pessoa para seus sonhos se realizarem.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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É a primeira vez… e eu amei te ver

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Espero que você tenha chegado bem em casa e veja logo essa mensagem, não falei na hora de me despedir porque eu coro, preferi manter a serenidade e deixar pra depois, mas eu gostei de ter te visto hoje. Gostei de conhecer um pouco mais sobre você e todas aquelas coisas que você me falou sobre o teu sobrinho, dava pra perceber como você é apaixonada pela família e pela fotografia e isso fica registrado na retina dos teus olhos, como se você também me fotografasse. Gostei de te ouvir falando sobre skate e sobre as férias em Alagoas e sobre a prova que vai rolar na semana que vem e como você tá nervosa com tudo isso, mas fica calma, vai dar certo, eu ligo pra saber como foi. Gostei como não gostava fazia tempo de um encontro, aquela coisa da gente sentar na mesa e ir bebendo, ir ficando bêbado e soltando com mais naturalidade tudo aquilo que nem pensou em dizer. Porque eu ensaio, você ensaia, todo mundo ensaia o que quer dizer, qual parte que a gente quer mostrar, daí edita, pesa na balança, vê se vale a pena, é como se a gente tivesse se vendendo pro outro. Mas não teve venda, dessa vez foi troca, dessa vez foi toque. Gostei de ter levado um choque quando encostei em você, gostei do susto por ter queimado a língua com o café forte – e eu nem gosto de café, mas achei bonito pedir depois do jantar -, gostei de como você nem reparou nos meus quilos a mais, ou reparou e não ligou.

É que eu amei te ver.

Fiquei com receio de dizer isso porque é a primeira vez em muito tempo que alguma coisa grita aqui dentro em letras garrafais, nem precisei de óculos, embora tivesse uns quatro graus de miopia. É como se você tivesse me visto sem desfoque, mesmo que não tivesse com lentes, mesmo que tivesse atravessado correndo o semáforo da Avenida Atlântica porque não tinha certeza que ia chegar a tempo. Eu tomei um susto, confesso. Não porque você acelerou, mas porque eu acelerei. Bateu tudo aqui dentro, num ritmo diferente do meu tambor de carnaval, bateu como se eu fosse um menino de 12 anos esperando você entrar no MSN, com o subnick preparado pra te dizer como eu amei te ver. Bateu e agora eu sou um brado retumbante e o meu hino é puro samba, eu sou teu mestre-sala e você porta a bandeira de quem chegou até a Lua e fincou a haste no meu peito: você me conquistou. Queria que essa noite fosse bossa, fosse jazz, fosse um funk batidão pra fazer barulho, mas só rio, sou tímido e tô nervoso, nem sei o que tô fazendo tão tarde aqui te escrevendo isso, só sei que sinto. Sinto essa coisa que tava aqui dentro o tempo todo e parece que acordou agora, sinto muito se tô parecendo maluco, mas aprendi que a gente não pode deixar ir embora quando mexe tanto, quando faz maremoto na gente em plena praia de Ipanema. Enfim, talvez seja o vinho, talvez seja só verdade mesmo. Avisa quando chegar em casa, te mando um beijo, te desejo boa noite, te desejo boa vida e boa sorte pra gente, meu bem.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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É como se fosse a nossa segunda-primeira vez

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alone-bathroom-fashion-girl-lonely-girls-Favim.com-426797Parei em frente ao armário em busca da camisa perfeita, e só depois de me lembrar que você gostava de botões e mangas dobradas nos cotovelos que consegui me decidir.

Desde que soube que você também estaria na tal festa, eu tenho travado lutas enormes com a minha ansiedade (e perdendo todas elas). Tentei me acalmar lembrando que já te conheço bem, que te conheço por inteira e que te rever após tanto tempo não seria nada demais. Até parece.

Cheguei mais cedo num fato inédito nestes meus vinte e poucos anos.

As horas e alguns copos e alguns vestidos e alguns casais se passaram e eu comecei a achar que talvez você nem fosse aparecer. Cruzei a sala pra encher a cara. O que mais a gente faz numa festa quando quem a gente quer não está lá? A gente bebe pra fingir que tá.

