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(+18) Como se faz uma caipirinha?

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timthumbMorar fora do país significa adaptar-se a uma nova cultura, outro estilo de vida. É gostoso, mas nada fácil. No começo, a dificuldade de comunicação atrapalha tudo: estudos, procurar trabalho e também na hora de procurar uma companhia para passar a noite. A fase de adaptação, no meu caso, durou exatas duas semanas.

Não, eu ainda não falava bem inglês. Também não tinha trabalho. Mas consegui arrastar uma gringa para o meu apartamento. A primeira estrangeira com quem transei na vida. Era uma suíça de pernas grossas, seios médios e uma bucetinha rosada que me faz babar só de pensar.

Foi numa terça-feira à tarde, sem muitas pretensões. Ela era a pessoa com a qual eu mais conversava na sala, desde que cheguei. Na saída, no meio de um papo sobre diferenças culturais, a garota perguntou:
– Você sabe fazer caipirinha? – contou que bebeu uma vez e se apaixonou.
– Claro! Fazemos muito no Brasil, é fácil. Quando você quiser, posso te ensinar.
– Você pode me ensinar no dia em que me convidar para conhecer seu apartamento – revidou ela, sem pudor algum (parabéns europeias, vocês são foda!)
– Você pode conhecer agora, se quiser – não quis ficar atrás na indireta. Funcionou. Ela aceitou o convite no ato.

Chegando ao apê, mal deu tempo de entrar. Esqueci a desculpa da caipirinha, não consegui segurar. Ao vê-la pisar no meu quarto para guardar a bolsa, segurei seu braço, puxei-a para perto. Demos um beijo molhado, devagar. Aos poucos, o ritmo foi aumentando e o tesão também. Era tanto desejo que não consegui parar de beijá-la sequer pra fechar a porta. Mesmo assim, o fiz, não sei como.

Antes de deitá-la na cama, coloquei as mãos por dentro da sua blusa. Senti os mamilos durinhos. Acariciei seus seios, beijei-a com vontade. Ela veio com a mão no meu pau, quase como um pedido para colocar na boca. Dava para sentir sua calcinha de renda branca roçar nele. Parecia que eu ia explodir. A europeia sentou-se na cama, já sem blusa, só com aquela pequena peça de pano entre as pernas. Abriu minha calça, segurou meu pau. Colocou-o na boca, sem soltar as mãos. Sua boca lisinha quase me fez gozar rápido.

Para não queimar a largada, deitei-a na cama. Era tanto tesão era que nem tive tempo de tirar sua calcinha. Afastei de lado e comecei a lamber aquela bucetinha rosa, sem nenhum pelo, toda molhada. Senti o tesão da garota ouvindo sua respiração ofegante e gemidos altos. Senti ela gozar na minha boca, com meus dois dedos lá dentro. Ela parecia implorar para ser penetrada.

Eu precisava sentir seu calor. Mal coloquei a camisinha, já estava entre as suas pernas. Enfiei devagar. Queria ver até onde seu prazer chegava. Passei seus joelhos sobre meus ombros. Comecei a meter o mais fundo que conseguia. Ela gemia alto. Aquilo me excitava ainda mais. Não aguentei quando a vi de quatro. Forma poucas bombadas até gozar.O tesão permanecia à flor da pele. Nem deu tempo de pensar. Logo, ela voltou a me chupar. Peguei outra camisinha, a coloquei de quatro de novo. Ver aquela bunda branquinha aberta na minha frente me deu uma vontade absurda de comê-la por trás. Tentei, mas a menina não parecia muito à vontade.

Ela veio por cima e teve outro orgasmo. Foi uma das melhores visões da minha vida. Uma loira de olhos azuis, cavalgando gostoso sobre mim, esfregando os seios na minha cara. Ainda ali, ela se virou de costas. Gozei de novo. O tesão parecia não acabar.

