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Entenda o que é o Estado Islâmico, ou ISIS e as Guerras na Síria e no Iraque

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folley-better-shot-620x365Para entender o ISIS, é necessário observar suas divisões étnicas e religiosas no Iraque. Etnicamente, os iraquianos se dividem em árabes e curdos, além de minorias armênia, turcomana e assíria. No campo religioso, os iraquianos s dividem em sunitas e xiitas, com minorias cristãs e yazidis. Árabes Xiitas Os árabes são majoritariamente xiitas no Iraque. [...]

Para entender o ISIS, é necessário observar suas divisões étnicas e religiosas no Iraque. Etnicamente, os iraquianos se dividem em árabes e curdos, além de minorias armênia, turcomana e assíria. No campo religioso, os iraquianos s dividem em sunitas e xiitas, com minorias cristãs e yazidis.

Árabes Xiitas

Os árabes são majoritariamente xiitas no Iraque. Representam cerca 55% do total da população (incluindo os não árabes), segundo algumas estimativas. Além do Iraque, apenas Bahrain tem maioria xiita. No Líbano, os xiitas talvez sejam a maior pluralidade, superando por pouco cristãos e sunitas, mas não chegam a ser mais de 50% (Irã é persa). No território iraquiano, os xiitas árabes se concentram no sul e na capital Bagdá. Estas regiões são controladas pelo governo.

Árabes Sunitas

Os árabes sunitas totalizam  18% da população iraquiana. Apesar de minoria no Iraque, eles são maioria no mundo árabe, a não ser justamente no Bahrain e no Líbano. No território iraquiano, eles se concentram no centro e no oeste do país, hoje nas mãos do ISIS, além de serem uma importante minoria em Bagdá.

Curdos

Os curdos são majoritariamente sunitas. Mas a etnia, e não a religião, pesa mais na identidade de quase todos eles, a não ser pela minoria seguidora da religião yazidi. Ao todo, são 21% do total e estão concentrados no norte do Iraque, na região autônoma do Curdistão. Nestas áreas, também vivem os turcomanos, que são 2% do total e podem ser tanto xiitas quanto sunitas.

Cristãos

Os cristãos do Iraque, diferentemente da maioria no Líbano e na Síria, não são árabes. São assírios e armênios. A maioria segue a religião Caldéia, com uma minoria seguindo as diferentes Igrejas assírias. Usam um idioma derivado do aramaico, embora quase todos sejam fluentes árabe. Os armênios, por sua vez, tendem a ser ortodoxos, embora também haja católicos. E a língua, claro, é a armênia. Ao todo, apenas 4% da população do Iraque – na Síria, são 10% e no Líbano cerca de 40%.

Apenas para ficar claro

Xiitas árabes – 55%

Sunitas árabes – 18%

Curdos (sunitas com minoria yazidi) – 21%

Cristãos (caldeus, assírios e armênios) – 4%

Turcomanos (sunitas e xiitas) – 2%

 Cada um destes povos possui a sua própria experiência na história iraquiana, especialmente nas últimas décadas.

Os xiitas e curdos têm um sentimento de que foram vítimas de um Estado de apartheid nos anos em que Saddam Hussein estava no poder. O ditador, que era um sunita laico, tendia a proteger os sunitas e os cristãos, enquanto massacrava xiitas e curdos

 . Os sunitas avaliam que são alvo de perseguição no Iraque desde a invasão dos EUA. Washington teria favorecidos os xiitas, aliados do Irã, em detrimento dos sunitas. Pouco representados, eles se levantaram contra o Exército americano e contra o governo central em Bagdá. Faziam parte das forças sunitas tanto grupos seculares baathistas, ligados ao ex-ditador Saddam Hussein, como também facções ligadas à Al Qaeda antes inexistentes no Iraque (Saddam combatia duramente a rede terrorista de Bin Laden, de quem era inimigo). Mas os dois tinham um inimigo comum – os xiitas e os EUA.

Como os EUA e o Iraque derrotaram a Al Qaeda?

