pobreza-e1337463734470

Redução da Maioridade Penal poder virar realidade

0

Impulsionado pelo clamor popular, Congresso age por penas mais duras, apesar dos questionamentos sobre a legalidade e a eficácia da mudança na lei

pobreza-e1337463734470

A eleição do Congresso mais conservador desde a redemocratização está prestes a produzir seu primeiro resultado. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara pode votar nesta quarta-feira 25 a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

A proposta está engavetada desde 1993 na CCJ, mas agora é considerada prioridade para a bancada da bala, que é formada por parlamentares ligados a forças de segurança pública e cresceu muito na última eleição. “O clamor popular pela aprovação é muito forte. Há um sentimento de impunidade muito forte e o governo não pode mais ficar negligenciando a questão”, afirma o deputado federal Major Olímpio (PDT-SP), favorável à PEC. O clamor popular a que Olímpio se refere não é mera figura de linguagem. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, de 2013, revelou que 92,7% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos. Isso pode fazer da aprovação da PEC 171/93 uma chance para o Congresso recuperar sua popularidade em queda.

Antes mesmo de a crise política se instaurar em Brasília, a redução da maioridade penal já era defendida, durante a campanha eleitoral, por 13 dos 27 senadores eleitos em 2014. Não são apenas parlamentares ligados a atividades policiais que apoiam a medida, mas também a dupla que formou a chapa presidencial do PSDB no ano passado, Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes Ferreira (SP). Em fevereiro de 2014, uma PEC de autoria de Aloysio que também baixava a maioridade penal para 16 anos foi barrada na CCJ do Senado por uma união de parlamentares progressistas.

A bancada da bala também conta com o apoio declarado de parlamentares evangélicos, como o deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) deixou claro na reunião da CCJ na última quarta-feira 18. Caso seja aprovada na comissão, a PEC segue para a Comissão de Segurança Pública, dominada também pela bancada da bala, e depois é votada em dois turnos no plenário da Câmara, onde precisa de três quintos dos votos (308 votos) dos deputados. Depois, o texto segue para o Senado onde passa pelo mesmo rito processual. “Se aprovarmos na CCJ, não tenho dúvidas de que a matéria será rapidamente aprovada na comissão de Segurança e que sobrarão votos na votação em plenário”, prevê o Major Olímpio, otimista.

Cláusula pétrea

Diante da pressão conservadora, órgãos oficiais e entidades de defesa dos direitos da criança e adolescente pressionam para que a CCJ da Câmara decida que a redução da maioridade é inconstitucional. O tema é polêmico e o debate, neste momento, é essencialmente jurídico.

Os direitos fundamentais, entre eles a inimputabilidade (não penalização) do menor, são considerados cláusula pétrea da Constituição. Ou seja, não podem ser alterados, a menos que se convoque uma Assembleia Constituinte. Por isso, para essas entidades qualquer alteração seria inconstitucional. Por outro lado, quem é a favor da redução defende que a inimputabilidade do menor é inalterável, mas a definição da idade do menor, não.

“A mudança da idade penal não é inconstitucional porque, no caso da redução da maioridade, não há abolição de direitos, mas sim uma modificação de conceito de menor de idade”, afirma Adílson Dallari, especialista em Direito Político pela USP. Para o professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano, a proposta é inconstitucional e, se aprovada, “poderá ser questionada ante o Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, deverá declará-la inconstitucional”.

Mais prisão significa menos crime?

A interpretação jurídica de Serrano, que é colunista de CartaCapital, é compartilhada com a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge. Para ela, há também uma má interpretação dos índices de violência cometidos por jovens. “Há uma sensação social de descontrole que é irreal. Os menores que cometem crimes violentos estão ou nas grandes periferias ou na rota do tráfico de drogas e são vítimas dessa realidade”, diz. Atualmente, roubos e atividades relacionadas ao tráfico de drogas representam 38% e 27% dos atos infracionais, respectivamente, de acordo com o levantamento da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Crianças e do Adolescentes. Já os homicídios não chegam a 1% dos crimes cometidos entre jovens de 16 e 18 anos. Segundo a Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância da ONU, dos 21 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida.

Ao mesmo tempo, não há comprovação de que a redução da maioridade penal contribua para a redução da criminalidade. Do total de homicídios cometidos no Brasil nos últimos 20 anos, apenas 3% foram realizados por adolescentes. O número é ainda menor em 2013, quando apenas 0,5% dos homicídios foram causados por menores. Por outro lado, são os jovens (de 15 a 29 anos) as maiores vítimas da violência. Em 2012, entre os 56 mil homicídios em solo brasileiro, 30 mil eram jovens, em sua maioria negros e pobres.