Fomos tomar um banho. Depois de alisar seu corpo, a vi apoiar na borda da banheira e apenas afastei sua perna de lado. Lambi bem e a fiz gozar mais uma vez. Em seguida, a europeia fez o mesmo. Veio me chupar até explodir de tesão e então ficou me punhetando e viu meu esperma espirar. Linda a sua expressão de satisfação.

Terminamos o banho, nos arrumamos, voltamos para o quarto. Ela colocou uma camiseta branca e, sem calcinha, ficou deitada de barriga pra baixo. A camiseta cobria metade da bunda dela, e quando ela se mexia, a bucetinha rosada ficava à mostra. Que cena.

Voltei a chupá-la.
– Você não cansa?- perguntou. Sentia meu pau latejar, mas pedi mais uma.

Ela sequer resmungou, só deu uma arrebitada na bunda e abriu um pouco mais as pernas. Ali gozei mais uma vez.

A europeia virou minha fuck friend nos quatro meses que se seguiram.  A gente se encontrava sempre que possível, depois da aula ou aos finais de semana, para outros momentos assim ou rapidinhas eventuais. Ela foi embora e deixou saudades. Acabou voltando pra Suíça sem aprender como se faz uma caipirinha.

Fonte: Blog da Lasciva

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De que e de quem, a “redução da maioridade penal” quer esconder nossos adolescentes e jovens?

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É preciso mobilizar, debater e refletir a proposta do Congresso Nacional – de modo democrático e qualificado.

  1. Quem se responsabiliza pela “sexualização” das crianças?
  2. Nos anos 80, Xuxa com roupas curtas comandou o programa infantil de maior audiência da TV brasileira.
  3. Já na década de 90, os baianos do É o Tcham e Companhia do Pagode (grupos musicais de axé) colocaram as meninas para rebolar com roupas curtas e descerem na boquinha da garrafa – em simulação de ato sexual. Em todas as tardes de domingo – no Domingão do Faustão.
  4. Quantos são os comerciais de cerveja exibindo e sexualizando os corpos femininos – publicidade em qualquer horário, para quem quiser ver.
  5. O que dizer? Da indústria pornográfica que exibe há décadas a nudez em bancas de jornais e revistas, busdoors, outdoors, etc.
  6. E as propagandas de motéis?
  7. As crianças em idade escolar estão protegidas da exposição a modo livre e desinibido do ato sexual?
  8. E os filmes? As novelas?

“Podemos dizer, sem medo de errar, que estamos imersos numa cultura do corpo que não somente objetifica o corpo feminino como fonte de prazer sexual como também naturaliza esse papel da mulher. Quanto mais sexualmente desejada, mais bem sucedida”.

  • Quantas meninas, sobretudo das classes mais pobres assumem as tarefas de cuidar da casa, dos irmãos menores e de si mesmas? Já que a rotina é a submissão dos Pais ao sub sustento da família e a ausência do Sistema Educacional Público de Qualidade e que funcione tempo integral.
  • Ainda sob responsabilidades… quem se responsabiliza pelo precoce processo de “adultização” das meninas, frente à exposição exacerbada às mensagens midiáticas citadas acima?

Para a sociedade é mais fácil talvez apoiar a redução da maioridade penal, do que de fato entender o funk como arte e manifestação cultural.

Contradições coletivas. O que difere de “horror”, uma criança dançando sensualmente a uma outra (menor de idade) enviada para as nossas desumanas prisões?

E o que dizer quando o Estado se apossa do bem público por detrimento da opressão e, transforma uma escola infantil em base de UPP há 4 anos? É o caso de uma unidade escolar no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.

“Como estudar assim” – a pergunta de uma criança dali.

ESTA PUBLICAÇÃO ESTÁ EM FORMATO DE FICHAMENTO. A PARTIR DE OUTRAS LEITURAS E ESTUDOS SOBRE A CRIMINALIZAÇÃO DA VULNERABILIDADE INFANTIL.

 

 

 

 

POR QUE UM HOMEM CASADO DIZ QUE AMA A AMANTE, MAS NÃO FICA COM ELA?