A música tava alta, eu não saberia dizer qual tocava porque na minha cabeça o que estava passando era um loop de George Harrison dizendo que eu não precisava de nenhuma outra. E Lá do outro lado eu te vi. Você era ainda mais bonita do que eu conseguia lembrar, droga de memória que me fez esquecer disso. Tentei dar o meu melhor para te ignorar, até masquei chiclete e pedi um cigarro (não fumo), mas engasguei e achei melhor deixar pra lá.

Você tava há poucos metros, mas algumas vezes poucos metros parece ser a distância mais difícil a se percorrer. Revivi toda a nossa história, mas parecia era que eu tava correndo há 40 minutos na esteira da academia. Afobado, era assim que eu tava por dentro. Do primeiro beijo roubado à briga, e quase tropecei no meu pé direito quando fui falar com você. Já sabia que tudo o que tinha acontecido era pesado. Quem diria: a saudade pesa também.

Não sabia se eu ia te falar tudo, mas é que eu senti como se tivesse carregando o mundo. sabe aquela cena mentirosa em que o Superman segura uma ilha inteira cheia de kriptonita? A diferença é que a minha cena não era mentirosa. Quase te dei de costas e peguei a primeira saída de festa, quase fingi que eu não tava vivendo aquela cena de escola-americana-em-época-de-formatura.

Só que você me chamou.

Os metros foram ao quadrado, senti minha perna tremer e não sei até agora se era amor ou se eu tava embriagado, mas te disse. Você disse “oi”, respondi enrolado. No fim das contas, você só riu enquanto eu proclamava, argumentava, tagarelava que a gente ainda pode acontecer. Que a gente pode fazer isso dar certo como se fosse uma segunda-primeira vez.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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Modos? Eu não tenho…

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IMG_2368Desculpe deixar para te contar só agora, mas achei que estivesse implícito quando você me conheceu e fomos para aquele bar na Augusta tomar uma cervejinha descompromissada e comer uma porção de fritas com maionese temperada. Eu não sou do tipo que vai aceitar tudo calada.

Não, meu querido, longe disso. Eu ando pelas ruas da cidade tentando imaginar até onde meus passos poderiam ir. Saio por aí com aquela calça de flanela que você odeia, mas não é nada pessoal. Só não acho que sou obrigada a estar linda todos os dias, com aqueles saltos que me doem o pé e a make up que vai derretendo com esse calor louco que faz lá fora. Ter meus momentos de cabelo preso em um coque mal feito é um dos meus direitos fundamentais garantidos pela minha própria constituição.

Quando a gente sair com seus amigos, não pense que farei o tipo meiga, porque não sei nem por onde começar neste improviso. Gosto de ver o futebol de domingo mesmo sem saber o nome de todos os jogadores e não vejo problema nenhum nisso. Grito um palavrão cabeludo quando estou irritada (o que acontece com frequência, confesso) e espero que você não se importe. Quando não vou com a cara de alguém, não finjo ter engolido aquela situação. Isso me dá indigestão e sempre foi assim.

Não sei ser o que nunca fui, não sei mentir sem ser essa pessoa desastrada que vive com alguns roxos espalhados pelo joelho e braço por ficar esbarrando nas coisas e nem perceber.

Não pense que pode me pedir por modos, meu amor. O meu modo é esse, de oscilar de humor mensalmente e querer ficar um tempo comigo mesma. De sair para as (raras) festas e fingir saber dançar, fazer o passinho do robô sem se importar se estão olhando ou não. De fazer uma piadinha idiota sem esperar por risadas ou por mais alguém me achando um pouco idiota. De chorar no cinema com um filme desses que o mocinho morre no final. De rir até chorar com a minha gargalhada “discreta”.

Essa sou eu. Esse é o meu jeito. Não prometo que vou mudar, até porque não exigiria nada parecido de você. Mas eu juro tentar aceitar o seu estranho jeito de ser se você se propuser a aceitar o meu. E tem coisa mais verdadeira do que dois estranhos se entendendo juntos?

