Por Paulo Henrique Amorim,

O debate presidencial, aquele que se considerava “decisivo”, porque o Serra ia “virar”, o debate foi ao ar às 22H35.

Depois da novela em que se supõe que os personagens falem italiano.

O debate foi no mesmo horário em que a Globo autoriza que os jogos do Brasileirinho se realizem.

(A Cristina Kirchner comprou os direitos do campeonato argentino e distribui a todos os canais, que exibem na hora em que quiserem.)

O debate da Globo é para o brasileiro que pode ir dormir depois da meia noite: ou seja, os ricos.

O debate é uma chatice porque :

1) as perguntas são sobre temas sorteados;

2) quem faz as perguntas são os candidatos.

Por isso, as perguntas não são perguntas, mas plataforma para o candidato dizer o que quer.

E as perguntas são dirigidas ao adversário que esconda o maior rival.

Quando a Dilma pergunta ao Plínio, é porque quer esconder o Serra.

E o Serra só entrou no ar às 23H.

O formato da Globo acabou por ser um tiro no pé do Serra.

Quem sabe fazer pergunta é jornalista.

Candidato sabe pedir voto – quando sabe, o que não é o caso do Serra.

Candidato não sabe perguntar.

Por isso, o debate ficou assim: insípido, inodoro e incolor.

E por que ficou assim ?

Porque os candidatos e os partidos quiseram fugir dos jornalistas.

E por que fugiram dos jornalistas ?

Porque os jornalistas brasileiros, em geral, não prestam.

São partidários e, na maioria, tucanos.

Como diz o Mino Carta: o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama o patrão de “colega”.

Para evitar que o debate seja conduzido por perguntas do Jabor, da urubóloga ou do Waack, os partidos amarraram o debate.

Criaram um formato imune à tensão.

É como se a bola não pudesse passar da intermediária.

É um debate do tipo “risco-zero”.

O debate faz parte do sistema político brasileiro, em que não há discussão de políticas publicas.

Não há confronto de idéias.

O que mais informa acaba sendo, como a propaganda da Dilma, o horário eleitoral gratuito.

A lei que regula a entrada de candidatos na televisão também é essencialmente idiota.

Consiste em não aprofundar nada.

Por que ?

De novo, porque os partidos precisavam se proteger, antes de tudo, da parcialidade da Globo.

E aí fica essa bobagem do “dia do candidato”.

Em que o pobre espectador tem que ouvir a Bláblárina Silva – a candidata de duas caras, como disse o Santayana – dizer “é muito grave”, “é prioritário”, faremos “um plebiscito”.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os debates são no horário nobre.

Patrocinados por entidades educacionais, geralmente.

E quem faz as pergunta são jornalistas – que todo mundo reconhece como jornalistas sérios, imparciais.

A Dilma aceitaria que só a Miriam fizesse as perguntas ?

Ou o Jabor ?

Melhor ir para o clinch – e não deixar o Serra respirar.

Debate não decide eleição, como profetizou Don Hewitt, que, em 1960,  dirigiu o primeiro dos debates na tevê, entre Kennedy e Nixon.

O máximo que faz é acentuar tendência que já prevalecia antes do debate.

Cada um vê no debate o que quer ver.

Mas, poderia ser um instrumento de informação e formação.

Se não fosse ao ar no horário do Brasileirinho.

A presidente Dilma Rousseff não foge de uma responsabilidade que se impõe diante dela: promulgar a Ley de Medios.

O brasileiro precisa conhecer, discutir seus problemas.

Do contrário, o sucessor da Dilma será o Berlusconi.