Por isso, para a subprocuradora-geral da República, o remédio para essa situação não é a redução da idade penal, mas o endurecimento da pena para adultos que corrompem menores – como o Projeto de Lei 508/2015, do deputado Major Olímpio – e o investimento em políticas sociais para os jovens.

O deputado Luiz Couto (PT-PB), relator da PEC 171 na CCJ da Câmara, concorda. Em parecer contrário à proposta, Couto citou estudos psicológicos que mostram que o amadurecimento pleno se dá apenas aos 18 anos e disse que o problema reside em “ummodelo de segurança pública envelhecido e apodrecido que só investe na repressão”. Couto, ao lado da deputada Maria do Rosário (PT-RS), é a principal voz do governo na Câmara para barrar o andamento do projeto.

Apesar do parecer negativo na CCJ, nada indica que a proposta será rejeitada pela comissão. Se aprovada, a PEC colocará o Brasil entre os 54 países que optaram por reduzir a maioridade penal. Entre todos, os resultados foram unânimes: ao contrário do esperado, não se registrou redução nas taxas violência. Como resultado, Espanha e Alemanha já voltaram atrás na decisão de criminalizar menores de 18 anos, segundo a Unicef. No entanto, países como os Estados Unidos seguem como exemplo do fracasso dessa política. Com penas maiores e mais severas previstas aos jovens entre 12 e 18 anos, o país assiste seus jovens matarem uma em cada dez pessoas vítimas de homicídios.

Por isso, entidades como a Unicef, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o Ministério Público Federal (MPF), a Anced (Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente), o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) já se manifestaram contrários ao projeto. “Uma nova lei não é capaz de resolver um problema complexo como esse, muito menos se for uma lei de caráter repressivo como é a PEC 171″, analisa Vitor Alencar, secretário executivo da Anced. “Estamos investindo em repressão há 30 anos e o sentimento de impunidade e insegurança só aumentou”, completa.

No Congresso, há mais de 60 projetos semelhantes à PEC 171, todos com o objetivo de reduzir a maioridade penal para 16, 14 ou até mesmo 12 anos. Por ser uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), se aprovada pelo Congresso, a medida não pode ser rejeitada pela presidência. No entanto, caso isso ocorra, entidades civis e o governo federal estudam entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal defendendo a inconstitucionalidade da proposta.

Crise do sistema penitenciário

No modelo atual, de maioridade fixada em 18 anos, os jovens infratores representam 8% do número total da população carcerária adulta (715.655, incluindo as prisões domiciliares) e padecem das mesmas mazelas que afeta o sistema prisional adulto. A Fundação Casa, entidade responsável pelos menores infratores em São Paulo, é exemplo do caos. Em maio, CartaCapitalrevelou com exclusividade que um terço das unidades da Fundação Casa tem superlotação. A situação é tão crítica que, em agosto passado, o Ministério Público denunciou o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e a Fundação Casa por conta da superlotação. Em fevereiro deste ano, promotores de Justiça criticaram o fracasso de gestão do governo de São Paulo no atendimento a menores infratores e publicaram carta aberta intitulada “A falência da Fundação Casa“.

Por conta de situações como a de São Paulo, em vez de passarem por um processo socioeducativo de correção, a esmagadora maioria dos menores infratores vive em reclusão e sem atividades psicoeducativas para a reintegração social. À superlotaçãosomam-se denúncias de maus tratos, que resultam em uma reincidência de cerca de 43% dos menores presos, de acordo com Conselho Nacional de Justiça. Para o coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil, Mário Volpi, seria necessário o Estado brasileiro pensar em alternativas viáveis para cuidar de seus jovens. “Se prender não é uma medida eficaz para que o jovem não volte a cometer infrações, resta pensar em soluções para que ele não entre no mundo do crime”, diz.

Fonte: Carta Capital

tumblr_mr6ame4Zco1sczf1uo1_500

É… Desculpe-me, e eu te amo.

