Crack: o Governo Federal passa a tratar como problema social

Após décadas de medidas fracassadas, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas deixa de ver uso como questão de segurança pública e mira no programa paulistano De Braços Abertos

por Marcelo Pellegrini

Um total de 3,5 bilhões de reais já foram investidos desde 2014 no programa Crack, É Possível Vencer, lançado em 2011 como a principal resposta do governo federal a uma possível epidemia no uso e na disseminação do crack pelo País. Contudo, a iniciativa, focada em ações interministeriais de cuidado, prevenção e de repressão ao tráfico, foi classificada como um “tiro no escuro” pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que a criticou pela falta de planejamento.

O crack está presente no Brasil desde o início dos anos 90, mas só foi alvo de estudo que traçasse um perfil de seus usuários em 2013. Ou seja, a pesquisa da Fiocruz chegou após mais de duas décadas de medidas de repressão e internações forçadas que fracassaram em impedir o aumento de seu consumo e sua disseminação. Hoje, 98% dos municípios brasileiros dizem possuir algum dependente da droga.

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), responsável por encomendar o estudo da Fiocruz, não concorda com a avaliação da CNM. “As ações do programa não foram comprometidas pela ausência da pesquisa. Boa parte dos resultados revelados por ela já eram estimados pela Secretaria”, afirma o secretário nacional de política sobre drogas, Vitore Maximiano.

A baixa adesão ao programa, contudo, pesa contra a Senad. Ao fim da iniciativa, apenas 118 municípios estão incluídos nas ações, ou seja, pouco mais de 2% do total de cidades no País. Entraves burocráticos e a inação de governos estaduais contribuem para essa dificuldade.

Para o professor de psiquiatria da Unifesp, Dartiu Xavier, o estudo lança luz a um problema que sempre foi tratado na base do improviso. “O mais importante do estudo é derrubar mitos: o primeiro é o de que o crack é um problema de segurança pública, quando na verdade é uma questão social; o segundo é o de que o crack é uma epidemia e, por fim, o de que os usuários não querem abandonar o vício”, afirma Xavier.

Segundo o Ministério da Justiça, os três anos do programa Crack, É Possível Vencer colaboraram para estruturar uma rede de cuidados no País, que, embora ainda seja deficitária, deixa o Brasil mais bem preparado para o combate da droga em comparação a seus vizinhos. “Hoje, o Brasil possui 364 Caps especializados em álcool e drogas, sendo que a grande maioria foi construída com recursos do programa”, afirma o secretário da Senad, Vitore Maximiano.

Além dos Caps, a rede de tratamento para dependentes também conta com leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), unidades de acolhimento ambulatorial, Caps e comunidades terapêuticas. “A cocaína fumada, como é chamado o crack, é um problema regional, que afeta a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, a Colômbia e o Chile”, diz Maximiano. “E a solução não está no controle de fronteiras, mas em ações de combate à exclusão social. Prova disso são os Estados Unidos, que têm a maior fronteira murada do mundo e, ainda assim, são os maiores consumidores de cocaína.”

‘Até 2006, oferecíamos a cadeia como solução ao crack. Mudar essa cultura em oito anos não é algo simples, e estamos conseguindo fazer isso’, afirma o secretário da Senad. Foto: Antonio Cruz/ ABr

Por isso, para o secretário, aliar políticas sociais ao tratamento é fundamental. “Quando a dependência está associada à vulnerabilidade social, tudo se agrava”, diz. Sob esse novo mote, o governo federal tem investido na capacitação de 500 mil profissionais via cursos de educação à distância ministrados por universidades federais. A cooperação entre as secretarias de assistência social e saúde também estão sendo incentivadas.

Os achados da pesquisa realizada pela Fiocruz vão de encontro com o cenário relatado pelo secretário. Segundo o estudo, 80% dos usuários de crack no País são homens, não brancos (negros ou pardos), sem ensino médio e sem emprego ou renda fixa. Ou seja, em flagrante situação de marginalização social.

