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Natal: ver e viver com os olhos do coração

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Por Leonardo Boff,

tumblr_mkeanuEIWV1r2pr83o1_400Somos obrigados a viver num mundo onde a mercadoria é o objeto mais explícito do desejo de crianças e de adultos. A mercadoria tem que ter brilho e magia, senão ninguém a compra. Ela fala mais para os olhos cobiçosos do que para o coração amoroso. É dentro desta dinâmica que se inscreve a figura do Papai Noel. Ele é a elaboração comercial de São Nicolau ¿ Santa Claus – cuja festa se celebra no dia 6 de dezembro. Era bispo, nascido no ano 281 na atual Turquia. Herdou da família importante fortuna. Na época de Natal saia vestido de bispo, todo vermelho, usava um bastão e um saco com os presentes para as crianças. Entregava-os com um bilhetinho dizendo que vinham do Menino Jesus.

Santa Claus deu origem ao atual Papai Noel, criação de um cartunista norte-americano Thomas Nast em 1886, posteriormente divulgado pela Coca-Cola já que nesta época de frio caía muito seu consumo. A imagem do bom velhinho com roupa vermelha e saco nas costas, bonachão, dando bons conselhos às crianças e entregando-lhes presentes é a figura predominante nas ruas e nas lojas em tempo de Natal. Sua pátria de nascimento teria sido a Lapônia na Finlândia, onde há muita neve, elfos, duendes e gnomos e onde as pessoa se movimentam em trenós puxados por renas.

Papai Noel existe? Esta foi a pergunta que Virgínia, menina de 8 anos, fez a seu pai. Este lhe respondeu:¿Escreva ao editor do jornal local! Se ele disser que existe, então ele existe de fato¿. Foi o que ela fez. Recebeu esta breve e bela resposta:

Sim, Virgínia, Papai Noel existe. Isto é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção. E você sabe que tudo isto existe de verdade, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Como seria triste o mundo se não houvesse o Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virgínias como você. Não haveria fé das crianças, nem a poesia e a fantasia que tornam nossa existência leve e bonita. Mas para isso temos que aprender a ver com os olhos do coração e do amor. Então percebemos que não há nenhum sinal de que o Papai Noel não exista. Se existe o Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá sempre que houver crianças grandes e pequenas que aprenderam a ver com os olhos do coração.

É o que mais nos falta hoje: a capacidade de resgatar a imaginação criadora para projetar melhores mundos e ver com o coração. Se isso existisse, não haveria tanta violência, nem crianças abandonadas nem o sofrimento da Mãe Terra devastada.

Para os cristãos vale a figura do menino Jesus que tirita sobre as palhinhas sendo aquecido pelo bafo do boi e do jumento. Disseram-me que ele misteriosamente através de um dos anjos que cantaram nos campos de Belém enviou a todas as crianças do mundo uma cartãozinho de Natal no qual dizia:

Queridos irmãozinhos e irmãzinhas:

Se vocês olhando o presépio e me virem aí, sabendo pelo coração que sou o Deus-criança que não veio para julgar mas para estar, alegre, com todos vocês,

Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas, especialmente no mais pobrezinhos, a minha presença neles,

Se vocês conseguirem fazer renascer a criança escondida no seus pais e nos adultoss para que surja nelas o amor a ternura,

Se vocês ao olharem para o presépio perceberem que estou quase nuzinho e lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e mal vestidas e sofrerem no fundo do coração por esta situação desumana e desejarem que ela mude de fato,

Se vocês ao verem a vaca, o boi, as ovelhas, os cabritos, os cães, os camelos e o elefante pensarem que o universo inteiro recebe meu amor e minha luz e que todos, estrelas, pedras, árvores, animais e humanos formamos a grande Casa de Deus,

Se vocês olharem para o alto e virem a estrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma estrela sobre vocês, acompanho-os, iluminando-os, mostrando-lhes os melhores caminhos,

Então saibam que eu estou chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia que só Deus sabe quando estaremos todos juntos na Casa de nosso Pai e de nossa Mãe de bondade para vivermos bem felizes para sempre.

Fonte: Carta Maior

Jovens – o casamento não é pra vocês

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Adorei essa afirmação de Elisabeth Gilbert. Eu apenas trocaria “jovens” por “imaturos”. Normalmente juventude e imaturidade caminham juntas, mas nem todo envelhecimento traz uma inevitável maturidade.

Casamento não foi feito para imaturos. Explico.