0

Lembro como se fosse hoje.

tumblr_mr6ame4Zco1sczf1uo1_500

Acho que se fechar os olhos, ainda consigo ver nitidamente você na minha frente com aquela blusa levemente decotada, acompanhada de um largo primeiro sorriso (de muitos) e aquele abraço de como se já fossemos velhos amigos. Nem preciso me esforçar para lembrar o cheiro doce do seu perfume, ou o mentolado do seu hálito enquanto falava perto do meu ouvido coisas banais, no meio da pista de dança. A balada estava ensurdecedora, e ainda assim, eu só ouvia e via você: nem sei dizer se naquele dia o lugar estava abarrotado de gente como nas outras vezes que fui e você não estava lá.

Sua simpatia me surpreendeu e cativou de pronto. Seu jeito direto fez com que nossa afinidade crescesse rápido. Não demorou muito, fui convidado a conhecer sua casa. Você nunca foi de fazer jogo, não é mesmo? Sempre que quis algo, falou, ou simplesmente foi lá e fez. Esse sempre foi seu ponto forte. Mas para uma pessoa sistemática como eu, é também o ponto fraco.

Por uma vez tentei não pensar nisso: afinal, você me embriagava. Se algo me passava pela cabeça, era seu rosto, sua voz, seu corpo. E que belo corpo!

Toquei sua campainha com o coração quase na boca. O mundo parou por um segundo e te vi ali, escorada na porta com aquele mesmo sorriso bobo e olhar descompromissado, meio tímido, meio sem jeito. Pensei, “que se dane qualquer escultura grega ou romana, aquela garota ali, exatamente daquele jeito, isso sim é arte.”

Eu me apaixonei por você naquele instante.

Seu jeito levemente desleixado de deixar o cabelo cobrir parte do pescoço, somado ao decote aparente (quase sempre presente) atraíram meus olhos e despertavam minhas vontades mais íntimas. Seus shorts curtos, revelando coxas grossas e rabiscadas sempre te deram um tom meio arredio, meio rock and roll. Você nunca teve receio de parecer desleixada: entendeu cedo que sempre foi sexy por natureza. Seu estilo “foda-se” sempre te fez ainda mais sensual.

E a conversa, meu Deus! Como fluía nosso papo…era como se tivéssemos passado uma vida lado a lado (quem sabe não foi uma anterior, não é mesmo?). Eu não queria sair de perto de você nunca mais. Passaria uma vida encarando seus olhos, admirando seu sorriso. Sempre achei engraçado quando você, sempre tão decidida, ficava sem graça. O cheiro do seu cabelo, da sua pele, da sua casa. Eu precisava pertencer ali.

Às vezes (e me perdoe por isso) eu nem conseguia prestar atenção nas suas palavras, porque acabava hipnotizado pelo movimento da sua boca: a boca que eu queria tanto beijar.

Lembra que você me deu um filme pornô e alguns itens de sex shop de presente aquele dia? “Pra você se divertir quando estiver triste”, disse. Eu não sabia se ria ou se me apaixonava. Você não era nada comum, nada previsível. Sempre teve o controle da situação, e nunca pareceu se incomodar com isso: é seu natural. A garota mais estilosa e segura que eu já tinha conhecido na vida estava ali, na minha frente. E eu estava me apaixonando por ela.

Sem rodeios, você me puxou para o quarto. Deitei na cama e você me beijou. Tomou o controle, ficou por cima de mim e num numa velocidade quase torturante de prazer, me beijou de novo, olhando nos olhos. Era como se você já tivesse me despido, porque ali, eu fiquei nu. Nu para tudo que eu achei que era o “papel do homem” minha vida toda. Indefeso para sua confiança e certeza tão desprovida de pudor, sua vontade explícita de nós dois. Confesso que me senti indefeso por um minuto: não estava acostumado com essa falta de jogo, de enrolação. Mas seu toque era extasiante e tudo que eu queria era mais. Mais do seu beijo, do seu cheiro, da sua pele.

Você me fez sentir desejado, tarado, sem medo.

Saiba, garota, que você foi a melhor transa da minha vida. Cada penetração me deixava arrepiado. Todas as vezes em que transamos no banho, fizemos amor pela manhã ou fodemos madrugada adentro. Deitados, em pé, sentados. De lado, de costas, de quatro. Com você, eu aprendi a não ter vergonha de sentir prazer, de gemer mais alto, de romantizar o sexo, de sentir tesão. O melhor oral que já recebi, a melhor palmada que já dei. Entre suor e leves puxões de cabelo, uma pausa para beijos apaixonados e olhos nos olhos que quase faziam gozar antes do previsto. Você no meu colo era o paraíso ao alcance das mãos. Em pouco tempo, sua cama se tornou o melhor lugar do mundo. Não importava mais nada -“foda-se a vida lá fora”- eu só queria sentir seu corpo nu no meu.