A pesquisa, realizada com 30 mil pessoas, em 26 capitais, ainda revela que 40% dos usuários estão em situação de rua, 60% são solteiros, e geralmente sem vínculo familiar, com média de 28 anos e que metade já esteve preso. Entre as mulheres, metade tem filhos ou se prostitui. Ao todo, 0,8% das pessoas das capitais brasileiras são usuárias regulares de crack.

De Braços Abertos

As medidas esboçadas pelo governo federal, contudo, estão distantes das ações integradas entre as secretarias da cidade de São Paulo em seu projeto De Braços Abertos, reconhecido internacionalmente como um modelo de combate à dependência de crack. Lançado em 2014, após o fracasso de diversas tentativas repressivas e de internação compulsória apoiadas pelo governo estadual, o programa municipal aposta no fornecimento de emprego e moradia aos usuários.

“É um equivoco achar que as pessoas ficam em situação de rua em razão do crack. A verdade é que elas já eram de alta vulnerabilidade social e, em razão da falta de opções de vida, acabaram viciadas em crack, porque é uma droga muito barata”, conta a secretária de assistência social paulistana, Luciana Temer.

Com ações envolvendo as secretarias de assistência social, saúde, habitação, trabalho e segurança, os frutos do projeto já começam a ser percebidos. Hoje, das 500 pessoas que são atendidas pelo programa, 50 já estão morando com suas famílias, 20 estão empregadas com carteira assinada e outras 42 passam por cursos de capacitação ou trabalham com jardinagem para a prefeitura.

“O programa é uma mudança de paradigma no enfrentamento da drogadição porque tira o foco da droga e passa para o usuário, investindo em igualdade social”, afirma Temer. Nesse sentido, cerca de 700 atendimentos odontológicos foram realizados para aumentar a autoestima e as chances profissionais dessas pessoas. Ao mesmo tempo, 59 casos de tuberculose foram diagnosticados.

Além disso, 89 pessoas foram retiradas das ruas e, hoje, são atendidas nos Caps, enquanto dez adolescentes e cinco adultos encontraram abrigo em Unidades de Acolhimento do centro e outros 22 em moradias da cidade.

“Muitos criticam a prefeitura por dar emprego ao usuário e vê-lo gastar parte de seu salário com droga”, conta Temer. “Mas, quando o acompanhamos, vemos que o consumo caiu drasticamente e que a droga que antes era obtida por furto ou roubo, hoje, é comprada. Isso é extremamente importante.”

Para ela, o programa mostra que a única saída para a drogadição é devolver a dignidade da pessoa através de acesso a direitos básicos, como moradia, saúde e trabalho.

Atualmente, as subprefeituras paulistanas estão desenvolvendo uma pesquisa sobre o consumo de drogas para dirigir as ações de prevenção e tratamento de acordo com as necessidades locais. Ao mesmo tempo, diversas prefeituras brasileiras têm visitado São Paulo na tentativa de replicar o programa. “Muitas cidades pequenas já têm nos procurado e temos compartilhado nossa experiência. Sem dúvida nenhuma, é possível replicar o programa nessas cidades, apesar de suas dificuldades orçamentárias e de falta de profissionais”, afirma.

Fonte: Carta Capital

Como desapegar de um relacionamento que acabou?

Por Thatu Nunes,

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Hoje eu resolvi dar algumas dicas práticas de como desapegar de um relacionamento que acabou. Para obter sucesso nesta empreitada, é preciso termos em mente que a cada recaída, seja em qual fase for, temos que voltar do zero.

primeiro passo é muito importante, pois é o mais escorregadio. Se ele não for bem executado, certeza que ele vai ferrar com os demais em algum momento do processo:

A esperança é a última que morre. Mas morre!

A máxima “A esperança é a última que morre”, deve ter surgido de alguém que terminou uma relação.

Afinal, muitas das vezes, sofremos de amor perdido justamente porque não matamos a tal da esperança de que, de alguma forma a pessoa vá mudar, voltar atrás, se transformar, morfar, algo assim bem miraculoso, inclusive.

