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tessalia-01Sabe aquele meme que estava na internet até pouco tempo dizendo “eu não sou obrigada a nada!”? Sim, esta é uma verdade e não apenas fruto do mundo virtual. Você realmente n%C

Cultura

tumblr_o0a6karz9D1s44eovo2_1280Sempre que quero pensar na vida, entro numa playlist especial que coloca minhas músicas preferidas nas alturas. Quase fico completamente surdo – pra quem não sabe, tenho surdez total em um ouvido e já deveria ter deixado os fones aposentados pra não prejudicar ainda mais a audição -, mas é inevitável o transe em que as músicas me colocam. Nesse fim de ano, mais que todos os outros, voltar ao passado também foi inevitável.

Particularmente tive um ano incrível. Gosto de dizer que foi o melhor ano da minha vida, não importa o que tenha acontecido de ruim. Senti-me vivo, rodeado de amores, realizado em âmbitos completamente diferentes. Esse ano, a balança de libra pesou mais pro lado bom, meu bem. Vai ver, foi isso. E fecho o ano cheio de gratidão, pronto pra recomeçar.

Tenho a crença de que todo fim e início de ano promovem esperança na gente. É a chance de um recomeço cronológico, contado e marcado por meses em que a gente já sabe o que vai acontecer, por datas obrigatórias, por feriados aguardados e por uma agenda pré-moldada na nossa cabeça. Fim de ano traz uma vontade danada de ser feliz no ano que vem, faz uma faxina completa na casa e nas coisas que a gente pensa. E parece que também traz alívio, já que vi tanta gente reclamando desse ano e das coisas todas que aconteceram nele. Ano que vem vai ser melhor, dizem eles.

Mas o que é a mudança de ano senão uma simples virada de calendário? Se não contássêmos os dias dessa forma, trinta e um de dezembro não teria valor algum além daquele que damos a ele no Ocidente. Se a vida fosse linear – até é, depende do ponto de vista -, viveríamos sem a expectativa de reparar erros antigos, sem projetá-los mais na frente. Parece que a vida em ciclos faz mais sentido, é mais humana, permite que a gente reviva nas primaveras de outros anos o degelo dos invernos anteriores. É nisso que a gente acredita.

O fato é que 2016 não vai mudar nada. Nadica. Não é o ano que chega com algo especial, mas a motivação que essa nossa crença em ciclos traz. Não haverá uma mudança completa e louca no alinhamento das nossas vidas por nenhuma razão além de nós mesmos e da nossa vontade em mudar. 2016 não vai ser melhor só por ser 2016, assim como o mundo não vai mudar num passe de mágica entre os dias trinta e um de dezembro e primeiro de janeiro. Mas acreditar nisso acende na gente a possibilidade da mudança. Nós é que criamos a nossa chance de recomeçar.

Então, se você é uma dessas pessoas que espera ansiosamente pelo ano novo como se um milagre caísse do céu, sinto decepcioná-lo: nada vai acontecer. Assim como nada aconteceu em 2015 porque você não se moveu, não aproveitou o impulso mágico dos recomeços pra fazer uma vida melhor. É claro que existem fatores que são independentes e não controlamos, e geralmente são esses fatores que estragam tudo. No entanto, se já sabemos que eles existem, resta a nós fazer a outra parte dar certo, aquela que depende da gente. Ser feliz é movimento, e toda felicidade reside na busca por ela mesma.

Insistir nas mesmas pessoas que nos quebraram, deixar de lado afetos reconhecidos e não correspondidos, largar sonhos por preguiça de ir atrás deles, amar pouco e fechar os olhos pro que importa são coisas que não mudam sozinhas, dependem da gente. Já disse isso há tempos, já escrevi no meu livro, só falta tatuar na cara: desalojar velhos vícios é muito difícil, mas muito necessário pra novos e bons ciclos. Não é um ano novo, um mês novo, um dia novo que vai mudar tudo. É o que faremos com eles e com as chances que nos serão dadas de mudar a vida.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Macho & Fêmea, Sociedade

tumblr_nghv8hNOom1qd33wso1_400Fabíola talvez tenha uma história. Tenha filhos, mãe e pai, tenha irmãos.

Talvez ela seja formada, ou tenha estudado muito para ingressar na faculdade. Ajudou a avô na fisioterapia por anos, talvez. Participou de encontros jovens; doou roupas; deu conselhos a alguém; pagou todas as dívidas em dia; abraçou seus pequenos como se não houvesse amanhã. Talvez.