Você tinha a mistura perfeita de amante dominadora e menina frágil. Sua voz doce pela manhã me acordando com café na cama era delicioso e contraditório quando comparada com a mulher decidida, sexy e tarada que estava comigo entre lençóis na noite anterior.

Você ia trabalhar e eu ficava ali no quarto vazio. Por várias vezes me belisquei, só pra ter certeza que não estava sonhando. Antes de partir, eu espalhava bilhetes românticos e sacanas pela casa, mal esperando a hora de sair correndo do trabalho e me afogar mais em você.

Todos os dias, que logo viraram semanas, e que logo viraria um mês. Minha paixão aumentava e suas defesas baixavam. Você me apresentou seus amigos, não tinha vergonha de demonstrar carinho em público. Era tudo tão natural, e ao mesmo tempo assustador. Eu mal sabia que aquela mulher também tinha planos de ser cuidada. De ser casada. De ser mãe. Falamos de futuro, de comprometimento.

E o que aconteceu?

Eu morri de medo. Eu pensei demais. As incertezas falaram mais alto. Tudo estava perfeito demais para ser verdade e com medo de que algo estragasse isso, eu estraguei sozinho.

Fiz o que todo homem covarde faz.

Eu fugi.

Do melhor sexo. Da risada fácil e gostosa. Do cheiro agradável da sua pele. Da conversa divertida pela madrugada. Do carinho no sofá. Do seu toque no meu corpo (e vice-e-versa). Eu tinha tudo. Eu perdi tudo.

Porque eu deixei tudo para trás? Acho que é o que tento responder todos os dias desde o minuto em que fui embora pra sempre.

Meu maior arrependimento é ter sido covarde com você.

Hoje, eu queria voltar no tempo e dar um soco na cara daquele rapaz inseguro. Olhar nos olhos dele e dizer “Não perca essa garota, ela é a mulher da sua vida.” Eu queria voltar, te pedir desculpas e te beijar até perder o fôlego. Queria sussurrar no seu ouvido que sempre te amei e que fui um idiota. Queria dizer que agora você é minha, e que eu sempre fui seu. Queria dizer que agora eu fico, e que nunca mais arredo o pé.

Esse texto é só pra dizer que te amo. E que ainda sonho com minha segunda chance.

