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Deixa ela entrar

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deixa-ela-entrarDeixa ela se sentar na beirada da tua cama e te acordar de surpresa – pra morrer de susto e minimizar esse teu medo de aproximação. Deixa ela pender dum balanço, com as mãos pro alto e com os olhos fechados, sentindo a brisa da insegurança na cara e no corpo enquanto você se mobiliza pra não deixá-la cair. Entende o que é carinho e cuidado, rapaz.

Deixa ela mudar as tuas coisas de lugar pra você pedir desculpas depois do ataque de raiva e perceber que viver sozinho não tinha essa incerteza toda, esses nervos à flor da pele dela que varam a casa com um perfume. Mesmo não admitindo que seu olfato ainda não se adaptou. Estranha tudo nela, moço. Estranha as calças, as cores, as provas de roupa demoradas, a ternura por programas infantis e se agarra nisso pra não cair num sofá de sala sozinho com pizza e cerveja na mão. Cai com ela e se suja todo de gordura e calabresa pra descobrir que a pizza vem fatiada por alguma razão.

Deixa ela escolher o cinema, o horário e a sessão e fica nervoso com o atraso dela. Pensa que ela não gostou de você e que foi uma péssima ideia ter saído de casa, ter saído na chuva, ter saído com ela porque ela nem era tanta coisa assim ou era muita areia pro seu caminhãozinho e calma que ela já chegou. Vai me dizer que essa menina não te tira sorriso nenhum? Nega pra mim, porque pra ela já não cola mais. Que ela não te faz tremer um pouco ou bater a perna irritantemente num ritmo desacelerado por baixo da mesa do bar. E as tuas mãos ficam suadas durante o filme e você esbarra nela sem saber se pega nas mãos dela ou não. Pro beijo foi fácil e o pulo da intimidade de segurar as mãos dela, de envolvê-la nos dedos, nos laços e numa ternura só é que fica difícil. Você não ousa desafiar a tua memória e se esquecer de todas as rejeições, o tanto de não e talvez de quem partiu e te partiu ao meio?

Deixa ela entrar e se esquece de quem já foi. Deixa ela mostrar que ninguém no mundo é igual e que elas, as outras, é que te perderam. Deixa esse teu receio machucado de lado e encara a menina nos olhos, sem casca, sem porém, sem esse papo de não querer nada sério, não querer viver em stereo porque o mute traz mais calma. Confessa que faz bem cuidar e ser cuidado por alguém, mesmo que das outras vezes o cuidado tenha acabado com uns ferimentos profundos a ferro e brasa. E larga essas tabelas do Excel, esses teus cálculos precisos demais sobre afastamento e quilometragem, essas justificativas esfarrapadas que se resumem a medo. Deixa ela entrar e jogar os teus papéis pro alto. Ou se deixa levar por esse vazio que cutuca, aperta, irrita e nunca se justificativa, e que você nega – mesmo sentindo – que sente.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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O passado revolucionário de Aloísio Nunes – o vice de Aécio Neves.

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Vice de Aécio Neves, o senador do PSDB participou da oposição armada pela ALN e do assalto ao trem pagador. Hoje, considera tudo um erro. Na clandestinidade, ele era chamado principalmente de “Mateus”. Foi com essa alcunha que o tucano participou do assalto ao trem pagador Santos-Jundiaí, em 1968.

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Em seu site pessoal, o candidato a vice na chapa de Aécio Neves, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), resume em pouco mais de dez palavras o que foi boa parte da sua militância e principalmente os cinco anos de luta armada contra a ditadura militar pela Ação Libertadora Nacional (ALN), uma das organizações de guerrilha mais estruturadas na época do regime: “Por conta de ações contra a ditadura militar, precisou sair do Brasil”, diz o texto na seção “biografia” do tucano sobre o período de 1963 a 1968, antes do exílio na França. A razão pelo pouco destaque à própria história não é segredo. O tucano acha que sua postura naquele período foi um erro.