Portanto, o primeiro passo é entender e aceitar que acabou, que é melhor seguir em frente, QUE NÃO DÁ MAIS! E PONTO FINAL! (com exclamação, neste caso)

Sendo assim, é a hora que mais dói, pois vão haver coincidências, acontecimentos e até mesmo pessoas querendo ajudar, que vão nos encher de esperanças, nos fazer crer que agora algo mudou, que ele quer voltar, que a outra pessoa é só um rompante, mas logo volta, etc. No entanto, para que você consiga se desapegar, é necessário aceitar que acabou e que não há mais volta.

segundo passo é nossa famosa “autossabotagem” em ação. Ela vai nos dar desculpas para que voltemos a sentir a esperança e, para vencermos ambas, temos que ser fortes e romper o ciclo vicioso:

“Eu já estava acostumada a ter alguém”

Ok! É realmente verdade que nos habituamos com a vida a dois e quando saímos da relação tudo parece estranho, fora de ordem, etc.

Mas acabou, então, esta é sua nova vida. A vida sem a pessoa. A vida agora é você cuidando de você mesma(o)!

Trocando em analogias, usar esta desculpa para não encarar a nova realidade, seria como ser convidada a morar na Europa com tudo pago, mas não aceitar porque está acostumada a morar no kitnet na zona periférica da cidade.

Então, respire fundo e encare a nova fase com a maior positividade possível.

Repare que o terceiro passo também é pura “autossabotagem”. É mais uma desculpa, como no segundo passo, para resgatar a maldita esperança que ainda esperneia tentando respirar em nós:

“Minhas amigas todas namoram e eu sou a única que ficou solteira agora”

Para esta desculpa, valeria um ditado de mãe que todo mundo conhece: “Se sua amiga se jogasse num precipício, você iria se jogar também?” (risos)

Mas, falando sério, o fato das amigas estarem namorando e você ficar solteira é um saco mesmo. Não ter com quem sair para paquerar é chato, é desanimador.

Porém, para esta sua fase de desapego, acredite, pode ser a melhor coisa que você tem! Sim, amigas que namoram/são casadas, vão se compadecer de seu momento e te ouvir, te acolher. Por outro lado, estando com elas, você evita de entrar na tão comum fase de “sem noçãozice”. Aquela fase onde quem terminou namoro fica postando asneiras na rede social tentando provocar o outro, ao mesmo tempo que tenta chamar atenção de outras pessoas, ao mesmo tempo que tenta desabafar, etc e nas baladas bebe e pega tudo e todos sem critério “para provar que está bem”.

Agora, o quarto passo, que é um momento importante de reestruturação:

“Tínhamos planos e até uma poupança juntos”

Planos se renovam junto com as novas situações da vida. Isso vai servir para quando você estiver solteira, casada, tendo filhos, mudando de casa etc. Temos que ser resilientes: saber se adaptar a cada situação da vida.

No mais, os bens materiais dividem-se. Às vezes compensa até abrir mão de alguns em prol da sua paz.

Agora é hora de dar o quinto passo. Talvez, um dos passos mais gostosos, até aqui:

“Não sei mais paquerar, nem ser paquerada”

Normal! Eu também não sabia quando fiquei viúva. Mas confie em sua intuição, se solte aos poucos, sinta-se à vontade e permita-se paquerar e ser paquerada. No começo vai ser meio travada, mas depois a coisa anda e você arrasa!

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Hum… Agora, o sexto passo. Aquele onde você vai ser posta à prova:

“Meu ex ainda me liga e eu sempre acabo saindo com ele”

Aquele misto de “Ain… Será que desta vez, ele percebeu que me ama?” com “Certeza que só tá me ligando porque não tem ninguém pra transar”, mas que dá um fogo e ao mesmo tempo faz crescer a autoestima, né?

Pois é! Mas é por trazer esta sensação tão aparentemente boa é que é tão perigosa esta fase. É igual droga viciante: dá aquela sensação ótima, mas depois, se tentarmos parar, nos faz dependentes, nos faz ser um lixo humano, causa abstinência etc, ou seja, se cair nessa volte ao primeiro passo.