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Com certa frequência eu atendo uma pessoa, recebo e-mail ou inbox de mulheres que me contam algo parecido com isso: Um homem, casado há X anos num relacionamento ruim, conhece uma menina e se apaixona por ela. Ele foi levando as duas relações, pois pensava em se separar.

Chega um tempo que ela percebe que ele não vai conseguir sair dessa relação por causa de filhos, até que um certo dia ele fala pra “amante”: “Eu amo você, mas amo minha esposa também”. E segue até hoje dizendo que a ama, sente saudade, se falam por whatsapp e ligações todo dia.”

É possível amar duas pessoas?

Sim, é possível, do mesmo jeito que uma pessoa ama o pai e a mãe, os irmãos, os filhos, os amigos, o amor não tem limites, o desejo também não. A diferença é a qualidade do amor, a profundidade, os riscos e as variáveis implicadas numa relação amorosa.

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Qual a diferença então do amor com a esposa e com a amante? O que está implicado no amor com a esposa:

• Tempo de relacionamento
• Compromisso perante a sociedade (e as pressões sutis implicadas)
• Convivência constante
• Tomadas de decisões constantes (deixando explícito as negociações e diferenças pessoais)
• Dificuldade de impressionar usando artifícios simplistas (necessário mais profundidade emocional e criatividade)
• Transparência do caráter e das contradições internas (menor chance de posar como um homem indestrutível)
• Responsabilidades compartilhadas na condução da vida prática (isso evidencia uma personalidade mais egoísta ou altruísta)
• Condução da educação de um ou mais elementos (filhos mudam a dinâmica do convívio)
• Orquestramento de uma vida social, familiar (e os impasses do convívio com cunhados, sogros, amigos)
• Gerenciamento das finanças em conjunto (que evidencia uma personalidade mais mesquinha ou consumista)
• O sexo é confrontado com uma convivência que pode não ser estimulante (ex: se ele age de um jeito fechado ou individualista como irá apimentar a cama?)
• Vantagem ambivalente da alegria e peso do ideal da família harmoniosa (para alguns homens de personalidade impetuosa e sonhadora é muito estafante sustentar um equilíbrio emocional de maior previsibilidade)
• Inevitavelmente será confrontado com suas contradições pessoais e seu senso de homem ideal pode ficar maculado pela sensação de que não é tão incrível (no convívio constante) como gostaria de se imaginar
• Escolha mais sólida que fez na vida, alguém que conhecer em algum contexto ou momento de vida que foi significativo e que traz uma sensação de bem querência, gratidão e solidez

O que está implicado no amor da amante:

• Encontros casuais
• Cenário artificial (hotéis, motéis, cidades reclusas) que cria um contexto mágico
• Possibilidade de falar mal da vida conjugal sem ser condenado abertamente
• Maior facilidade de usar máscaras poderosas
• Escassez de tempo provoca uma janela menor de oportunidade sexual que costuma se consumar
• Memórias agradáveis (associação amante = poder pessoal)
• O homem se sente mais à vontade para abrir seu coração e falar dos seus medos, sonhos e dúvidas sem que isso implique numa confrontação direta (pelo medo da amante perder o pouco que tem)
• Menor exigência pessoal na relação
• Não há negociação de decisões (o encontro acontece quando ele decide)
• Convívio exclusivo com a pessoa amada
• Ausência de interrupções ou distrações (de amigos e familiares)
• Ausência de confrontos financeiros (a amante está em alguma medida sempre recuada para cobrar qualquer coisa)
• O julgamento sexual que o homem faz da amante o libera para extravassar coisas na cama que teria pudor de fazer com a esposa (que lidará com ele fora daquele cenário libidinoso)
• A personalidade apresentada nesse contexto é sempre protegida de maiores pressões internas e externas (a não ser pelo temor de ser flagrado) motivo pelo qual é sentido um maior clima de liberdade e empoderamento
• O contexto do encontro normalmente foi incitado por uma implicação essencialmente sexual e portanto acaba sendo percebido como algo menos sólido.