Quase 30 anos depois do fim da ditadura militar, Aloysio Nunes vai disputar uma eleição presidencial justamente contra uma ex-companheira de luta. Assim como o senador tucano, a presidenta Dilma Rousseff participou da resistência à ditadura, mas por uma organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Os pontos em comum entre os dois param por aí. Apesar de terem lutado pelo mesmo objetivo, Aloysio e Dilma trilharam caminhos diferentes.

O senador conheceu os seus primeiros companheiros de luta quando foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP). Durante esse período, ele era filiado ao Partido Comunista Brasileiro. Mas foi na ALN, liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, que ele ganhou importância na luta armada.

A militante Iara Xavier Pereira foi uma das pessoas que militou ao lado de Marighella na ALN. Irmã de Iuri Xavier – um dos líderes da organização que foi assassinado em 1972, Iara relembra o “apreço” com que Marighella falava de Aloysio Nunes. “Ele [Marighella] tinha uma confiança muito grande no Aloysio. Era muito bem quisto por ele. Falava muito bem do senador, que já era muito culto”, relembra ela.

Marighella e Aloysio atuavam muito próximos, entre outras coisas, porque o comunista não sabia dirigir e o senador ficava responsável pelo transporte do líder. De acordo com o biógrafo de Marighella, o jornalista Mário Magalhães, era com Aloysio que Marighella viajava, por exemplo, “quando soube que o congresso da União Nacional dos Estudantes havia sido descoberto em Ibiúna (SP), resultando em centenas de presos”, diz Magalhães em texto publicado no seu blog. Ainda segundo o autor da biografia Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, por causa dessa função “até hoje os detratores [de Aloysio Nunes] pensam desqualificá-lo apresentando-o como ‘o motorista de Marighella’”.

Nessa época, o senador atendia, na maioria das vezes, por outro nome. Na clandestinidade, ele era chamado principalmente de “Mateus”. Foi com essa alcunha que o tucano participou de uma das ações mais ousadas da guerrilha durante a ditadura militar. Aloysio Nunes foi um dos protagonistas do assalto ao trem pagador Santos-Jundiaí, em 1968. Quem coordenou aquele ato, com o objetivo de conseguir dinheiro para sustentar a resistência armada, foi o ferroviário Raphael Martinelli.

Hoje, aos 89 anos, ele lembra que o senador era o motorista de um dos carros que recepcionou parte dos militantes com o dinheiro levado do trem. Armado com uma carabina, o então militante ajudou a colocar a carga no veículo e levou o dinheiro arrecado. “Tinha o grupo que fazia o serviço e o grupo que aguardava a descarga, né. Ele tinha que esperar onde o trem parasse, ali em Pirituba, para recepcionar os companheiros que iam descer com a carga. O Aloysio, além de fazer a segurança, estava para receber a carga do trem, o dinheiro. Todo mundo estava armado. Num ato desse a gente não ia com intenção de matar ninguém, mas tínhamos que estar preparados”, explica Martinelli.

Pouco tempo depois desse assalto, em 1969, o senador se exilou em Paris, onde passou a ter a função de dar suporte ao grupo. Além de dar abrigo a companheiros que também se exilavam no país, Aloysio buscou apoio de outros movimentos ou partidos de esquerda na Europa. Não por coincidência, se filiou ao Partido Comunista Francês. A própria Iara, por exemplo, chegou a morar “por um ou dois meses” com Aloysio Nunes e a esposa depois da morte de Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, na tortura, em 1970. “Ele [Aloysio] sai do Brasil por uma série de circunstâncias e fica montando uma estrutura de apoio em Paris até 1972 ou 1973”, conta.

Os companheiros de guerrilha não sabem dizer ao certo por que, mas é nesta época que o senador dá sinais de que teria mudado de opinião a respeito da guerra contra os militares. Com a morte de vários militantes e, principalmente, dos principais líderes da ALN, Aloysio Nunes deixa a organização e volta a se filiar ao PCB. O senador não respondeu às tentativas da reportagem de entrevistá-lo, mas disse recentemente à revista Época que esse período foi “superestimado” e que não diria ter “orgulho”.