Agora vem o sétimo passo. E também não será nada fácil:

“Tudo o que faço me lembra ele”

Claro! Nos últimos tempos, tudo o que você fez foi: com a pessoa, para a pessoa, em função da pessoa. Afinal, vocês estavam em uma relação.

No entanto, agora é hora de, ao contrário do que dizem todos os outros tutoriais para praticar o desapego, ir nos mesmos lugares onde iam juntos, só que agora sem ele, com amigos novos, sozinha, o que for, mas para criar novas memórias para estes lugares, de forma que não sejam mais referências à sua vida a dois, mas à sua vida nova.

No oitavo passo, você vai exercitar o salto alto:

“Ele já está com outra e eu não suporto vê-los”

Lembra dali do sétimo passo? Ir onde vocês dois iam juntos, mas agora sozinha, com amigos? Ok. Entendido. Mas esta regra não vale para: ir onde a pessoa está com outra. Nunca! E se for, saia, vá embora, corra, fuja. Nada de se martirizar, provocar, criar situações, brigar, tirar satisfações.

Afinal, se ele está com outra, uma das duas regras se aplica:

1.      se ele está com outra pra lhe fazer ciúme, caia fora. Este cara não lhe serve! Porque um homem que te  expõe pra fazer jogos, não lhe respeita como mulher e nem confia em sua capacidade de conversar, além de ser um tremendo imaturo!

2.      se ele está com outra porque está a fim dela, pior ainda! Meu! E você ainda vai ficar babando ovo dele? Parou, né?

Finalmente, o nono passo. Aquele onde você valoriza seu material:

Cuide de sua aparência e da compostura

Seja linda, pense linda, aja linda. Exale sensualidade com alegria. Seja o centro das atenções sem ser a boba da corte nem a brega da festa. Saiba dosar charme com diversão e faça com que todos deleitem-se de sua presença, seja lá qual for o interesse deles e delas. Seja a melhor companhia possível para amigos e amigas, sempre! Isto vai te fazer bem em TODOS os âmbitos da vida.

Aprenda a falar de si como merece, no décimo passo:

Não se defina como a ex de fulano de tal

Você é: VOCÊ! E é isso, apenas isso e pronto! Não tente se definir pelo que você era enquanto estavam juntos, pelo contrário, defina-se pelo que você é. Encontre seu lugar!

Estas são minhas 10 dicas de hoje para dar menos importância a um amor perdido.

E a dica bônus, abaixo:

Não dê importância ao que não lhe é realmente importante e muito menos ao que lhe  parece importante mas não deveria te importar.

Fonte: Entre Todas As Coisas

A água, os ricos e os pobres…

Por Cesar Mangolin,

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desses uma jornalista estrangeira perguntava por qual razão a cidade de São Paulo passava por uma crise de abastacimento de água tendo um grande rio que a cortava… Mal sabia ela que o tal rio é, na verdade, mais uma produção dos vinte anos de tucanagem paulista, mais os anos do quercismo e do malufismo…

O Tietê poderia, de fato, auxiliar bastante na crise, não fosse apenas um belo rio de merda e lixo que custou bilhões ao cofres públicos. Muito dinheiro foi jogado ali com projetos furados de despoluição. Lembro ainda das propagandas do Picolé de Chuchu (o “Alckminho” bicudo) prometendo um rio limpo até 2016, apto para a natação, a navegação e para a pesca! Passado esse tempo e alguns bilhões depois, qualquer um pode perceber apenas pelo cheiro que nadar ali não é recomendável, que navegam no rio apenas as garrafas pet e lixo de todo tipo e que o único peixe encontrado é o famoso “bagre cego”, ou o popular japonês “toroço”.

