Uma característica de beleza feminina é extremamente difícil de descrever. Por mais extremos que sejam os símbolos de beleza codificados pelo universo masculino e de valor comercial. Um conceito de beleza é expansivo, complexo e intrigante. Atribui (re)significação subjetiva a partir de um contexto, implícito ou explícito ao objeto de estudo.

O que define a beleza de uma fêmea. O seu corpo? Ou componentes dele? A inteligência? Ou como ela é usada pela mulher?  Sabemos que os contornos de um corpo feminino é que em tempos modernos mais ditam aquela característica que talvez possa definir como bela. Alguns fatores definem uma mulher como bonita: doce e sedutora, arrasadora, a que faz babar, a deusa, a tentação, etc. Não, há também os atributos de gostosa, de seios fartos e da bunda excêntrica, exemplar e grande.

Sobre a bunda, um pouco é da valorização extremista da herança cultural da época de Casa Grande e Senzala. Resquício da mentalidade colonial, quando os senhores Feudais davam as puladas de cerca e na calada da madrugada deitavam-se com as escravas. Ainda não sabiam sobre coito interrompido ou outros métodos contraceptivos ainda não conhecidos então, sobravam exclusivamente o sexo anal – seguro do ponto de vista de não engravidar a negra e vir à tona um filho bastardo. Daí, a valorização brasileira exacerbada do bumbum, durante o dia a escolha era assim, quanto maior, melhor serei servido na escuridão dos canaviais da fazenda. E até hoje é assim. Só mudou de lugar e nome o canavial. Virou Marquês de Sapucaí – de concreto e aço, está lá arrebitada, grande e imponente.

Mas por que o carisma e o charme, que fizeram de simples mulheres, como Evita Perón, uma beleza irresistível e avassaladora em seu tempo. Os caminhos que ultrapassam os limites da sensualidade e levou ao trono da beleza a estonteante Marilyn Monroe, não definem hoje mais a beleza de uma mulher. As saias longas daquela época, colantes, produziam um rebolado de enlouquecer. Tanto que protagonizou o símbolo de beleza mundial inaugurando a primeira publicação para o tema. Marilyn, foi capa da primeira revista Playboy, em 1953. Ela foi na época o ícone mundial da mulher bela, doce, sensual e inocente.

Até que ponto os adjetivos, os modos, a ditadura da moda com o objetivo de definir a mulher bonita, não fragmentam a personalidade da mulher?

A mulher bonita é aquela de corpo “quase perfeito? Mais em fim, livre de gordurinhas, estrias, celulite ou rugas? Há esta mulher?

Há no mundo, três bilhões de mulheres. Só oito são top models”. Esse foi o slogan da marca Body Shop, na época foi veiculado junto com uma espécie de uma mulher loura e gorda, nos remete a idéia de que existem dois tipos de corpos de mulher: um normal e mortal e outro idealizado e raro – o modelo. Assim seria possível subdividir o corpo feminino? Dar a notoriedade necessária para cada olhar que o observa? Um corpo para a maternidade, para a estética, para a saúde e “da” religião. E são estas suposições que talvez respondam sobre a fragmentação da personalidade. Pois, cada corpo pode assumir influência sobre a mulher, se considerarmos a sua inserção na sociedade.

A mulher bonita virou uma entidade? O mais concreto bem individual feminino (o corpo), pertence à de fato? Ou é uma criação coletiva, moldada para interesses econômicos e sociais? O corpo de uma adolescente cresce para servi-la ou a outros? Para qual mosaico social é pensado?

A mulher só é realmente perfeita e bonita quando é virgem. Durante séculos foi somente um corpo intrínseco à mulher como um todo. É símbolo de uma sociedade de valor moral e ético. O copo da maternidade que conquistou o direito de usar biquíni, porém perdeu o direito dos peitos caídos. E a inversão química que contrapõe a gravidade (silicone), entra em cena para a garantia da rentabilidade do feudo. Então, a bunda também precisa subir, porque assim eleva outros “negócios”.