Uma esperança diferente de Kaká.

 

Por Adriana Araújo,

Não se trata de uma revelação bombástica. Meu marido já sabe faz tempo.

O fato ė que me apaixonei por um jogador de futebol.

Como sou daquelas que só pensa no assunto de quatro em quatro anos, torcendo apenas pelo Brasil e, mesmo assim, sem grandes sofrimentos, jamais imaginei ser possível tal encantamento.

Pois eu me encantei por um sujeito de nome bem estranho: Ganso. Alguém aí já ouviu falar?

Eu mal tinha ouvido esse nome até aquela final do campeonato paulista de 2010. Eu assistia aquilo meio distraída, vendo o Santos x Santo André. Diziam que o jogo estava disputadíssimo, para mim estava tudo meio entediante até que um jogador, na iminência de ser substituído, balança os dedos como se gritasse NÃO bem alto, bate a mão no peito, aponta para o gramado e encara o técnico.  Não precisava dizer mais nada. Recado entendido no mundo inteiro. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Vou até o fim e esse time vai ser campeão.

Pronto, bastaram alguns segundos dessa rebeldia futebolística para que eu despertasse imediatamente do sofá e procurasse o tal Ganso pelo campo. Assistia e pensava como a gente precisa de “Gansos” nesse país. Político-ganso, presidente-ganso, chefe-ganso, professor-ganso e por aí vai. Gente que bata no peito e diga: “a responsabilidade é minha e isso tem que dar certo”.

Depois desse repentino apaixonar, fiquei atenta às notícias envolvendo essa espécie do reino do futebol. Li, preocupada, as notícias das lesões. E torci, na última quarta-feira (22), como se santista fosse desde criancinha. Pois revi o Ganso. Não tinha aquela raça do primeiro encontro, mas tinha uma calma e uma sutileza raras. Na cara do gol, quando muitos se desesperam ele parecia recém-saído de uma sessão de meditação. Quase zen, sempre com toques ligeiros, sutis. Ganso foi fundamental para que a bola chegasse ao endereço certo.

Quando os olhos de quase todos brilhavam por Neymar. Os meus brilhavam pelo Ganso.

E, depois, ao ser substituído, nada de bater a mão no peito. Dessa vez, ele sai aplaudindo e aplaudido, com um leve sorriso no rosto. Sabia que já estava com o dever cumprido. E eu pensando… Esse Ganso entende das coisas. Para decidir, às vezes é preciso raça, em outros momentos, tranquilidade. Na medida, sem estrelismos.

Em casa, quando tento cantar, minha filha sempre diz: “mãe, deixa para quem sabe!”. Hoje, que tento escrever sobre futebol, tenho que me lembrar do sábio conselho. Deixo pra quem sabe.

Mas que o sujeito é ótimo, isso ele é. Nem precisa ser especialista para se apaixonar.

E Ganso deveria virar verbo. Vamos todos “Gansear”. Com maiúscula porque o paraense merece.