Fora o bombeamento de esgoto do Pinheiros para a Billings! O Alckiminho Bicudo chamou recentemente a Billings de “caixa d’agua de São Paulo”, a salvadora da pátria! Passei com minha família na segunda-feira pela região em que se encontram o Pinheiros e a Billings e de onde o tal bombeamento é feito. Fica bem no final da Marginal Pinheiros, vai até a região por trás do autódromo de Interlagos e até a Estrada do Alvarenga, que liga São Paulo a Diadema e São Bernardo. Em toda essa região, densamente populosa, parecíamos envoltos numa nuvem de bosta pura, tal o cheiro que cobria todo o espaço!

Mas mesmo que tucano tente até culpar São Pedro por suas irresponsabilidades, o fato mesmo é que a tal crise se deve à ausência de planejamento, não somente da interligação das bacias que servem toda a região metropolitana, mas pela permissão e, por vezes, até pelo estímulo ao desmatamento, à ocupação indevida de terras próximas a rios e represas, a destruição de matas ciliares, a substituição de mata nativa por eucalipto e uso privado da água de rios, desviados de seus cursos naturais. Ainda temos a privatização parcial da Sabesp, que explica em parte o problema, afinal a lucratividade foi alçada como objetivo da empresa, não o serviço público…

E que fique bem claro que a culpa disso não é do povão que ocupa essas áreas para que possam erguer ali qualquer coisa que lhes sirva de abrigo um dia após o outro. Na beira da Billings e da Guarapiranga é possível ver várias mansões construídas com fundo na represa… Terrenos imensos, com a mata devidamente derrubada, trazendo prejuízo para a fauna da região e, sem dúvida, contribuindo para a (im)possibilidade das chuvas…Irregulares da mesma forma que os barracos dos mais pobres, essas casonas não são jamais questionadas… Pode ser porque o esgoto que mandam diretamente para a represa contém restos de vinhos caros e comidas chics… Merda deve ser qualificada também!

Aliás, os setores médios mais abastados não têm sofrido em nada a tal crise hídrica. Possuem dinheiro para os carros-pipa e para a água mineral entregue em casa. É por isso que se voltam como cães contra o governo federal e não percebem o que ocorre bem debaixo de seus narizes. Talvez o hábito em sentir o cheiro ruim tenha lhes prejudicado o faro de vira-latas. Se existe algo democrático e de acesso a todos em São Paulo é, sem dúvida, o fedor! Tem até codomínio irregular que desvia curso de rio para tornar a vida mais aprazível para a classe média cor-de-rosa. Ainda que esse rio seja importante afluente para o abastecimento de Campinas e região.

(quem quiser ver melhor essa loucura que ocorre num terreno irregular e sem autorização da Cetesb etc, veja:http://www.contextolivre.com.br/2015/02/veneza-paulista-privatiza-rio-e-oferece.html?utm_medium=facebook&utm_source=twitterfeed ).

Mas os mais pobres, além de não possuírem o dinheiro para comprar água e nem casa na Veneza brasileira, também sofrem (por causa da mesma ausência de planejamento e política pública da tucanagem) com os alagamentos, com as torneiras secas, com água com doses extras de coliformes fecais, mais conhecidos popularmente como merda mesmo. São eles que ficam na linha do trem à beira do Pinheiros, admirando uma bela vista, mas sem condições de respirar e com muito medo de que os ratos imensos que habitam ali resolvam subir à plataforma… Quando ocupam irregularmente uma área para viver, assim como fizeram os que quiseram reconstruir uma Veneza “à brasileira”, são despejados violentamente pela polícia fascistóide do Alckiminho Bicudo, o boca-mole.

Todo o dinheiro gasto não mereceria uma boa investigação??? Garanto que só no Tietê já se gastou mais que o apurado com a corrupção na Petrobras, que é histórica. Isso mereceria um processo de “impeachment”, isso é crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Pena que a reaçada e a esquerda infantil está apenas preocupada em ferrar com o PT… Vai lá, coxinha, fazer passeata pelo impeachment da Dilma enquanto toma um belo suco de merda da torneira.

Fonte: Cesar Mangolin

Ainda há carnaval?

