• Foram mais de 700, as mortes provocadas pelos deslizamentos de encostas e enchentes nas cidades do Rio de Janeiro.
  • Já sabemos também que desde o início dos tempos o verão nos trópicos inicia a partir de 20 de dezembro. Neste período as chuvas são fortes, intensas e volumétricas. É um erro grave dos serviços de meteorologia prever uma quantidade desproporcionalmente inferior ao que realmente chove, nestas regiões.
  • O déficit habitacional no País ultrapassa os 6 milhões de moradias, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas. O que causa por conseqüência a ocupação desordenada das serras, morros e planícies nas regiões metropolitanas dos grandes centros urbanos.
  • O Programa Habitacional Minha Casa, Minha Vida, do governo federal – gestacionado na era Lula, é pioneiro e incentivador. Mas ainda está longe de resolver o problema da falta de um lar para milhões de brasileiros.
  • É errado afirmar que a chuva castiga as regiões. O fenômeno natural é isoladamente uma causa e efeito das combinações físico-químicas da natureza. Evaporação das águas no solo, a formação de nuvens e depois esta água volta novamente para o solo no formato de chuva.
  • Castigo é o que transforma este fenômeno com as mudanças provocadas pelo homem no meio ambiente. “Não há como culpar a natureza”, o homem, em especial, “homens públicos e poderosos” são os principais responsáveis por isso.
  • Os terremotos, furacões, enchentes e tornados não são desastres naturais. São os ritmos impostos pelo crescimento industrial e desordenados, desrespeitando a ordem natural das coisas de maneira consciente. Que a natureza por si só impeçam estas catástrofes é contrariar a vontade humana.
  • Infelizmente os moradores de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis são vítimas das transformações provocadas por outros homens na natureza. Assim também é o caso de mais de 80 cidades de Mina Gerais e a Grande São Paulo.
  • Então, quem são esses homens públicos e poderosos?  É um processo de irresponsabilidade contínua de prefeitos. Irresponsáveis no que diz respeito às vistas grossa que fazem nas ocupações irregulares dos terrenos e outros por incentivarem a construção de moradias nas encostas. Falta fiscalização de órgãos responsáveis pela questão – ora por camaradagem político-partidária, ora pela manutenção do poder a qualquer preço.
  • Agora sim, é naturalmente a população pobre que paga a conta. O contrário daqueles que gozam de uma condição melhor ou oportunista. “É o casode dois filhos do saxofonista George Israel, da banda Kid Abelha, que passavam as férias em Teresópolis. A água ilhou a casa onde estavam e o pai pôde resgatá-los de helicóptero. (…)”.
  • Já o pedreiro J.P. R, de 65 anos não teve a mesmo destino.  O temporal destruiu sua casa, para não ser levado na correnteza da enxurrada, ele fez um buraco no teto e subiu até o telhado com o irmão, ficaram à deriva, pois não havia helicóptero algum para salvá-los.
  • Helicópteros, aparelhos voadores que possibilitam os sobrevôos dos que talvez sejam os que mais podem ajudar a população. Não depois da tragédia, mais antes. Com certeza, Dilma Rousseff, Luiz Fernando Pezão, Sérgio Cabral e Antônio Anastasia podem fazer mais por este povo em médio prazo. Basta quererem.
  • Em São Paulo a situação não é diferente. Desde 2005 que os alagamentos param a cidade. É nítida a visibilidade da má administração pública. Nas eleições do ano passado, foram inauguradas todas as obras de expansão da Marginal do Tietê, reduto da governabilidade do então candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB). Que tipo de expansão fez? Agora, houve um transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros. Outro dado a ser questionado, é porque em pleno ano de campanha eleitoral os investimentos na área fora 8,7% menor que em 2008. Sobrou dinheiro público para a corrida presidencial?
  • É a natureza responsável pelas tragédias?

Nota: a publicação é um fichamento da reportagem A culpa é do homem, da revista Carta Capital, de número 629, de 19 de janeiro de 2011.