Fonte: Entre Todas As Coisas

7 bons motivos para você dormir pelada

0

10264749_747227715319234_6463210580116640992_n

Eu não vou aos atos dos dia 13 e 15 de março – declaração de motivos

0

10264749_747227715319234_6463210580116640992_n

Por Márcia Maria Cruz, 

“Eu não vou aos atos dos dia 13 e 15 de março – declaração de motivos
– não vou em um ato que diz ser a favor da Petrobras, quando diariamente o Ministério Público e a Polícia Federal apresentam indícios de corrupção. Essa sim algo que corrói a empresa. Salvar a Petrobras é estancar esses esquemas de desvios e possibilitar que os culpados sejam presos. Sou contra a privatização, mas não é possível fecharmos os olhos para o desvio de recursos públicos que ocorreu.
_ Não vou, mais uma vez, me render ao menos pior, quando a minha consciência diz que há equívocos e leituras grosseiras dos dois lados.
_ Não vou me render a essa polarização imbecil que faz com que as pessoas acreditem que um dos lados vai resolver, em um passe de mágica, essa crise pela qual passamos.
_ Não vou a um ato que pede o impeachment da presidenta, quando não há qualquer prova concreta que justifique tal procedimento.
_ Não vou a atos que instigam discursos de ódio e nos divide de forma tão rasteira. Não vou a um ato em que posso ouvir qualquer que seja chamar uma mulher de vadia.
– Não vou a um ato que acha que o Sul/Sudeste vota melhor que o Nordeste. Além de um preconceito estúpido, essa turma não sabe nem geografia básica do Brasil. É preciso dizer todo tempo que Aécio perdeu em Minas e o estado, pasmem, está no Sudeste.
_ Não vou a um ato que coloca a responsabilidade da crise nas costas dos meios de comunicação. De quem não se presta ao cuidado de entender a complexidade do ambiente midiático e prefere fazer leituras fáceis e rasteiras do que é a comunicação pública em um ecossistema midiático, marcado pela convergência. Gente, não vou em uma manifestação em que alguém possa achar que meme é videoclipe.
_ Não vou em ato que as pessoas pedem a volta da ditadura militar, porque há anos eu luto pela desmilitarização da polícia, que a pretexto de manter a ordem mata preferencialmente jovens negros e pobres.
– Não vou em ato em que Bolsonaro e sua turma possam estar, propagando seu discurso machista, racista e homofóbico.
Estou exausta com o momento atual. Acordo e durmo pensando nessa maluquice toda. Tento mudar de assunto, mas as pessoas não me deixam. Mas preciso fazer outros apontamentos:
– As eleições acabaram e o Aécio Neves perdeu. Está difícil para muita gente aceitar de fato isso. Mas o Brasil não pode virar um caos, por causa dessa turma de mimados.
-Desde que assumiu, Dilma cometeu erro atrás de erros. Sim, ela mentiu na campanha e eu como eleitora, fiquei com cara de tacho.
– Os veículos de comunicação não aprovam o governo Dilma e nadam de braçada na crise atual. Mas, por pior que sejam os enquadramentos, há que se ter fato para se ter notícia.
_ Sim, o Brasil está em crise, que não conseguiremos precisar a extensão, enquanto seguir o clima de Fla-Flu. Será que ponderação é algo assim tão démodé?
– Também é certo que mesmo em crise estamos melhor que anos atrás.
– Por que FHC não se cala, por que fica a nos assombrar? Se Lula parar de falar, FHC para também? Se sim, vamos fazer um pacto que os dois ficam quietinhos, caladinhos.
-Vamos acreditar que a democracia no Brasil já é uma jovenzinha que sabe o que faz. É preciso saber qual o papel das instituições e deixá-las agir. Quando isso não ocorrer, vamos para as ruas.
– As ruas são espaços democráticos das cidades. O direito de ocupá-las para protestarmos é sagradíssimo e mesmo não indo nesses atos, devemos entender que são frutos da democracia. Democracia que é plena quando permite a expressão da diversidade. Mesmo que o outro tenha uma posição política diametralmente oposta tem o direito de se expressar.”

Fonte: Facebook / Márcia Maria Cruz

141213_ext_arquivo

Os que batem panelas e os que batem cartão…

0

141213_ext_arquivoOntem, enquanto a presidente falava ao Brasil, uma porção de gente em bairros de gente rica batia panelas e gritava xingamentos da sacada dos apartamentos… Vi, no programa “Fantástico” da Rede Globo, a reportagem mais escancaradamente antigoverno que poderia haver: eles editaram a fala da presidente, a coisa ficou meio sem começo e nem fim e, na sequência, deram o mesmo tempo para a cobertura dos bairros de gente rica e de classe média abastada fazendo barulho, piscando luzes e gritando impropérios contra a presidente. Feito isso, a repórter disse secamente: “O Planalto foi procurado para dar sua versão dos fatos, mas não quis se pronunciar”….

Óbvio que não quis… O que dizer dessa gente?

A não ser que tenham desenvolvido uma capacidade fora do comum, os que faziam o estardalhaço não ouviram o que a presidente dizia… Gritar, bater panela e piscar as luzes não deve permitir escutar ninguém… Os que estão em estado de histeria são bem assim mesmo… Por isso é que alguém um dia inventou que um bom tapa na cara chama a pessoa para perceber que há mais coisas ao redor.

O que ninguém viu na reportagem muito “séria” foi a filmagem dos protestos em bairros de pobres… Eles cobriram três Estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No primeiro, os bairros que tiveram a barulheira foram Moema, Morumbi, Itaim Bibi… No Rio, Ipanema e Leblon… Em Minas, os bairros chiques ao redor da Pampulha…

Quem é desses Estados deve saber o quando custa o metro quadrado nesses bairros e, portanto, entender bem de onde vieram os protestos… Nos bairros pobres eles não ocorreram e podem ter certeza de que não foi pela ausência de equipes de televisão: a Globo faria com todo gosto uma ampla cobertura de trabalhadores pobres protestando contra o governo.

Para além das irresponsabilidades de uma porção de organizações e de gente, devemos reconhecer que o discurso do “é tudo igual” está superado pela objetividade dos fatos… Fossem iguais os governos do PT e do PSDB não haveria razão para a raivosa articulação que tem os setores médios como marionetes e pontas de lança.