Por Roberto da Matta,

carinha_colunista_roberto_damattaPara Monica Bergamo, Ricardo Boechat e Fernando Mitre, que trouxeram de volta o assunto.

“Acho que vocês o enterram!” Assim falou meu velho amigo Richard Moneygrand nesta última “terça-feira gorda”. O famoso brasilianista de primeira hora dissertava que o “velho mardi gras” era uma festa em extinção no Brasil.

De onde você tirou essa ideia? Questionei o amigo, que estava no Rio sem a esposa, tomando um drinque na pérgola do Copacabana Palace enquanto esperava Daiene — uma bela morena de olhos verdes que se preparava para fazer uma sauna “a fim de estar renovada para se esbaldar à noite”.

Eu olhava assombrado, enquanto Dick, com seus oitenta e tantos anos sorria o seu meio sorriso ianque-malandro e dizia, batendo no meu braço: “Brincar carnaval com a esposa (no meu caso, a sétima ou a nona, não me lembro mais — who cares?) é, como você mesmo me ensinou, — remember? — levar um sanduíche de mortadela para um banquete.”

“Caro amigo — continuou — nos seus estudos pioneiros do carnaval, você tem uma tese forte: o carnaval seria um ritual — uma cena fixada para ser repetida — dinamizado pela igualdade substantiva de todos perante todos; e não pelo igualitarismo político burguês ou liberal de todos perante a lei. Trata-se de uma festa em que a ênfase no corpo mascarado, nu ou fantasiado dos participantes desnuda, num desabafo, um sistema hierarquizado, aristocrático e legalisticamente autoritário. Uma sociedade familística e alérgica a qualquer forma de equidade precisa de um suspiro de igualdade e individualismo. O ideal carnavalesco de ter una licença limitada para “fazer tudo”, até mesmo competir, só ganha essa força porque vocês, sendo católicos, marcam com o excesso os últimos dias do Advento, o qual vai se abrir para a Quaresma e para a Semana Santa. O nascimento do Cristo, por contraste com a sua paixão e ressurreição, são dinamizados pela igualdade festiva da carne e pelas cinzas humildes da disciplina dos tempos onde os santos se cobrem de roxo. Antes, porém, de abandonar (levar, no velho latim) a carne (cerne-vale); permite-se a bagunça de exagerar o seu uso. Antes do luto cinzento, o mel brilhante viscoso e ardente da carne.

Hierarquia, subordinação, obediência, escravidão e trabalho como castigo somem. A aversão absoluta à igualdade da rotina é subvertida pelo direito de não trabalhar e pela permissão ritualizada para agredir simbolicamente os outros. Sobretudo os superiores, com desfiles surrealistas e, antigamente, com bolas de cera cheias de liquido perfumado, água ou urina. Esse era o barato do carnaval. Até o imperador Pedro II foi atingido e seus puxa-sacos, mais onipresentes que o próprio Entrudo, aconselharam-no a não ir à rua naquele período.

Mas mesmo em casa, lembrou Moneygrand, vocês fabricavam uma batalha simulada contra parentes, criados e vizinhos. Em suma, a sociedade via o outro como igual ou um afim — como um fornecedor de mulheres, amantes e namoradas, daí a razão de não se levar a esposa para uma festa e de “soltar” as próprias irmãs, igualmente livres no pacto geral de “esquecer” as normas da cortesia e do cada qual no seu lugar! A “feminização do mundo” que coliga, como você disse num livro, substituía a obrigatória sisudez masculina que separa.

Lembro uma história. Uma namorada diz a um apaixonado a regra básica do carnaval: brincar separado! O rapazinho, burguês, não queria entender o prenúncio do fim de uma lealdade casmurra, esperada pelos homens de suas mulheres e imediatamente percebeu que o ter direito a “estar separado” era uma norma a ser igualmente desfrutada pelas mulheres. Use ao menos uma máscara! Retruca o jovem, assim você pode ser vista como uma outra pessoa, sem correr o risco de ser você mesma.