Inicialmente, no surge, a partir de 2006, os EUA conseguiram reverter esta oposição de sunitas ao pagar mesadas para líderes tribais sunitas em troca de apoio. Fortes nas áreas sunitas, os líderes tribais se voltaram contra a Al Qaeda no Iraque e também contra os grupos ligados a simpatizantes de Saddam. No fim, conseguiam estabilizar a região com a ajuda de dezenas de milhares militares americanos  e do Exército do Iraque.

Como a Guerra da Síria contribuiu para o nascimento do ISIS?

O Ocidente, a Turquia e países do Golfo apoiaram os rebeldes na Síria contra Bashar al Assad. Estes rebeldes, em sua maioria, porém, compartilhavam dos mesmos ideais que a Al Qaeda, não de uma democracia sueca. Jihadistas do mundo todo começaram a ir para a Síria para lutar contra Assad e perseguir minorias religiosas, como os cristãos, alaítas, drusos e mesmo sunitas moderados, que apoiam e são protegidos pelo regime sírio, enquanto o Ocidente apenas se preocupava em condenar Damasco, praticamente dando sinal verde para o avanço do radicalismo religioso de grupos como o ISIS e a Frente Nusrah, ligada à Al Qaeda.

Mas tem o ISIS e a Frente Nusrah, qual diferença?

Os dois eram aliados e ligados à Al Qaeda. Mas houve um rompimento quando o comando do ISIS decidiu não seguir mais a liderança central da Al Qaeda, se tornando independente. Além disso, as ações do ISIS, crucificando minorias religiosas, estuprando mulheres e matando crianças foram consideradas muito radicais pela Al Qaeda e, consequentemente, a Frente Nusrah.

Mas a Frente Nusrah, ligada à Al Qaeda, ainda existe?

Sim, e é a principal rival do ISIS na luta contra o regime de Assad. Os dois grupos também lutam entre si e praticamente eliminaram do mapa facções menos religiosas da oposição, como o Exército Livre da Síria.

Certo, isso na Síria, mas e no Iraque?

A partir de sua base na Síria, o ISIS conseguiu se fortalecer. E, no Iraque, a prática de mesadas do surge americano havia acabado. E os EUA haviam retirado as suas tropas do território iraquiano em 2o11. As áreas sunitas, mais uma vez, estavam insatisfeitas com o governo central em Bagdá, dominado por xiitas apoiados pelos EUA e pelo Irã. Isso eliminou a resistência à entrada do ISIS, agora mais forte, nos territórios majoritariamente sunitas do oeste do Iraque, próximos da fronteira com a Síria.

Por que os EUA retiraram as tropas?

Esta decisão foi tomada ainda no governo de George W. Bush, em 2008, e levada adiante pela administração Obama. Os dois presidentes defendiam a permanência de tropas remanescentes. Mas o Parlamento iraquiano, em votação, não permitiu a permanência dos militares americanos. Isto é, Obama queria ter deixado cerca de 5 mil soldados baseados no Iraque, mas Bagdá não permitiu.

E a fuga de radicais Abu Ghraib?

Ao menos 500 prisioneiros, antes ligados à Al Qaeda, fugiram da prisão de Abu Ghraib. Entre eles, estão alguns dos mais radicais ex-integrantes da rede de Bin Laden. A maior parte deles acabou se juntando ao ISIS e contribuiu para a tomada de território no Iraque. Este episódio, quase esquecido, foi crucial para o fortalecimento do ISIS.

Quem apoia o ISIS no Oriente Médio?

Figuras independentes do Golfo e habitantes sunitas mais religiosos do interior da Síria e do Iraque. Mas a principal base de suporte vem de radicais sunitas de outras partes do mundo, incluindo dos EUA e da Europa. Há até uma parte dos guerrilheiros do ISIS sequer sabe falar árabe direito e não é da Síria e do Iraque.

Quem são os maiores inimigos do ISIS?

O regime de Assad na Síria, o Irã, o governo xiita do Iraque, os curdos iraquianos, o Hezbollah, os EUA, o Líbano (todas as religiões), Israel, minorias religiosas ao redor do Oriente Médio, Rússia, monarquias do Golfo e, hoje, até a Al Qaeda. Basicamente, todo o mundo.

