No final da tarde de ontem, sábado (27), foi encontrado o corpo da jornalista Luciana Barreto Montanhana, de 21 anos. A jovem foi seqüestrada no dia 11 de novembro. Nestes 16 dias o policial militar integrante do GATE, tropa de elite da polícia paulista entrou em contato com a família cobrando o dinheiro do resgate.

O PM recebeu treinamento especial para resgatar vítimas em cativeiro. O fato vem a público e com ele um enorme contraste de ordem e desordem. Justamente quando o reduto de bandidos que há mais de 20 anos reina a atividade criminal, o Complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro,  é invadido por forças das polícias do Estado, União, Exército, Marinha e Aeronáutica.

O que acontece no Rio é também o reflexo de um Estado omisso e descomprometido com seu papel de assistencialista e coibidor de práticas criminais. Quer queira ou não as ações de novembro de 2010 nas favelas cariocas, é uma prática tardia do poder público. Se em mais de duas décadas o tráfico de drogas e crime organizado foram o Estado naqueles guetos e grotões da pobreza  e miséria – é porque antes nunca houvera a figura dos Governos municipal, estadual e federal lá dentro.

O assassinato dessa jornalista em São Paulo representa também um outro tipo de bandido. O que esconde por de traz das fardas e aparelhamento militar. É a prova de que a polícia não está próxima de seu principal cliente – a população. o policial Rodrigo Domingues Medina é integrante de uma conjuntura que de fato abala a estrutura da lei e da ordem no País. E pior, sob a proteção de uma legitimidade democrática para defender a comunidade – a polícia. Não há sociedade que sobreviva sem ela. As instituições de polícias são fundamentais e garantidoras dos preceitos de ordem e cumprimento de deveres em qualquer nação democrática.

Não se pode generalizar. O câncer das polícias é a propina. É um tipo de corrupção de suas mais diferentes modalidades. E só se combate esse tipo de crime pelo fortalecimento das corregedorias de polícia. Elas precisam de autonomia própria, desvinculadas dos órgãos de polícias. Quem sabe um outra instituição? Com o poder e meios para investigar e condenar as polícias. É grande o sentimento de dúvida por parte da sociedade se o Tribunal Militar é capaz de julgar com isenção.

 

Que policial pode ser ele?

É preciso também que a Polícia seja renumerada com teor de igualdade e coerência. Ou seja, salários suficientes para “diminuir” que os mesmos cedam à propina. A polícia deve representar para a sociedade uma estrutura de Estado acima de qualquer suspeita. É quase zero a falta de confiança em um engenheiro ou médico. Isso deveria ocorrer também com a polícia, é preciso valorizá-lo do mesmo modo que são valorizadas as classes profissionais citadas anteriormente. Ser polícia, deveria ser igual ao que formar-se para médico, dentista, engenheiro ou economista.

Mas também, é preciso tratar a corrupção com tolerância zero. De igual para igual. Um “cabo” deve ser punido quando erra, assim seja coerente com um “coronel” de alta patente.

No atual momento do Brasil, a nossa polícia está ao julgo do exame público. Sobretudo nos grandes centros urbanos. Você confia na polícia?