Não me peça modos, meu bem. Me peça uma cerveja no bar, um chocolate quente em Campos do Jordão, uma porção de fritas naquele boteco da Augusta, como nos velhos tempos que você não se importava se eu realmente era assim, ou se era tudo improviso para parecer que não ligava. Repito: eu não ligo.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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Uma chance para amar de novo

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shutterstock_137564039-e1413543491390Ela havia cansado de procurar e apenas sentou ali na areia, vestido úmido, pontilhado de grãos minúsculos. Vestido branco, saltos na mão, cabelo desarrumado e resquícios de maquiagem. Nada de taças, a champanhe foi bebida com avidez e só restavam metas para o próximo ano, uma rosa branca na outra mão. Uma rosa apenas. Qual eram as probabilidades de ela ser a escolhida? Pular ondas, comer lentilhas. Uma rosa branca.

Ele dormiu ali por alguns minutos, chorou outros muitos. Deitado, cabelos de areia, lágrimas de sal. Metas também, metas que nunca poderia cumprir, metas ali na sua frente. Camisa de botões aberta, branca. O sol nascia e não parecia haver nada mais bonito. Primeiro, dia primeiro. Apertou um monte de areia com força e chorou mais um pouco. O mundo girava, 365, desejos contidos, segredos escondidos. O fundo do mar ali, o fundo de tudo.

Ela olhou pra rosa, sua lágrima era de rímel, sua boca tinha o gosto azedo de desilusão. Sapatos caros, vestido de grife e uma menina com uma rosa na mão. Branca. Andou mais um pouco vacilante, olhou para o sol que nascia, algo nascia. Os saltos se soltaram de seus dedos e dormiram ali na areia, um espinho na rosa, sozinho.

Ele olhou pro céu, os raios começavam a tocá-lo e algo como calor o preenchia. Levantou-se e ali estava o sol, ele estava ali, translúcido, presente como um fantasma, ano velho, velhices dentro de si. Tinha mais coisas guardadas do que imaginava.

Uma rosa branca, apenas uma. Várias já na praia, rejeitadas. Uma chance, um pedido, mais um ano. Ele olhou e encontrou algo colorido, ali. Banhado de vez em quando pelas ondas do mar, uma concha, entre várias rosa brancas, rejeitadas.

Uma chance. A rosa caiu da mão dela. Andou devagar. Seu vestido subiu quando a água começou a cobrir suas pernas, pouco a pouco. A rosa a observou da praia.

Ele pegou a concha com a mão, limpou um pouco a areia que encobria as marcas dela, sua história pré-histórica, seu relevo cjeio de segredos. Colocou no ouvido e esperou, esperou que o sol parasse ali, que as nuvens também, que tudo lhe explicasse o que estava acontecendo.

Ela não estava mais ali, mas no mar. Ela era o mar. E ali ela ficou.

“Eu quero amar”, ele falou e esperou a concha lhe responder. Ouviu o mar, ouviu seu coração bater, viu um ano surgir diante de seus olhos. E chorou novamente.

Ela passou a mão pelo cabelo e saiu do mar sorrindo, uma chance. O vestido estava colado contra seu corpo, não sentiu frio. Pegou os saltos e a rosa. Conseguiu reconhecê-la entre tantas rejeitadas, entre tantas rosas sem amor. Caminhou e apenas se virou para sorrir para o sol.

Ele deixou a concha no chão. Ouvira tudo que precisava, do amigo mais inesperado. Limpou as lágrimas de areia, caminhou sobre as rosas e nenhum espinho lhe cortou, apenas virou para sorrir para concha, que foi levada por uma onda para contar segredos para outros corações que perderam o chão, para consolar tristezas e espalhar uma esperança que as pessoas ignoram, um sentimento que vai se escondendo com o passar dos dias, com o caminhar dos ponteiros. Há sempre um ano novo para voltar a amar.


Nota do Bovolento: “A vida é um jogo de dados” é um livro de contos construído aos poucos por Rafael FariasTeixeira: toda semana um novo texto aqui no Entre Todas as Coisas. Depois ele é adicionado e compilado no aplicativo de leitura Wattpad. Clique aqui para ler o que já foi publicado.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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