E de onde eles tiram dinheiro e armas?

O dinheiro vem de doações destas figuras independentes e também da tomada de cidades na Síria e no Iraque. Eles roubaram dezenas de milhões de dólares dos bancos em Mossul, segunda maior metrópole do Iraque. As armas vêm contrabandeadas da Líbia, onde os rebeldes foram armados pela OTAN, do armamento de milícias opositoras na Síria pelo Ocidente e pelo Golfo e também do roubo de armamentos do Exército sírio e iraquiano.

Qual a estratégia para derrotar o ISIS no Iraque?

No Iraque, há uma estratégia com três pilares. Primeiro, os EUA estão lançando bombardeios estratégicos. Segundo, os EUA estão apoiando os peshmerga, como são conhecidos os guerreiros curdos, que servem de Exército do Curdistão, para combater o ISIS a partir do norte. Pressionando o futuro premiê Haider Abadi a formar um governo mais inclusivo, com presença maior de sunitas, curdos e cristãos, se diferenciando do anterior, totalmente controlados por xiitas, há uma expectativa de os sunitas se sentirem mais representados. Desta forma, o Exército do Iraque, com apoio dos EUA, enfrentaria menos resistência nas áreas controladas pelo ISIS e poderia ter o suporte dos líderes tribais.

Qual a estratégia para derrotar o ISIS na Síria?

Não há uma estratégia clara. Alguns falam em armar os rebeldes moderados. Mas estes são irrelevantes. Seria como treinar um time de várzea brasileiro para enfrentar o Barcelona. A única opção viável seria torcer para as Forças de Assad derrotarem o ISIS com a ajuda do Hezbollah e do Irã e apoio da Rússia. Isso já vem ocorrendo. Para os EUA, é impossível apoiar Assad devido ao histórico de crimes contra a humanidade, segundo a ONU, que teriam sido cometidos pelo regime sírio, embora haja um consenso cada vez maior de que ele seja o menor dos males hoje na Síria.

Fonte: Guga Chacra – correspondente internacional do Jornal Estadão e da Globo News (no programa Em Pauta).

Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque

Marina Silva e os 7 erros da “nova política”

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Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque

Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque

É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

 

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede — e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos.Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.

3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.

4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.

5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.

6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.

7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.

Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.

Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.

Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.

De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

Fonte: Carta Capital

20140821120036443623a

Morte de jovem que esperou 21 horas por cirurgia de apendicite será investigada

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20140821120036443623aO Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que vai abrir uma sindicância para apurar a morte da farmacêutica Ana Carolina Domingos Cassino, de 23 anos, após esperar 21 horas para uma cirurgia de apendicite no hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Diagnosticada na sexta-feira, 15, a jovem só teve a cirurgia agendada para sábado, 17, mesmo com fortes dores. A diretoria do hospital informou que também está apurando o caso.

Segundo familiares, Ana Carolina começou a sentir dores na barriga na manhã de sexta-feira. Por volta de 13h40, deu entrada na unidade de pronto-atendimento da Unimed, também na Barra, e, após exames, foi diagnosticada às 18h. Somente às 23h, a jovem foi transferida para o hospital, e a cirurgia foi marcada para 15h de sábado.

Às 13h, entretanto, a farmacêutica apresentou piora no quadro e precisou ser reanimada. A cirurgia terminou às 17h30 e Ana Carolina foi levada para o Centro de Terapia Intensiva (CTI). Às 5h de domingo, a jovem morreu.

No fim do ano, Ana Carolina se casaria com o noivo, Leandro Nascimento Farias, de 24 anos. De acordo com o atestado de óbito, ela teve um “choque séptico”, um termo médico para infecção generalizada.

Em nota, a diretoria do hospital informou que “todos os procedimentos realizados desde o primeiro atendimento estão sendo avaliados pelas comissões de Óbitos e de Prontuário Médico e, tão logo as apurações sejam concluídas, serão submetidas à Comissão de Ética Médica do hospital, a quem cabe o parecer final sobre o caso, e comunicadas à família”.