Não há nada mais contraditório, esquisito e cheio de descaminhos terrivelmente lindos que uma união duradoura. Amamos e lidamos com o medo simultaneamente, nos debatemos com a insegurança e o temor por não conseguir atingir nossos sonhos. Tudo isso no meio de uma trajetória de amor. Não é de espantar que tantas pessoas se separam por não saber administrar a própria vida no percurso de um relacionamento.

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O que a imaturidade cultiva – o imediatismo, a reatividade (toma lá, dá cá), o egocentrismo e o exclusivismo – são inimigos da parceria amorosa e da sabedoria necessária para lidar com pressões internas e externas constantes. As pessoas mal cuidam de si mesmas, como imaginar que teriam energia para cuidar da pessoa amada.

Esses descompassos do relacionamento amoroso implicam em uma capacidade de suportar o sentimento contraditório de se perceber necessário, mas em última instância dispensável. Sim, somos dispensáveis na vida da pessoa amada, sobrevivemos sem ela, ou seja, se estamos é por escolha e não obrigação.

Para os que não conseguem lidar com a realidade de que o outro não é escravo de nossas vontades, o relacionamento é uma tortura constante. Ter que lidar com o risco de não ser amado e ainda assim sorrir, viver ao lado, apostar sem garantia é para os gênios. De modo geral, somos preguiçosos, queremos tudo de mão beijada, além de garantias de eternidade e imutabilidade que ninguém pode dar para ninguém.

O amor, se encarado como um investimento, é dos mais arriscados e por isso quem tem estômago fraco ou se chateia por qualquer coisa deveria entender que o jogo não é para todos. Mas de modo geral não temos humildade de admitir que somos prepotentes e iludidos demais para recuar ou esperar para apostar numa felicidade madura. Na maior parte das vezes todo mundo quer apostar numa cerimônia rápida para garantir a possibilidade de família e filhos. Normalmente a troco da paz de espírito da relação.

Relacionamento amoroso é uma plantação que se colhe frutos mais saborosos a longo prazo. Há que se ter paciência, não é semeadura para quem adora dizer que quer “tudo para ontem”.

Se você realmente acha que está preparado para essa jornada, não espere respostas certas, percurso linear, preto no branco e promessas cumpridas. É preciso abrir espaço para contradição, loucura, estranhamento, falta de sincronia e uma dose de infelicidade. Se espera a vida perfeita então talvez seja interessante fazer como algumas pessoas no Japão que preferem conviver com um robô.

Com humanos, que você é também, inevitavelmente deve se preparar para se desapontar, sem nenhum pessimismo nisso, mas apenas a consciência dessa beleza no descaminho, pois é na curva errada que fazemos que nos confrontamos com nossa coragem e heroísmo também.

Fonte: Sobre A Vida

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Sexo Oral: o novo ambiente do HPV (papilomavirus humano), um causador de diversos tipos de câncer.

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worriedUm estudo realizado no Canadá mostra que a infecção por HPV (papilomavírus humano) pode ser mais frequente em homens que fumam, e também entre os que têm múltiplas parceiras sexuais.

O trabalho, realizado pela Universidade McGill e publicado na revista da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer, ainda descobriu que o HPV oral é mais frequente em homens cujas parceiras têm o vírus na região da boca e garganta ou genital. Isso confirma a tese de que o HPV pode ser transmitido por via oral-genital e também oral-oral.

O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais prevalentes do mundo, e constitui um fator de risco para diversos tipos de câncer, como de colo de útero, anal, vaginal, peniano e orofaríngeo.

Uma equipe liderada pelo professor de epidemiologia Eduardo Franco analisou dados de 222 homens entre 18 e 24 anos e suas parceiras. No total, a prevalência de HPV foi de 7,2%.

Mas os números foram maiores para os homens fumantes (12,2%), os que estavam em relacionamentos não monogâmicos (17,9%) e os que tinham um parceiro com infecção oral por HPV (28,6%) e/ou genital (11,5%).

A prevalência do HPV 16, um dos tipos mais associados ao câncer, foi de 2,3% entre todos os homens que participaram do estudo, e de 6,1% entre os 33 homens que tinham parceiras com uma infecção genital HPV 16.

Para cada aumento de unidade na frequência de sexo oral na parceira (nunca/raramente, às vezes, e maioria das vezes/sempre), a prevalência do tipo de HPV presente nos genitais das parceiras era mais de duas vezes maior.

Nenhuma infecção foi detectada entre os homens que nunca fumaram, estavam em um relacionamento monogâmico e tinham uma parceira sem HPV. A relação com o tabagismo provavelmente tem a ver com o fato de que o cigarro deixa as mucosas mais sensíveis e suscetíveis ao vírus.