Fabíola é uma boa mãe, quem sabe. Talvez tenha apanhado do marido algumas vezes, ou não. Talvez ela tenha sentido falta de carinho, talvez não. Quem sabe ela nunca ouviu um “eu te amo”, ou ela nunca tenha sentido orgasmos porque, afinal, mulher nasceu pra dar prazer, e não pra sentir.

NO VÍDEO: A “piranha” da Fabíola foi pega no motel com o amigo do marido.
Ela errou? Talvez. E quem é que não erra?
Ela acertou? Talvez. Quem são vocês pra pontuar?

Agora, todo mundo conhece a Vadia do Motel. Mas ninguém conhece a Fabíola.
Agora, entre milhões de possíveis “talvez”, os donos da moral e dos bons costumes tem a coragem de dar um único veredito: Puta.

Talvez ela seja uma péssima pessoa, de fato. Talvez não.
Talvez vocês sejam MUITO PIORES QUE ELA. Aliás, certamente vocês são.

Fonte: Facebook – Perfil de Oliver Bredariol

Macho & Fêmea, Sociedade

traicao

Hoje eu acordei tarde. E assim que abri o Facebook, percebi que todo mundo só falava a respeito de uma coisa: a Fabíola. A princípio, não dei muita atenção, pois tinha muito trabalho a fazer. Agora, porém, entre um texto urgente e outro pra ontem, eu resolvi dar uma olhada no que rolou. E fiquei chocado, sério! Não sei se ando sensível demais devido às notícias repletas de desumanidades que tenho visto ou se – como penso que está acontecendo – a Terra está girando de maneira errada, sem sentido algum. O fato é que eu não vi a menor graça no vídeo. Nenhuma! Pelo contrário: naquilo que virou piada viral, eu enxerguei apenas uma nítida amostra de uma postura assustadora com a qual, infelizmente, estamos nos acostumando.

Eu não sou a favor da traição, porém, não perderei meu tempo explicando os motivos. Por quê? Porque a traição, apesar de ser uma das formas possíveis de desrespeito, está muito longe de ser a parte do vídeo que reforça, ainda mais, a minha vontade de não ter filhos em um mundo perdido como este. A parte que me assusta? A agressão, claro. Ou só eu a vi sendo puxada pelos cabelos e agredida verbalmente? Ela errou? A meu ver, sim. Mas quem sou eu para julgá-la? Além disso, punir um erro com outro erro faz algum sentido? Remediar com um veneno mais letal do que a doença? Assim é que se perde razão, não tenha dúvida. Deixo aqui uma pergunta: há algo que justifica o uso da agressão como solução?

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PARTICIPE: O que leva as pessoas traírem seus companheiros?

Mas não pense que fiquei incomodado apenas com a agressão, não. Sabe o que me assusta pra caralho? Uma situação de sofrimento está sendo compartilhada, à la meme, como se fosse engraçada, entretenimento. Será que estou sensível demais? Ou será que o ser humano perdeu totalmente a sensibilidade e a capacidade de se colocar no lugar do outro? Empatia, sua linda, onde é que ocê tá? Será que os seres que compartilharam chacotas ligadas ao caso gostariam que fizessem a mesmíssima coisa com eles? “Você está pegando muito pesado!”, alguns afirmarão, achando que se trata, apenas, de brincadeira. Para eles, talvez. E para as pessoas que estão envolvidas, também é só brincadeira? E para a moça humilhada em escala nacional, hein? É só brincadeirinha? “Mas a piranha merece!”, alguns hipócritas provavelmente dirão. Hipócritas, sim! Hipócritas até o talo! Porque apesar de apedrejarem a Fabíola – e a Geni! -, já fizeram coisa igual, ou pior. Mas não percebem. E não fazem o mínimo esforço para saírem dos seus respectivos umbigos e se colocarem na pele do outro, que também erra, obviamente.

Não, eu não acho que trair é legal, repito. Mas saber que muita gente assistiu ao vídeo da Fabíola e não se incomodou, nem um pouco, com a forma como ela foi tratada e exposta é o que me preocupa, pra dedéu. Gente que compartilhou piadinhas sem sequer se importar com as consequências daquela exposição desnecessária na vida da moça. Gente que, mesmo depois deste texto – e de já terem feito coisas bem piores do que aquela que a Fabiola fez -, com ódio gratuito nos olhos, dirão: “Bem feito, vadia!”.

Vamos com calma, galera. Ou, além dos filhos, também vão me fazer desistir de adotar um cachorro. Ah, e me façam um favor: preocupem-se mais com a vida de vocês e, antes de qualquer atitude, coloquem-se no lugar do outro.

Fonte: SuperEla