“Esse período tem sido superestimado, ele não foi decisivo para a derrota do regime militar. Longe disso, até forneceu o pretexto para o recrudescimento da repressão. Eu não diria que tenho orgulho, mas sempre agi conforme as coisas que considero corretas. Foi o que fiz naquela época. A experiência mostrou que eu estava errado, não só pelo fracasso daquela forma de luta, como também porque ela não foi travada a partir de uma perspectiva democrática”, disse à publicação.

Os companheiros desse período explicam que a mudança de linha de pensamento, já que ele saiu de partidos comunistas para fundar o PMDB e se encontrar no PSDB, não é uma grande surpresa. Assim como ele, vários outros militantes da ALN entraram política sem necessariamente se alojar em partidos de esquerda.  “Eu não sei dizer se [a mudança de opinião de Aloysio Nunes] surpreendeu. Não foi o único. Aliás foram muitos que seguiram um caminho parecido com ele”, diz o advogado Aton Fon Filho, que também integrou a ALN e chegou a participar de reuniões com Aloysio.

Mas alguns dizem que Aloysio Nunes nunca teve uma orientação marxista. “É próprio da juventude ser revolucionária. Então essa juventude era revoltada com a ditadura. A maioria era revoltado com as proibições, os sumiços de médicos, vereadores, mas muitos não se enxergavam ideologicamente como comunistas, ao contrário de mim, do Marighella”, resume Martinelli.

Fonte: Carta Capital

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Aécio Neves construiu aeroporto na cidade de Cláudio – MG, com verba pública no terreno do Tio dele. Na época os gastos foram aproximadamente 14 milhões de reais.

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c0c40aaf-1fd9-4ed1-b19d-7c0bc9445c72No final do segundo mandato de Aécio Neves no governo de Minas Gerais, o estado gastou quase 14 milhões de reais para construir um aeroporto dentro de uma fazenda de um tio do então governador.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, Múcio Guimarães Tolentino, 88, tio-avô do senador e ex-prefeito de Cláudio, é quem controla o acesso ao aeroporto construído em 2010. Para usá-lo, apesar do aporte público, é necessário a sua autorização. Ainda de acordo com a reportagem, o local recebe menos de um voo por semana. O atual candidato à presidência pelo PSDB usa o aeroporto sempre que visita a cidade. Antes da licitação, o estado desapropriou a área. Tolentino não ficou satisfeito com o valor acertado e o contesta na Justiça.

Em nota, a assessoria de Aécio Neves contestou a reportagem. “Não houve nenhum tipo de favorecimento na implantação das melhorias na pista de pouso de Cláudio como insinua a reportagem. (…) Todas as atitudes do governo de Minas Gerais referentes ao aeroporto de Cláudio se deram dentro da mais absoluta transparência e lisura,” diz a nota.

A nota também afirma que a prática de manter as chaves de um aeroporto nas mãos de alguém é comum no interior do país. “É também lamentável que a reportagem não tenha registrado que aeroportos locais (que não possuem voos comerciais) ou pistas de pouso fechadas são prática comum em aeroportos públicos, no interior do país, como forma de evitar invasões e danos na pista que possam oferecer riscos à segurança dos usuários. Ao ignorar esse fato, a reportagem deu a entender que o acesso à pista feito de forma controlada no município de Cláudio constitui algum tipo de exceção.

Fonte: Carta Capital

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Romário – o baixinho: detona o Gilmar Rinaldi (coordenador de Seleções da CBF)

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romarioBaixinho ressuscitou polêmicas da época em que o novo coordenador da CBF foi superintendente do Flamengo, em 1999

O início das mudanças na seleção brasileira após a Copa do Mundo não parece ter agradado o ex-jogador e deputado federal Romário. O “baixinho” utilizou as redes sociais para tecer duras críticas a Gilmar Rinaldi, novo coordenador técnico do escrete canarinho. O dirigente foi apresentado nesta quinta-feira, em entrevista coletiva que contou com a participação de José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Alexandre Gallo.

