Na edição especial de fim do ano da revista Carta Capital, em janeiro de 2008, foram publicadas várias análises de variados temas acerca de nosso cotidiano.  No editorial desta, o autor faz uma análise geral, sobre o ano de 2007. Vejam: “O ano que se encerra foi favorável ao Brasil: crescemos depois de 27 anos de atraso, acima das expectativas. E há mais sinais embora tênues, de retomada de tempo perdidos. A proposta da esperança mira na possibilidade de que estejamos apenas no começo. Assim será, acreditamos, se o patrimônio – Brasil, representado por seu povo, recursos infindos, e às vezes imprevisíveis, e inúmeros benefícios da natureza, sobrepujar o egoísmo e a incompetência da minoria privilegiada”.

Em minha opinião um desabafo. Opinião esta, baseada nos conceitos da proposta editorial do veículo, no caso, a revista citada acima. Não posso afirmar se ela é de direita ou esquerda. Posso dizer que os temas abordados em suas edições são inerentes a qualquer debate público.

Então, estamos no décimo primeiro dia dos jogos olímpicos de Pequim. A posição do Brasil no quadro geral de medalhas é lamentável, para qualquer brasileiro apaixonado pelo esporte. Sobretudo aqueles mais populares. E a edição de Carta Capital citada acima, trás uma reportagem especial sobre o esporte no Brasil. Cujo título deste post, foi tirado da entrevista com o ícone do basquete feminino brasileiro. A ex-jogadora Magic Paula.

“O NOSSO POTENCIAL É ENORME, MAS MUITO MAL EXPLORADO”

Magic Paula saiu das quadras para a direção de um Centro Olímpico em São Paulo, com capacidade para quase mil crianças. Antes, ela estudou administração esportiva na Fundação Getúlio Vargas. Ela explica e critica a falta de planejamento de longo prazo no País.

  • A falta de preparo, é o grande problema na visão dela para o caos da administração pública.
  • Para ela: o esporte é evolutivo em tecnologia, treinamento, estrutura e equipamentos. No entanto, ainda somos “amadores” no quesito “dirigentes”.
  • Em épocas de “vacas gorda” no esporte, nunca antes houve tanto dinheiro envolvido. Há também tantos dirigentes com milhões de reais.
  • Era preciso no país no mínimo, cinco centros olímpicos, públicos.

Quando perguntada da possibilidade prática desses centros, pelas cinco regiões do País, se poderia pensar um Brasil como potência olímpica.

Ela disse: “O primeiro passo é a escola, a atividade esportiva dentro da escola. Aqui (no centro olímpico) só participam crianças que estudam. (…) Para o Brasil pensar em ser potência olímpica, temos de mudar o conceito de como estamos trabalhando o esporte dentro da escola”.

Questionada sobre o tratamento dado ao esporte dentro das escolas hoje, ela responde: “Já quiseram profissionalizar o esporte na escola (…), depois a aula de Educação Física passou a não ser obrigatória, e hoje não existe um programa”. Para Magic Paula, o conceito de esporte dentro da escola é apenas “recreacional”, diversão.

NÃO APROVEITAR OS TALENTOS NATURAIS

Aqui consiste o problema do Brasil hoje.  Não há um planejamento que absorva esses talentos esportivos que naturalmente vão surgindo pelo País a fora. Na visão da ex-jogadora, ele deve começar na escola, passar pelo alto rendimento e chegar até as confederações esportivas. “Não existe um planejamento esportivo para 8, para 12 anos. Não há por exemplo, o pensamento de preparar um time de basquete feminino para as Olimpíadas de 2016”.

Ela fala também dos gastos expressivos dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. “Em vez de gastar tudo aquilo com obras, por que não fazer um programa, um projeto para que daqui a oito anos o Brasil seja realmente uma potência olímpica (…). É isso que falta, essa continuidade. Se aparece um talento na escola ou na recreação, tem de existir um lugar para ser encaminhado”.

O ESPORTE COM DINHEIRO, SEM CONTINUIDADE E DIRIGENTES COM CARGOS VITALÍCIOS.

Paula também foi convidada a explicar a falta dessa continuidade. Uma vez que, há tanto dinheiro na jogada e não existe uma rotatividade nos cargos de dirigentes esportivos. E Magic explica: “É, são eternos (os cargos). Os que ficam menos tempo devem estar há 8, 10 anos”. Para ela não estão produzindo, trabalhando ou planejando. E ainda enfatiza, “o dinheiro do esporte não é gerido para o objetivo final, que é o atleta. Os gastos não refletem nos resultados das modalidades”.

Perguntada se os Jogos do Pan e as candidaturas olímpicas não são projetos, ela responde: “Passam longe de ser, porque ali é tudo interesse de construção de obras, (…) que não sei como estão hoje (…) se estão sendo utilizadas ou não. As Olimpíadas de Pequim, serão para referência. Quando se faz um planejamento, é possível fazer previsões, por exemplo, de medalhas. Como será a participação do Brasil em Pequim? Há quem diga que será igual ou pior do que há quatro anos. Isso é muito triste. Nada foi mudado de Atlanta para Atenas, e acredito que de Atenas para Pequim também não. Ainda estamos com a memória do Pan, mas essa é uma competição que, a meu ver, a cada edição perde força técnica. Não é mais parâmetro mundial”.