Por que não escolher uma delas?

Porque escolher vai colocar algumas coisas complexas na mesa na relação com a amante que até então o homem não tinha que lidar. Ele teria que fazer toda a travessia de se inserir na vida da amante e ela na dele, seja na questão sexual, financeira, familiar, logística, projetos pessoais e afinidades de personalidade. A grande verdade é que muitos homens terão preguiça de fazer isso ou no fundo acham que a vida pessoal da amante é menos digna de admiração do que da esposa em questão. Ele sabe que grande parte do tesão que surge com a amante vem do fato dele não conhecê-la tão bem, estar preservado da vida dela e de poder sustentar uma imagem idealizada de si mesmo.

Com o convívio com a amante tudo o que estava implicado no relacionamento com a esposa será transferido para a vida com a amante que se transformará na esposa (provavelmente exigindo os mesmos direitos que uma esposa sente que tem). Haverá um agravante se ele decidir se unir com a amante, ele terá os filhos do outros relacionamento para administrar e o ciúme da nova esposa que sabe exatamente que ele é capaz de trair. Motivo que será sempre justificado para ter ciúme e travar muitas discussões. Portanto, para fazer essa troca, além de todo desgaste emocional implicado e a perda das vantagens aparentes a maioria dos homens prefere ficar com os dois cenários em paralelo, mesmo com alguns pontos de desconforto.

O que eu devo fazer?

Depende, normalmente existem duas dimensões nessa decisão.
1) Moral Normalmente nessa esfera é a que a maioria das pessoas se questiona. Quem vê de fora encara tudo como sem-vergonhice e mau caratismo, nem entrarei nesse campo de julgamento mais exagerados. Mas uma dimensão que precisa ser considerada nesse cenário que são as escolhas que uma pessoa faz e por cima de que valores ela passa em cima. Uma pessoa que ignora para si os impactos emocionais sobre os outros poderá desenvolver uma cegueira funcional para com as próprias necessidades. Muitas pessoas podem passar tanto tempo alimentando um egoísmo com os outros que se tornam mesquinhas até para si mesmas.

2) Psicológico Uma vida parcial para muitas mulheres pode ser o máximo que elas conseguem aspirar e manejar. No mundo ideal delas podem até acreditar que seriam mais felizes tendo o relacionamento na sua inteireza, mas viver com aquele clímax amoroso parece garantir uma tranquilidade interna. Muitas mulheres amantes guardam certo mal-estar com a intimidade excessiva, não querem assumir o onus da relação do convívio, temem perder a exclusividade e enfrentar os seus demônios do cotidiano.

Devo ter esperança?

Depende de suas aspirações pessoais, raríssimas situações como essa acabam tendo um “final feliz” (feliz para quem?), ou seja, o fim de um casamento tumultuado e o começo de uma história apoiada em engrenagens emocionais e morais duvidosas. Muitos casamentos lindos começaram assim, mas é uma infinita minoria. A pergunta que a pessoa que vive um relacionamento paralelo deve se fazer é que tipo de vida emocional quer levar e se conseguiria correr o risco de entrar com os dois pés numa outra história com um homem real, disponível, recíproco e disposto a driblar os próprios limites nesse aprendizado contínuo que é a vida à dois.

Em resumo: ele fica com a amante para manter o seu casamento “vivo”.

Fonte: Sobre A Vida

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A viúva negra é uma vadia

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Black-Widow-black-widow-11742843-2000-1333-1000x500Em primeiro lugar devo pontuar que li inúmeros textos “contra o machismo” e as declarações dos atores que fizeram o Arqueiro e o Capitão América, em Os Vingadores 2 e, em TODOS que li o mote era o mesmo: justificar as ações da Viúva Negra em detrimento dos discursos machistas dos atores.

Para ilustrar: os atores afirmaram numa entrevista que achavam a Viúva Negra uma vadia por ter tido várias paixões durante os filmes.