“Galera, só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de seleções da CBF”, postou Romário, que fez questão de lembrar o histórico do ex-goleiro da seleção brasileira no tetracampeonato mundial. Gilmar é empresário de jogadores, fato que, segundo o baixinho, o desqualifica a exercer uma função de tamanha confiança.

“O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo. É incompetente e sem personalidade”, afirma o Baixinho, ressuscitando polêmicas da época em que Gilmar foi superintendente de futebol do clube carioca.

O Flamengo chegou a estar entre os primeiros colocados do Brasileirão de 1999. Porém, no meio do torneio, Gilmar brigou com Romário e quis multá-lo por faltas e atrasos em treinos. Romário, porém, ganhou a disputa interna: disse que tinha autorização da diretoria para essas ausências. O fato enfraqueceu o “poder” de Rinaldi no clube.

Sem papas na língua, Romário ainda chamou Marin e Del de Nero de “ratos” e disse que Gilmar irá fazer prevalecer interesses pessoais na seleção brasileira.

“Posso afirmar que Rinaldi vai fazer da CBF um banco de negócios para defender seus interesses. Só os ratos do Marin e Del Nero para escolheres uma pessoa como essa. Para piorar, ele ainda é agente FIFA”, concluiu.

Fonte: Conversa Afiada / Paulo Henrique Amorim

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A felicidade e a partilha

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Screen-shot-2014-02-06-at-11.20.54-AMEu não sei se você já assistiu a um filme chamado “Into the Wild”, traduzido no Brasil como “Na Natureza Selvagem” (um filme que, aliás, tem uma trilha sonora maravilhosa na voz do talentosérrimo Eddie Vedder). Eu assisti, amei, assisti de novo e, sem perder a oportunidade quando ela apareceu, comprei o DVD para poder assistir quando quisesse, novamente. O filme conta a história de um garoto que, questionando a vida em sociedade e as relações humanas, resolve simplesmente se ausentar do mundo e ir caminhando até o Alasca. Sozinho. Sem lenço nem documento, deixando para trás absolutamente tudo: dinheiro, carro, documentos, família, amigos. A história é baseada em fatos reais e narra a tentativa do personagem, Alexander Supertramp, de ser feliz sozinho.

Você acredita que isto seja possível? Ser feliz sozinho? No documentário “Eu Maior” fizeram esta pergunta para o filósofo Mario Sérgio Cortella, ao que ele respondeu (não vou me lembrar das palavras exatas): não é possível ser feliz sozinho pois não é possível ser sozinho. Por mais que alguém esteja sozinho no momento, ele não esteve sozinho sempre em sua vida e, portanto, sua existência já está permanentemente marcada pela percepção subjetiva de convivência e coexistência com outros seres humanos. Pode-se até mesmo pensar em uma criancinha abandonada logo após seu nascimento mas, até mesmo neste caso, no momento de seu nascimento ela interage com outro ser humano, e esta interação deixa marcas profundas em seu psiquismo. Se é possível ser feliz sozinho? Não, e pelo simples fato de que é impossível ser sozinho.

Este é um tipo bastante comum de pessoa que me procura para atendimentos, seja em meu consultório, seja nos atendimentos por Skype – seja, até mesmo, nos grupos de desenvolvimento pessoal dos quais participo: pessoas que, tendo experimentado relações afetivas ou amorosas dolorosas, encontram na equação eu + eu = felicidade sua fórmula de contentamento eterno. Ou quase isso, já que me procuram justamente por não conseguirem ser bem-sucedidas nesta tarefa. Parece que na equação acaba faltando uma variável importante, uma variável que acrescenta tempero à vida e empolgação aos dias. Uma variável que não pode ser substituída por nenhuma outra e que, invariavelmente, quando analisada mais de perto, aponta em uma única direção como saída existencial: pessoas, relações, afeto. Por mais que estas pessoas, em busca de conforto e bem-estar, tenham estabelecido a si mesmas que “a partir de hoje vou olhar para o meu e pensar no que é melhor para mim e pronto”… Algo falta.