Fonte: Blog do Jairo Bouer

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O escândalo da Petrobras: “veja” informações sobre a Graça Foster, presidente da Estatal, que a grande imprensa não vai publicar

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image146-450x600Você se informa melhor nas redes sociais no que na grande mídia em muitos assuntos.

Este é um fato da Era Digital.

Tente achar na Folha, na Globo ou onde for um perfil que ajude você a conhecer melhor a personagem que está no centro dos holofotes: Graça Foster, presidente da Petrobras.

Nada.

Gosto de citar uma das missões mais nobres do jornalismo: jogar luzes onde há sombras. Mas as grandes empresas jornalísticas, movidas por seus interesses políticos e sobretudo econômicos, fazem rotineiramente o oposto: acrescentam sombras onde já as há.

Para conhecer melhor Graça Foster encontrei, ao pesquisar a Petrobras no Twitter, uma “conversa” entre Leilane Neubarth, da Globonews, e a jornalista Renata Victal.

Regina trabalhou na Petrobras três anos e meio, e conta que conheceu Graça há mais de vinte, “quando nem gerente era”.

A conversa se iniciou quando Leilane anunciou, no Twitter, que ia entrevistar Venina Velosa da Fonseca, “uma brasileira digna de respeito, que nos enche de orgulho”.

Renata cumprimentou Leilane. “Parabéns pelo trabalho, Leilane. A Petrobras deve explicações”, escreveu Renata.

Repare: ela estava cumprimentando Leilane.

Um tuiteiro chamado Oldon Machado entrou na conversa. “Não seria o caso de aprofundar o trabalho investigativo do Valor antes de comprar “heróis”? Calma, imprensa.”

Este tuite deveria estar pendurado em toda redação. O senador Demóstenes não teria sido tratado como herói se o conselho despretensioso de Oldon Machado fosse seguido.

Renata achou que devia explicações, embora a observação fosse a Leilane. “Não compro herói, nem acho que a Graça tem culpa. Muito pelo contrário. A conheço bem e sei que é honesta.”

Terminado o espaço de 140 caracteres, ela continuou: “Apenas acho que a denunciante também tem seu valor e coragem. Quem trabalha ou já trabalhou na Petrobras sabe …”

Renata, veja, reconheceu o “valor e a coragem” de Venina. “Como cidadãos, temos de cobrar a apuração dos fatos.”

Isto mostra um pensamento independente, dentro das atuais circunstâncias, e dá mais valor a seu depoimento.

Vou destacar algumas frases:

  • “Trabalhei com a Graça três anos, mas a conheço há uns vinte. Mais honesta não há.”
  • “Tenho certeza de que estas notícias estão aí, em parte, pelo trabalho da Graça, mulher íntegra e honesta.”
  • “Quem conhece confia. Eu seria a primeira pessoa a criticar se soubesse de algo. Não tô ganhando nada para defender ninguém.”
  • “Desde que assumiu, Graça Foster tem feito tudo para tirar a empresa do buraco e tapar o ralo por onde escoa o nosso dinheiro.”
  • “Aliás, não entendo por que tamanho silêncio. Ela tem como provar que está tapando esses ralos.”
  • “Nunca conheci pessoa que trabalhe mais e melhor que a Graça. Ela é determinada, tem o pensamento ágil e é honesta. Tem também bom coração.”
  • “Dei minha opinião sobre o caso Graça Foster-Petrobras porque não consegui ficar calada diante das coisas que tenho lido.”

É o chamado “outro lado”. Mas quem, na mídia, quer ouvir depoimentos como o de Renata Victal?

Quem conhece as redações de hoje sabe. Se um repórter chega aos editores com uma entrevista com alguém que diga coisas parecidas com o depoimento espontâneo e acidental de Renata Victal, corre um risco sério de ser despedido.

A pontapés.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

Guzmán: “Hoje a corrupção por agentes econômicos lícitos ou ilícitos é a mais perniciosa para a democracia e o cidadão”

O escândalo da Petrobras: se as Empresas citadas fossem punidas definitivamente o Brasil pararia.