Se o centro do carnaval era celebrar abertamente a malandragem e a esbórnia do igualitário, relativizando o luxo dos aristocratas e o poder de impunidade dos poderosos, teria isso algum valor festivo no Brasil de hoje?

Atualmente, falou o velho brasilianista um tanto serio, ocorre um escândalo carnavalesco todos os dias. O governo, mascarado, mente carnavalescamente. Acabou-se o riso alegre dos papéis invertidos. Hoje, o guardião dos recursos públicos é o primeiro a roubá-los. O dinheiro do povo é posto aos bilhões em bancos estrangeiros. Virou uma rotina a afinidade predatória do Estado para com a sociedade. Se não há mais ordem, como — pergunto eu — viver uma festa da desordem? O carnaval tornou-se banal, medíocre, trivial e diário.

Se o escândalo público e a ausência de punição são triviais, se os criminosos tornam-se heróis e, no máximo, transformam-se em máscaras carnavalescas, eu questiono: ainda há carnaval?

Fonte: O Globo

A competitividade e a competência de Lais Souza – revelar-se gay !

lais-souza-ginasticaA ginasta Lais Souza revelou à revista “TPM” que é gay. A entrevista virou machete de dezenas de sites pelo país nesta terça (10), mas não deveria ser encarado como uma notícia bombástica. O que uma pessoa faz na cama, deveria ser assunto apenas para ela e seus parceiros.

Mas enquanto não chegamos a esse patamar, o fato de esse assunto estampar o noticiário pelo Brasil afora pode até ser comemorado. Explico: até pouco tempo atrás, era impensável para um atleta sair do armário. Hoje, nomes consagrados podem tentar viver suas vidas abertamente, namorar quem quiserem e continuarem a serem respeitadas no trabalho que fazem —claro que lidando com a curiosidade e a não aceitação de muitas pessoas. Afinal, sair do armário ainda é notícia.

Laís não está na ativa em competições por causa do acidente sofrido enquanto esquiava para se preparar para os Jogos de Inverno, mas continua ligada ao esporte e recebe atenção da mídia o tempo todo. Já Larissa, do vôlei de praia, por exemplo, compete, tem chances de chegar à Olimpíada de 2016 e não esconde mais sua sexualidade.

Segundo o site OutSports.com, 109 pessoas do mundo esportivo assumiram publicamente a homossexualidade em 2014, entre atletas profissionais e amadores, técnicos, árbitros, cartolas e jornalistas.

O único brasileiro é Ian Matos, dos saltos ornamentais. Quarto colocado no trampolim de 3 metros sincronizado ao lado de César Castro no Pan de 2011, ele diz ter assumido para mostrar que é possível “ser gay e ser feliz”. Matos contou já ter sofrido preconceito dos colegas durante as competições. Antes de tomar essa decisão, havia sido aconselhado a esperar os Jogos do Rio, em 2016.

Na lista do OutSports está também o ex-nadador australiano Ian Thorpe, que teve problemas psicológicos que afetaram toda sua curta carreira, parte deles por não ser sentir seguro para assumir quem era.

No Brasil, ainda é muito raro atletas saírem do armário com tranquilidade. Em 1999, o ex-jogador de vôlei Lilico revelou ser gay e reclamou de preconceito. Ele dizia que sua homossexualidade havia lhe fechado portas na seleção —Lilico foi vice-campeão mundial juvenil e figurava como um dos maiores pontuadores da Superliga antes dos Jogos de Sydney-2000. O ex-jogador deixou as quadras em 2005 e morreu em 2007, aos 30 anos, vítima de um AVC.

Em 2011, Michael, do Vôlei Futuro, também tornou público o que seus colegas de esporte já sabiam havia muito tempo. Em um jogo contra o Cruzeiro, o atleta foi vítima de gritos preconceituosos da torcida mineira e respondeu assumindo sua homossexualidade.

“Não quero ser um símbolo. Só quero contribuir para que isso não aconteça de novo. Acho que vai acontecer, mas, pelo menos, dei um primeiro passo”, disse à Folha de S. Paulo à época.