“O Hospital Unimed-Rio lamenta profundamente o ocorrido, se solidariza com a família e reafirma seu compromisso com o mais breve esclarecimento do caso”, concluiu.

Fonte: Portal UAI

game

A gente não precisa jogar pra ganhar alguém

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gameQuando eu era mais novo costumava achar que todo início de relacionamento, aquela parte do encontro e descoberta, era um jogo cheio de artimanhas no qual ganharia o melhor jogador. Além de toda a coisa de precisar chamar atenção e estar disponível, a gente precisava ser um bom jogador pra ganhar a outra pessoa, senão era perda. O jogo era basicamente conseguir manter o potencial romântico interessado o bastante para ganhá-lo, mas muita gente parecia nunca sair dessa fase.

Amy Winehouse já dizia que “o amor é um jogo de perdas” e eu passei um bom tempo achando o mesmo até que um pouco de experiência em relacionamentos passados me fez mudar de ideia. Se antes a probabilidade de medir o que diria, de articular as investidas, de segurar o papo no telefone por tempo limitado pra não gastar o papo, de mentir que não poderia sair só pra não me mostrar muito disponível e outras tantas táticas de jogo eram presentes, hoje esse papo me cansa à beça. Me cansa pensar que eu preciso entrar num jogo articulado só para sair com alguém e conhecer a pessoa. Bate uma preguiça – daquelas de tarde de domingo – de gente que não é clara, que não fiz o que pensa e o que sente só para ganhar você ou se deixar ser conquistado.

Existem algumas categorias clássicas de jogadores, mas o tipo que mais me cansa é o jogador-vampiro. É o típico player que está ali, se diz interessado e nunca avança ou te deixa avançar. É o tipo de pessoa que dá todos os sinais – mais claros que os dentes do Ross pós-clareamento – e mesmo assim recua. Esse jogador fica ao seu lado o tempo todo e dá corda, se alimenta da sua companhia, do seu ombro amigo (talvez até de outra-coisa-amiga), insinua e pinta um cenário romântico pra depois fingir que houve nada. Enquanto alguns chamam isso de charme, eu chamo de desgaste. O mundo já anda complicado o bastante pra gente complicar as coisas que deveriam ser boas, bonitas e prazerosas. E também pra darmos corda pra quem que não se situa e não se desenrola. Viver de amor-carretel com jogador-vampiro, sempre enrolado enquanto suga a nossa parte boa, não dá.

Meu Deus, se o ser humano não quer nada conosco, por que fazer parecer e agir como se quisesse? E se quer,why don’t you say so? Eu já parei pra pensar que muita gente tem dificuldade em ser clara, em dizer o que quer – e mais ainda em dizer o que não quer quando se trata de relacionamentos -, mas nesses casos saber se expressar é uma dádiva e uma prova de maturidade. A diferença (sutil) entre ser legal e dar mole só é bacaninha quando a gente ainda não entendeu que não há tempo a perder, que isso desgasta a relação e que não causa interesse, mas sim preguiça. E é por essa falta de capacidade de expressão da maioria das pessoas que os desencontros acontecem.

Na minha finita e auto-baseada concepção de amor não há espaço para jogos. Se empregamos mais esforço em fingir ser o que a gente não é do que deixar que o outro nos descubra, como é que a coisa pode valer a pena? Não deveria ser cena ensaiada com script planejado, deveria ser nu e cru, natural, sentimentalmente real. E é por isso que eu tenho me afastado de jogadores, de vampiros, de gente mal esclarecida que é viciada em conquista e só quer ficar ali. Não só isso também, mas procuro seguir um conselho que me dei de não ser leviano com o coração dos outros. Tem muita gente por aí só tentando encontrar alguém bacana com quem dividir suas histórias. Porque eu tenho a certeza de que, se o amor fosse mesmo um jogo, a primeira regra seria deixar os peões de lado e não se prender ao caminho desenhado no tabuleiro.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Toque suas tetas

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