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Situação pode gerar crise mundial como em 2008, diz secretário-geral da Associação Ibero Americana de Ministérios Públicos; punição a cartel da Lava Jato pararia o País

Guzmán: “Hoje a corrupção por agentes econômicos lícitos ou ilícitos é a mais perniciosa para a democracia e o cidadão”

Guzmán: “Hoje a corrupção por agentes econômicos lícitos ou ilícitos é a mais perniciosa para a democracia e o cidadão”

Vista a olho nu pelos brasileiros em fraudes na Petrobras e no Metrô de São Paulo, a face privada da corrupção costuma despertar reações menos iradas – quando desperta. Deveria, porém, escandalizar bem mais, na opinião do secretário-geral da Associação Ibero Americana de Ministérios Públicos (Aiamp), Jorge Chavarría Guzmán. “Hoje a corrupção por agentes econômicos lícitos ou ilícitos é a mais perniciosa para a democracia e o cidadão”, diz.

Guzmán é procurador-geral de Justiça da Costa Rica, país caribenho de 5 milhões de habitantes que sedia a Corte Interamericana de Direitos Humanos e, por decisão da própria, extinguiu há décadas as Forças Armadas, para evitar golpes. Esteve em Brasília na terça-feira 9 em uma conferência pelo Dia Mundial de Combate à Corrupção promovida pelo Ministério Público Federal (MPF). Deixou suas impressões em uma curta palestra e em uma rápida conversa com CartaCapital.

“Na origem da corrupção”, afirma Guzmán, “está o interesse em tirar vantagens econômicas”. Um fenômeno humano, fruto de “egoísmo e ambição”, cujo potencial de estrago alcançou níveis inéditos. “A corrupção promovida desde os membros das diretorias das empresas do setor imobiliário levou a uma crise mundial em 2008”, diz. Milhões de empregos sumiram desde então, e até hoje há países tentando recuperar-se economicamente.

O escândalo da Petrobras é um exemplo local da capacidade de a corrupção privada causar dano em larga escala. Se as empreiteiras metidas nas fraudes fossem punidas como aparentemente merecem, o Brasil pararia. Quase todas as grandes construtoras tiveram dirigentes denunciados criminalmente pelo MPF na quinta-feira 11: OAS, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Mendes Junior, Engevix, UTC. O grupo toca não apenas obras de refinarias petrolíferas suspeitas de superfaturamento. Está em projetos de diferentes setores por todo o País.

No início de dezembro, a Controladoria Geral da União (CGU) abriu processos administrativos contra as seis empreiteiras agora denunciadas e mais outras duas, Queiroz Galvão e Iesa. As apurações podem gerar desde multas até a proibição de as empresas assumirem novas obras. É improvável, no entanto, que tal proibição seja recomendada. E menos ainda que se proponha excluí-las de contratos públicos já em vigor. Em reuniões prévias na Casa Civil, o governo entendeu que era preciso punir as empreiteiras, não o País.

Em um encontro na segunda-feira 8 com a presidenta Dilma Rousseff, dirigentes das principais centrais sindicais reclamaram que em obras comandadas por empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato já estariam ocorrendo demissões e atraso de salários. Para os sindicalistas, a Petrobras deveria assumir os pagamentos.

O escândalo na estatal ilustra os malefícios da corrupção privada cometida por agentes lícitos. Mas há também casos praticados por agentes ilícitos, ou seja, criminosos. É o que acaba de se ver por exemplo no México, diz Jorge Guzmán. No fim de setembro, 43 estudantes desapareceram em uma das regiões mais pobres do país. Um mês depois, descobriu-se que foram assassinados por policiais e narcotraficantes. O mentor da chacina? Um prefeito (José Luis Abarca) e sua esposa (María de los Ángeles Pineda), segundo a Procuradoria de Justiça mexicana. O casal estaria no bolso do cartel das drogas. Abarca foi cassado e está preso com María desde o início de novembro.

Com um aparente ceticismo sobre as possibilidades de se combater corruptores privados, Guzmán aponta dois caminhos. O primeiro é acabar com um sentimento disseminado de impunidade. As polícias necessitam ser mais bem preparadas para investigar, as Procuradorias de Justiça precisam de independência, o Judiciário tem de julgar, doa a quem doer. Já o segundo… “Contra uma oferta de milhão de dólares, só o que lhe resta é o que o seu pai, o seu avô lhe ensinaram.”

Fonte: Carta Capital

Desculpa por não ter sido eu

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Os seus lábios tão secos e eu não consigo molhar, não é da minha saliva que você precisa, percebi isso ontem quando vi que você me beijava de olhos abertos. E depois veio um beijo na testa. Me desculpa por isso.

