Por Vanuza Silva*,

Não é segredo pra ninguém que os problemas sociais brasileiros são diversos, como se ensina nas escolas públicas a origem de tantos problemas está atrelada à origem social
do país, este por sua vez formado de maneira não planejada, sendo apenas fonte
de exploração e acomodando consigo todos os tipos de pessoas, inclusive
criminosos que eram banidos de sua “sociedade mãe”. Ocorre que deve-se colocar
em pauta que os problemas sócio-culturais atuais são conseqüência não apenas do
que foi feito há 510 anos, mas em suma do que sido feito ao longo de
todos esses 510 anos, e da insistência em cometer os mesmos atos que vem
causando tanto transtorno desde essa época.

Os portugueses acreditavam que a melhor maneira de educar os índios e escravos, ou
seja, pessoas que estavam à margem de suas convicções e eram consideradas
bárbaros e selvagens, era a repressão. Os Jesuítas denominados homens de Deus,
pacificadores eram na verdade enviados para intermediar os repressores e os
reprimidos, e alocavam-se em alojamentos em meio a estes os quais eram
desajustados ao perfil moldado pela sua cultura, punindo-os caso se recusassem
a cumprir o que lhes era imposto. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Séculos após, deparamo-nos com uma situação na qual o Governo (como Portugal)
aloca seus soldadinhos de chumbo (como os Jesuítas) em uma “selva” chamada
favela, na tentativa de impor aos “índios contemporâneos” sua cínica
civilidade.

Ressalta-se ainda que algumas adequações foram feitas, afinal não estamos no século XVI,
hoje os jesuítas usam farda militar, as armas são equipamentos modernos capazes
de aniquilar em frações de segundos, e a punição por não acatar ordens não
limita-se á violência física pois, existe o DIREITO (aquele que por definição
dá a cada um o que lhe é devido) garantindo aos oficiais a possibilidade de
reter por desacato à autoridade os que questionarem a violência imposta
implicitamente em unidade pacificadoras. Não esquecendo os demais cidadãos
passivos ás decisões, que cobram atitudes do governo e acompanham os
acontecimentos através das mais diversas fontes de informação, aplaudindo cada
massacre aos que são de fato bárbaros, contudo que assim são devido ás
possibilidades que a tal “sociedade” lhes oferta.

Pois bem, percebemos que os problemas mudam de época, porém não de contexto, bem como as soluções que parecem ser provisórias tornam-se desencadeadoras de problemas
definitivos e crescentes repetindo o mesmo ciclo que nos leva de volta ao ponto
inicial. Está na hora de percebermos que educação é o extremo oposto de
repressão
. Liberdade de se expressar deveria ser um direito comum, da mesma
forma que os direitos básicos comuns demagogicamente assegurados aos cidadãos
pela Constituição Brasileira, e na realidade negados não coincidentemente aos
geradores do motivo desta discussão. Estes por sua vez apenas devolvem á
sociedade que lhes gera o que receberam da mesma, violência.

(*)Vanuza Silva é estudante de Administração de Empresas e leitora do Blog do Marcone.