Todas as vezes que um sapo pula mais alto, há sempre uma serpente á sua espera. Na natureza é a lei da cadeia alimentar  é assim – um morre para o outro alimentar-se.

Na política e na sociedade é o preconceito e a defesa do interesse de classe. É cerceado o acesso do outro em detrimento dos interesses individuais e elitistas.

Um Promotor quer checar se o candidato a deputado federal, Tiririca, humorista conhecido no Brasil inteiro, sabe ler e escrever. Pela lei nenhum cidadão analfabeto pode candidatar a cargo político no País. Até aqui é correto. A lei nem sempre anda de mãos dada com a justiça. Porque não é justo afirmar que um analfabeto não levaria o seu ofício de representante popular a sério ou com lealdade e dignidade. Se fosse o contrário, como seria a sociedade brasileira com  quase 15 milhões de analfabetos?

Estes analfabetos que são os esteios de suas famílias, formaram doutores, médicos, professores e etc. E enquanto estes não emanciparam na vida, as suas representatividade por quase 21 anos foi liderada certamente por um  (a) analfabeto. Então, a fruta não está completamente podre, é possível alimentar-se dela e por ela buscar algo mais.

É fato que sempre quando alguém da poeira, das classes mais baixas, do fundo do poço emerge e ganha ascensão popular há uma avalanche de questionamentos e indeferimento. Foi assim com Clodovil e Frank Aguiar. Não foram questionados pelo analfabetismo, porque não eram, mas pela classe social em que ocupavam ou hora pela região onde moravam.

É preciso repetir o ditado sobre lei e justiça, agora de uma outra maneira: é a vez da justiça não dar as mãos à lei. O candidato Ney Santos, acusado de associação ao crime organizado não teve sua candidatura indeferida.  Neste caso a justiça involuntariamente pode permitir que ele seja eleito e se for provado sua associação, que o crime organizado tenha um representante no Congresso.

Os “Tiriricas do Brasil” são muitos. Castrados pelo atual sistema educacional, sem conteúdo programático, especialista em leitores e escrivães, mas escasso de pensadores.

Nas Gerais houve-se o discurso da “criança mais cedo na escola” e cada vez mais tarde no seleto “clube” dos que pensam e questionam o contexto dos acontecimentos acerca principalmente do Palácio da Liberdade e da faraônica Cidade Administrativa. Como conceituar de boa, uma estrutura em que metade dela passa por crise. Os professores representam pela metade a parcela de uma educação de qualidade. Em Minas, a classe ficou de greve por aproximadamente mais de 60 dias, não se questiona aqui o fato, mas o que levou aos acontecimentos do mesmo.

Somos “os Tiriricas do Brasil” formados por uma juventude de intelecto massificado, com a crítica amordaçada e mentes estéreis. Entraremos mais cedo na escola, com seis anos de idade, para sermos meros repetidores de dados – como o “déficit zero“.