A gente nunca acerta a peça, você não gosta, não se comove, me contou que também não gosta de teatro, não sente a emoção rodeando a sala enquanto eu tremo, eu juro que tremo, a cada cena em que a protagonista grita desespero e abandono no monólogo. Você me jura que prefere não ficção e eu queria que fosse mentira. Não é, nunca foi, você me fez sentir como se eu fosse a atriz do palco, sentia nada rodeado por mim, não sei nem se chegou a sentir. É que eu sou ficção e você prefere outro tipo de companhia. Desculpa por isso também.

Sabe o que eu senti quando te conheci? Senti que talvez eu pudesse te fazer dar uns saltos, umas piruetas, te puxar pra dançar comigo e te perguntar no meio de um salão cheio de gente se você queria ser meu par. Cê não acha que eu sei dançar, não é mesmo? O problema pode ter sido esse, a gente pode ter insistido, eu posso não ter pisado no seu pé, mas você sentiu quando viu que não dava pra me conduzir. Não rolou. Nem a dança, nem a gente.

No domingo eu sou sua segunda-feira, eu peso, você retruca pra deixar pra lá, eu tento e você me diz que continua sentindo falta. Sente o buraco e ele vira abismo pra mim. Vira pro lado e mexe no cachorro, mexe no seu labrador e eu vejo o carinho, mexe nele e eu sinto como deveria ser. Não é. Eu te entendo, não sou eu.

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Não deu pra te ajudar nas madrugadas de terça porque você tava no cursinho e eu não entendo de matemática. Não deu pra encaixar a conchinha na cama porque você tem pavor de que te abracem no calor. Não rolou aquela viagem porque eu queria Oeste e você sempre ia pro Leste. Não deu pra curar alguma coisa aí dentro porque não era pra ser eu, não foi comigo que você encontrou algo pra preencher o vazio.

Mas é uma pena.

É uma pena porque eu realmente queria ter te levado prum deck às 18h em ponto, queria te mostrar meu pôr-do-sol preferido. Queria ter dito no jantar de 11 de setembro que não tem problema, que você tava seguro comigo mesmo que não fosse 2001. Queria ter te explicado que todo mundo tem sua tragédia pessoal e a sua eu faria questão de carregar contigo, seja o fardo ou a parte boa. Eu queria ter sido suficiente, e dói pra caramba escrever essa palavra. “Suficiente”, que eu já acho pouco, mas bastava. Nem isso. Não dava. Mesmo que eu acordasse cedo, mesmo que eu batalhasse, mesmo que eu dissesse que sim, eu aceito ir com calma. Não era eu. Você sabia que não era eu, nunca disse, tudo bem, nunca pediu desculpas por isso também.

Pessoas vêm e vão. O problema é o que fica. O problema é o que eu sinto com o que não fica.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Namorar ainda é melhor

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O conceito de namorada sempre foi muito importante pra mim. Pode ser que The Cure tenha culpa nisso, ou que eu tenha visto filmes demais. Meu psicólogo disse que pode ter sido o divórcio dos meus pais, meus amigos do poker dizem que pode ter sido minha insegurança com as apostas.

Não sei quem acertou, mas a verdade é que sempre me senti mais confortável sabendo onde eu estava pisando. Uma noite é uma noite, amor de carnaval é amor de carnaval e namoro é namoro. Quando se está solteiro as possibilidades são infinitas, você tem a oportunidade de conhecer um mundo a cada noite que sai. E é por isso que a ideia de namorar sempre teve tanto valor pra mim, eu queria alguém que, mesmo com tanta variedade me fizesse ter vontade de ficar.

Com você eu fico. Fico para um café ou pra vida toda, é só você me dizer. Não penso muito no tipo de relação que temos ou me importo que outros casais tenham rotinas menos alternativas que a nossa porque aproveito todo e qualquer segundo estando contigo. Não preciso me preocupar com o futuro quando você é o meu presente. O melhor presente que eu já ganhei.

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Outro dia você me disse que “Nada nunca foi convencional com a gente, meu bem” e isso é verdade. Já passamos de “amigos” há muito tempo e “namorados” parece não dar conta. Não tenho certeza se já inventaram um nome para o que nós somos.

Desde de que nos aproximamos eu percebi que o único rótulo que eu preciso é um que me prenda bem forte a você. O que eu procurava, por tanto tempo, em outras garotas já não procuro mais, declarações públicas e jantares a luz de vela de repente parecem clichês e sem emoção. Não quero ser padrão, quero ser seu.

Eu percebi que você, meu bem, não precisa ser minha namorada. Você só precisa ser, ponto. O que você for, se for comigo eu já basta pra mim porque, como eu disse, o conceito de namorada sempre foi muito importante para mim, mas você sempre foi muito mais.

Fonte: Entre Todas As Coisas

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