Nos textos que li encontrei diferentes perspectivas “cheias de boas intenções”. Uns justificavam que ela não era vadia porque só teve 3 paixões durante o filme, ou porque foram apenas beijos, mas não houve sexo. Até alguns dizendo que “um dos beijos foi só encenação pra fugir dos inimigos”, então não contava. Sempre aquela onda do “ela é isso, ela é aquilo” numa justificativa quantitativa, como se a gente pudesse criar critérios ou eleger números para classificar alguém como vadia.

Em NENHUM, nenhunzinho que fosse, diziam que ela queria, ela podia, ela sentia, porque ela é mulher. E daí se ela tivesse transado com todos eles?

N E N H U M deles abordava o lado dela, a naturalidade que existe em uma mulher se relacionar com quem ela quiser, assim como é com os homens.

Quer dizer: todo mundo quer combater o machismo, porém criando argumentos equivocados que só reforçam as regras do machismo. Então a Viúva Negra não é vadia porque foram só 3, mas 1 foi encenação e nenhum teve sexo.  Ufa, que bom! Se fossem 5 já não podia, né?

Você que está lendo: segundo esses argumentos, se você ficou com 3 e todos foram de verdade, xiiii… acho que eles te acham uma vadia. Ah, se você transou com algum então, amiga… Você é uma piranha porca. E se transou com dois ou pior, com os três? Ferrou! Você merece a morte.

Gente, vamos refletir? Enquanto vivermos tentando explicar que foram só dois, que não teve sexo, que um foi encenação e etc estaremos reforçando o machismo e fazendo de nossa vontade motivo ilegítimo para tomada de decisões. Nenhum desses rótulos “agradáveis” (sempre no feminino) tem sentido dentro dessa lógica que só tem a intenção de limitar a nossa liberdade sexual pra que a gente tenha vergonha de exercê-la.

Se você ler um texto como os que citei acima, tenha cuidado. A intenção pode ser boa, mas o resultado é o contrário do que queremos.

Inclusive te digo que a Viúva Negra é vadia, sim. Porque segundo eles, ser vadia é exercer a sua liberdade do jeito que você bem entender e não se importar com o que pensam. Se isso é ser vadia, bem, sorte a dela por ser uma.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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Mudança tímida ou a revelação da incapacidade tecnológica?

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Documentário brasileiro busca entender porque, apesar do crescente investimento, a tecnologia não revolucionou as escolas e a educação

