Do Blog do Benny,

Durou 24h a liberdade provisória conseguida por Leonardo Hilário, o motorista da carreta que causou a tragédia mais recente no Anel Rodoviário de Belo Horizonte.

Beneficiado com a soltura pelo I Tribunal do Júri de Belo Horizonte na quarta cedo, o caminhoneiro teve de se entregar à Polícia na manhã desta quinta-feira, por determinação do desembargador Alberto Deodato Neto, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que revogou a decisão anterior.

Em 28 de janeiro, a carreta que Leonardo Hilário dirigia, carregada com 37 toneladas, atingiu 16 veículos na altura do bairro Betânia, matou cinco pessoas e feriu 12. Uma menina de quatro anos segue internada, em estado grave.

O motorista foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso eventual, aquele em que o agente não quer diretamente o resultado, mas assume o risco.

Entretanto, há quem acredite que Leonardo Hilário não é réu, mas vítima.

O especialista em trânsito e assuntos urbanos José Aparecido Ribeiro, da ONG SOS Rodovias Federais, afirma que “foi o estreitamento de pista que provocou interrupção de tráfego onde isso é proibido e inadmissível, que causou aquele acidente, e não a velocidade, como querem”.

José Aparecido condena o Anel: “o problema se repete diariamente na descida de 8 km entre o Olhos D’água e o bairro Betânia, trecho que tem quase 20% de inclinação, quando o recomendável é no máximo 8%. Perda de freios naquele local é mais comum do que se possa imaginar e acontece quase todos os dias sem que ninguém fique sabendo. Na descida a velocidade máxima permitida para caminhões é de 80km, e 110km para carros pequenos. Para o segundo os limites estão adequados, já para o primeiro os limites estão fora dos padrões de segurança, pois é impossível frear um caminhão com 40 toneladas na traseira em um espaço menor do que 200 metros, isso quando os freios não foram ‘fritados’ anteriormente, transformando os carros pequenos em latinhas de cerveja no asfalto. A velocidade máxima permitida até que se resolva a reforma do Anel, no trecho entre o Olhos D’água e o Bairro Betânia, não pode ser maior que 50Km para caminhões carregados.”

A perícia técnica concluiu que o caminhoneiro trafegava a 115 km/h no momento da batida. Leonardo Hilário, em entrevista ao Jornal da Alterosa, negou. Disse que estava a 60 km/h. “Perdi o freio. Tentei desviar dos carros que vi pela frente tentando achar espaço para o caminhão, mas quando parou já tinha acontecido o acidente”, contou o motorista, aos prantos.

Aliás, o choro convulsivo de Hilário no estúdio do Jornal da Alterosa e hoje cedo, quando se entregou à Polícia, contrasta com a atitude tranquila do motorista no dia do acidente.

Veja as duas entrevistas. Primeiro, a do dia seguinte ao acidente. Leonardo está com o semblante calmo e aparentemente seguro.

Agora, a entrevista dessa quarta-feira. Leonardo está incontrolável e precisa da ajuda do advogado para responder às perguntas. Mal consegue formar frases inteiras.

Os dias na cadeia transformaram essa pessoa. Sabe-se lá o que passa pela cabeça de um homem envolvido numa situação como essa.

O mais grave é saber que as medidas tomadas depois da tragédia são insuficientes para se evitar que outras ocorram. Radares móveis, faixas de alerta, redução da velocidade máxima – nada disso é capaz de impedir que outra carreta desça o Anel e provoque um novo acidente. E, de fato, alguns dias depois, um motorista bêbado só parou quando o caminhão dele tombou na pista. Por sorte, ninguém ficou ferido.

De quem é a culpa pelos acidentes no Anel? Uma enquete realizada pelo em.com.br mostra que, até o momento, 36,73% dos internautas acham que é o Dnit; 57,47% apontam os motoristas; e 5,81% atribuem a responsabilidade à Polícia Militar Rodoviária.

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