Nos EUA, atletas das principais ligas do país têm conseguido sair do armário, atrair atenção e apoio. Mas continuar a praticar esportes após a revelação não tem se mostrado tarefa fácil.

O pioneiro foi Jason Colins, da NBA, primeiro atleta de uma das quatro grandes ligas norte-americanas (NBA, NFL, MLB e MLS) a dizer publicamente que era gay.

Em 2013, Collins não tinha contrato quando fez o anúncio e continuou assim até assinar um acordo temporário de apenas dez dias com o Brooklyn Nets. Após a estreia, sua camisa se tornou a mais vendida da NBA.

O ex-jogador, depois, acabou atuando durante toda a temporada e viu a atenção da mídia diminuir. Como ele mesmo disse, passada a curiosidade inicial, voltou a ser o que sempre foi, apenas um jogador de basquete mediano. Collins parou em seguida.

Ainda em 2014, Michael Sam foi draftado pelo St. Louis Rams para jogar na NFL mesmo após ter dito publicamente ser homossexual. Ele se tornou o primeiro gay assumido a jogar pela liga de futebol americano. O vídeo com sua reação ao receber a notícia do draft virou hit.

Sua entrada na elite do futebol americano foi aplaudida por muitos, mas também recebeu diversas críticas, com protestos raivosos de torcedores e reportagens sobre colegas “apreensivos” por terem de tomar banho ao lado dele no vestiário.

Exatamente um ano após se tornar sensação, Sam está desempregado. Ele foi cortado pelo St. Louis, em agosto, e pelo Dallas Cowboys, em outubro. Ainda treina em Dallas à espera de uma proposta, que muitos acreditam não virá. Seus ex-times justificaram a dispensa como técnica, mas a mídia norte-americana especula que o real motivo teria sido homofobia. Sam não é um atleta excepcional, mas jogadores piores do que ele já receberam propostas antes. Ele foi convidado para jogar pelo Montreal Alouettes, da liga canadense, mas ainda sonha em atuar na NFL.

Outro pioneiro que parece ter tido mais sorte é Robbie Rogers, do Los Angeles Galaxy, primeiro gay assumido a jogar futebol profissional nos EUA. O jogador chegou a anunciar a aposentadoria quando saiu do armário, mas voltou atrás e foi bem recebido pelos colegas, inclusive por um dos maiores astros do esporte do país, Landon Donovan.

Em recente visita à Casa Branca, Rogers recebeu elogios do presidente Barack Obama: “Você tem inspirado muitos caras aqui nos EUA e no mundo todo. Estamos orgulhosos de você”. O Galaxy ganhou o campeonato nacional com Rogers no time.

É praticamente impossível imaginar isso no Brasil. Muitos jogadores “pernas de pau”, “mascarados” ou “mercenários” não despertaram tanta raiva na torcida quanto Richarlyson, por exemplo. Diversas vezes, o jogador declarou ser heterossexual e mesmo assim continuou a sofrer ofensas de rivais e de torcedores dos próprios clubes em que jogou —torcidas organizadas do São Paulo, por exemplo, não gritavam seu nome. Tudo porque, para essa parcela dos fãs, ele parece gay. Emerson, do Corinthians, também foi hostilizado por ter dado um selinho em um amigo.

Para torcedores, jogadores e cartolas retrógradas do futebol brasileiro, um atleta tem que “parecer macho” ou ofenderá o manto sagrado do time. Assim, para os homossexuais, é “mais fácil” esconder sua sexualidade do que encarar o preconceito e as agressões de fãs e colegas e correr o risco de ficar sem emprego. E essa situação não se restringe apenas ao universo do futebol. O sofrimento é o mesmo em muitos outros esportes.

É por isso que o fato de Laís poder falar abertamente sobre suas opções é uma boa notícia. Pena que ainda existam poucas Laíses.

Fonte: Carta Capital

Destina-se a introduzir o leitor para vozes e perspectivas de outras "mídias". A missão é conectar pontos deslocados pela mídia e dar luz.