O que mudou dentro das escolas desde que o velho quadro-negro passou a dividir espaço com lousas digitais, tablets e salas 3D, entre outras invenções? Não muito, responde o documentário brasileiro Do Giz ao Tablet: Por que a tecnologia não mudou a educação, produzido pela consultoria de engajamento paulista Santo Caos. Lançado em janeiro deste ano e disponível gratuitamente no YouTube, o filme de 30 minutos mostra como os novos equipamentos e demais investimentos tecnológicos feitos nas escolas não se traduziram em mudanças no ensino e na aprendizagem. Mas por quê?
“A gente via que a tecnologia não havia mudado a educação, pois ainda usavam-se os mesmos paradigmas. Então, em vez da apostila, tinha o tablet. A lousa digital, no lugar da lousa a giz. Mas, na prática, não tinha mudado nada porque os atores e os papéis das pessoas dentro da escola eram os mesmos”, explica Guilherme Françolin, um dos fundadores da Santo Caos e idealizadores do filme, que entrevistou professores, pais e especialistas em educação. Em outras palavras, a modernização física e das ferramentas escolares não foi acompanhada por uma atualização na prática pedagógica.
Nesse contexto, o documentário questiona a pertinência de um modelo educacional baseado em aulas expositivas e avaliações pontuais diante de alunos cada vez mais conectados e, portanto, providos de informação. “Uma geração sempre se define pelo contexto social em que estiveram inseridos quando crianças. Como a geração Z, de forma geral, possui pais que trabalham fora, na dúvida, vai e pergunta no Google. Porque é muito mais fácil do que esperar para perguntar aos pais”, diz Françolin. Logo, pode-se dizer que é uma geração bastante imediatista e autodidata. “Por ter tal perfil, esses alunos não querem esperar o professor chegar naquele ponto da matéria para saber aquilo que desejam. E isso muda a dinâmica das relações dentro da escola.”
Para Luciano Meira, consultor em educação e multimídia do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), a maioria das avaliações feitas pelo documentário é pertinente, mas é preciso também considerar outros pontos. “A primeira coisa é que tem pouco tempo de implementação e penetração das tecnologias digitais nas escolas. Ou seja, não tem intensidade e tempo cronológico suficientes para afirmar ‘que não revolucionou’.” Segundo Meira, as tecnologias contemporâneas não são apenas mais um artefato dentro da escola, mas ferramenta pedagógica muito poderosa, pois apresentam uma capacidade responsiva e de acumulação de informação sobre quem as utiliza que é única. “Agora, se tiver um big brother dentro da escola tão forte para que os alunos não possam usar a rede para outros propósitos senão os “educativos”, aí concordo que nunca vai mudar nada”, diz.
Outro ponto que explica o fato de esses dispositivos não estarem revolucionando a escola está no fato deles não terem sido desenhados com esta finalidade. “Eles (aparatos tecnológicos) foram desenhados para a sociedade, de forma geral. Depois falam que os professores têm resistência em usá-los, mas não tem não. É que não é fácil fazer o redesenho de um artefato para um propósito específico, tanto é que há várias startups fazendo apps para educação e eles precisam contratar designers, ilustradores, programadores, engenheiros, educadores etc. Agora, você espera que um professor faça isso sozinho?”, lembra Meira.
Richard Romancini, professor do curso de Educomunicação da Escola de Comunicações e Artes da USP, aponta que é possível pensar a relação entre as tecnologias e a educação formal a partir de dois pontos. O primeiro, ligado ao uso da mídia com uma preocupação instrumental, a ideia estrita de “do giz ao tablet”. “No início do século XX, com a emergência dos então novos meios, como o rádio, cinema, etc., a ideia de “revolucionar” a educação com a utilização dos mesmos ganhou um forte impulso. Não por acaso nesse momento ocorre a montagem de grandes sistemas educativos nacionais em muitos países”, conta. Isto é, tratava-se, muitas vezes, não de reconfigurar a educação, mas de acelerar processos, dar-lhes uma nova escala. “Eu diria que a preocupação desta dimensão foi muito pouca revolucionária. Geralmente, se procurou utilizar os novos meios para dar mais eficiência ou massificar os sistemas, não exatamente para mudar propósitos e sentidos”, diz.
Além disso, frequentemente, a adoção de tecnologias se dá de maneira vertical e autoritária. Dificilmente os professores são consultados quando alguma rede educativa compra um sistema de ensino, lousas digitais ou tablets. “Então existe uma contradição aí: como você vai desejar que esse professor – ao qual é dada tão pouca autonomia – tenha uma relação de mediação com os alunos, trabalhem para que se constituam como indivíduos autônomos? Será que a própria sociedade quer que o professor seja mesmo algo diferente desse “passador de conteúdo” ao qual ela está acostumada?”
O segundo ponto de vista, entretanto, relaciona-se mais ao ambiente externo à escola. “Talvez aí possamos perceber uma revolução. Hoje, qualquer estudante tem acesso a um conjunto de informações enorme a partir de algum dispositivo tecnológico. Isso abala a hegemonia da escola como ‘guardiã do conhecimento’ e deve induzir reflexões sobre os objetivos da educação escolar”. Para Romancini, é possível que grande parte da crise da instituição escolar – questões de evasão, desmotivação estudantil, entre outras – esteja relacionada ao fato de que não estamos sendo capazes de dar respostas satisfatórias a essa interação entre a cultura midiática e a educação formal. “As tecnologias não revolucionaram a educação escolar em termos propriamente instrucionais, mas talvez estejam revolucionando em relação ao ambiente cultural que ajudam a produzir”, resume.
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