E, de fato, não são iguais. Já insisti nisso aqui em outros textos. O fato mesmo é que enquanto a vida muda sensivelmente, os mais empobrecidos conseguem perceber que isso resulta de uma porção de políticas públicas, portanto, sabem reconhecer o papel do Estado e desses governos em alguns campos da vida. Ora, três milhões de casas populares entregues, a redução drástica do problema da fome, a erradicação da mortalidade infantil em alguns Estados, a garantia da venda e, portanto, o estímulo à produção da agricultura familiar, aumento real do salário mínimo, enfim, uma porção de medidas e programas mudaram sensivelmente a vida dos mais empobrecidos. Alguns vão dizer: “Mas ainda há muitos problemas”, “O governo ainda é da ordem burguesa” etc, etc.. Não há dúvida de que há problemas enormes ainda, mas apenas a vontade política de resolver outros problemas seculares já torna esses governos do PT o que houve de mais progressista na história da República. Podemos ir adiante, sem dúvida, com o caminho já aplainado em setores diversos, abrindo novas possibilidades. Por honestidade, por responsabilidade e por ser minimamente sensível aos dramas sociais que vivemos secularmente é que esse governo deve ser defendido de qualquer ameaça que queira fazer retroceder os avanços sociais dos últimos 12 anos.

Os setores médios também sentiram as mudanças. Eles também puderam viajar mais, comprar mais carros, porcarias eletrônicas, ter mais acesso a crédito, às universidades…. Mas por qual razão esses setores servem de bucha de canhão para os setores mais reacionários, em particular o grande capital financeiro, que se ressente das migalhas lançadas ao setor produtivo e da taxa de juros não viver mais na média dos 30%? Por que tornam-se porta-vozes de interesses internacionais, que não enxergam com bons olhos esse país imenso da América do Sul fazendo negócios com Rússia e China em lugar de sua histórica e rastejante posição de satélite dos interesses dos EUA?

O problema é que os setores médios possuem um sonho e um medo: o sonho é do aburguesamento individual; o medo é o da proletarização. Tudo o que ocorre, esse insano grupo de pessoas acredita ser apenas e tão somente produto do seu mérito pessoal, não podendo reconhecer, portanto, que as mudanças que ocorreram nos últimos anos no Brasil melhoraram também sua vida… Mas o sonho de ser burguês e o medo de se proletarizar envolve o que é individual e o que é coletivo… Enriquecer deve ser algo individual, porque os ideais de “sucesso” gestados na ordem capitalista não passam apenas pela aquisição de bens materiais: passam necessariamente por algum grau de distinção, para que a riqueza seja ostentada e reconhecida. A proletarização é coletiva, e nesse caso não significa empobrecimento. Na cabeça dos setores médios, o acesso de camadas miseráveis da população a condições mais razoáveis de vida, o acesso a espaços que lhes foram sempre bloqueados, a determinadas carreiras, determinados serviços, enfim, a proximidade dos “pobres” que já não vão aparecer tão pobres assim joga areia no seu projeto individual, amplia a concorrência, faz com que se percam os canais tradicionais de sua manutenção e justificação em determinados postos e carreiras… Por isso reagem com tanta raiva aos programas sociais, com tanta raiva contra as cotas, com tanta raiva contra governos como os dos últimos 12 anos…

Esse ódio está expresso nas redes sociais de todas a maneiras possíveis, mas com o tom histérico de sempre. Eles são violentos, distorcem informações, descambam para o ataque pessoal, pregam valores egoístas e odiosos e demonstram ainda largo desconhecimento da nossa história recente…

Mas não querem discutir as coisas: querem apenas gritar, querem a cabeça da presidente, mas não sabem exatamente porque querem isso… Como bons histéricos, não conseguem perceber que o ambiente exterior não está no mesmo patamar que o da sua loucura.

Mas os que batem cartão não estão histéricos, nem do lado dos que querem derrubar a presidente porque ela ameaça interesses de setores poderosos, nem daqueles que querem que a presidente se dane porque o PT não fez a revolução socialista. Ainda que residualmente recebam as influências desses discursos infantis, os donos da histeria são ainda os setores médios, a pequena burguesia de direita e de esquerda.

Por isso vale esperar que os que batem cartão e têm muito a perder com essa onda saibam dar um belo tapa na cara dos batedores de panelas histéricos…

Fonte: César Mangolin


 

Go to Top