Espera só um pouquinho, antes de eu continuar: não estou aqui dizendo que olhar para o que é nosso e pensar no que é melhor para nós é errado. Muito pelo contrário; qualquer pessoa que conheça minimamente meu trabalho e minhas ideias sabe a importância que o “apropriar-se” tem, na minha percepção. Mas assumir a responsabilidade pela própria vida e trancar-se na própria existência, evitando os relacionamentos afetivos na tentativa de fugir da ansiedade e da angústia que eles causam são duas coisas absolutamente diferentes.

Afetividade deriva do radical afeto, e afeto se refere a tudo aquilo que me afeta. O que me afeta, o que tem a capacidade de me transformar é, para mim, afetivo. O que causa em mim uma mudança e me atinge diretamente é afeto. Afetividade, então, é a qualidade através da qual as coisas me tocam e me influenciam. E este afetar pode deixar marcas tanto positivas quanto negativas em mim, dependendo do grau de satisfação ou frustração das expectativas que criei anteriormente: se idealizei algo e este algo aconteceu, guardo um registro positivo da experiência. Se, pelo contrário, o que criei dentro de minha cabeça e de  meu coração não aconteceu e eu me frustrei… O registro é negativo e passo, consciente ou inconscientemente, a evitar situação semelhante. Sendo entendidas desta forma, não são as relações que me frustram e deixam uma marca negativa em mim: eu me frustro porque criei, em minha cabeça, expectativas que não se concretizaram. Eu me frustro, porque minhas carências não foram atendidas. Eu me frustro, porque aquilo que sonhei e que tanto quis que acontecesse… Não aconteceu, e eu fiquei a ver navios. Eu me frustro. Eu me decepciono. Eu construí as expectativas.

Mas, para nosso psiquismo, profundamente condicionado e treinado para evitar a dor a qualquer custo e a sempre encontrar culpados para tudo no processo, mais do que depressa encontra alguém para responsabilizar pela minha dor. O outro é o responsável pela minha dor, não eu e o fato de ter criado expectativas. E, se a culpa é do outro e todo o meu ser está programado para evitar o sofrimento a qualquer preço, para não correr o risco de novo sofrimento a regra é clara: elimina-se o outro, elimina-se o sofrimento. Só que… Não.

A cada vez que você volta as suas costas para as pessoas porque uma delas decepcionou suas expectativas, você age contra seu maior objetivo nesta existência: reconhecer-se. A cada vez que você culpa alguém pela sua dor você comete o maior dos pecados, que é o de deixar de olhar para si. A cada vez que você jura para você mesmo que nunca mais deixará ninguém passar por cima de você, o que está fazendo é colaborar para que a doença maior da nossa sociedade continue acontecendo: você alimenta seu Ego, permanentemente orientado para garantir o bem-estar mesmo que emburrecedor, e deixa de olhar para o Ser Maior que habita seu interior, escondido em cada uma de suas expectativas frustradas.

Seus relacionamentos afetivos – sim, os que te afetam, positivamente ou não – são o maior presente que você poderia ter ganhado para te ajudar na tarefa de desenvolver a si mesmo e a expandir-se enquanto consciência. Cada mal-estar experimentado em sua jornada é um indicativo de fragilidade existente em você que precisa ser acalentada e cuidada – não pelo outro, mas por você mesmo. Cada dor que “alguém lhe infringiu” é uma pista importantíssima no seu caminho de retorno a seu verdadeiro Eu; não este condicionado pelo sistema de crenças dual de nossa sociedade moderna que diz que apenas os fortes valem a pena, mas o Eu anterior à vida na dualidade, o ser eterno, que sempre existiu e que sempre existirá, mesmo depois de você não estar mais aqui. Mesmo que mude de forma e não atenda mais pelo seu nome e nem tenha o seu cheiro e seu formato, mas o seu Eu Total, atemporal, infinito e abundante.

“É impossível ser feliz sozinho”, já disse o poeta Tom Jobim. “A felicidade só existe quando é compartilhada”, escreveu Alexander Supertramp em seu diário, em “Into the Wild”.

Eu não ouso discordar.

Fonte: Flávia Melissa

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