Cultura

O homem é arte e a mulher é cultura.

As barraquinhas – na Semana Santa de Araçuaí

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Era assim… um misto de ansiedade e alegria velada a espera da chegada da Semana Santa em Araçuaí. Naquela época existia um negócio de ‘marcar presença’ no encontro de Nossa Senhora das Dores com o Senhor dos Passos. E logo depois o Dia de Lava Pés e até o êxtase da procissão do Senhor Morto – pronto. Maratona cumprida. Eu tinha no ensino primário uma professora muito católica, que fazia questão de todos os alunos dela fossem vistos no eventos da Igreja na Semana Santa.

Quando cheguei ao ensino fundamental achei que ficaria livre daquele “para casa” na Praça da Matriz (Igreja). Nada. Tive duas professoras de Ensino Religioso, uma delas ‘religiosa’ de carreira – encomendavam a presença dos alunos na festa Católica. E de fato, a minha Mãe e o meu Pai também inspiravam, incentivavam a minha participação. Uma festa religiosa e popular maravilhosa no Kiau. Era mágico ver os soldados romanos, a descida da cruz, o canto de Verônica e o teatro de Lava Pés.

Quem esquece as recomendações de Tó para o cuidado dos País para com os filhos? As chamadas para os Eventos seguintes da Semana Santa… aquela voz estridente, pausada e que emitia uma mensagem sem ruídos. Mas no final dos seus anúncios ele não esquecia de uma coisa. “Só podem ir para as barraquinhas depois da festa da Igreja”. E nós os jovens e adolescentes da época era também o que queríamos. Afinal de contas quem se esquece daquele “sobe e desce” da Avenida das barraquinhas. Havia de tudo: muita comida, bebida, brinquedos, música, algodão doce e maçã do amor. E o amor? Ah… com certa muita intenção de “amor”. Era aquela ‘caçada’… ninguém tinha a liberdade e a libertinagem de hoje. Na verdade ali nas ‘barraquinhas’ dar um beijo naquela garota da escola – era como uma prova dos nove. O bacana é que havia tanta gente, mas tanta gente que dava para enganar a galera e dizer que ficou com a garota… ninguém veria mesmo, só você e seu imaginário da paixão platônica.

Era divertido também… quantas vezes fui apenas com a grana da “maçã do amor”! Ou do algodão doce colorido. Me recordo que uma vez fiz uma grana maior… na caixa de engraxar sapatos e dava pra comprar a maçã, o pastel e um suco na barraca do “Sinvaldo Catador”… E, quando pedi o suco lembro que o funcionário da barraca disse que tinha que esperar, pois, a colher de misturar o açúcar no taxo de suco havia sumido. Aí o menino fala pro Sinvaldo… Ele com aquele jeitão dele disse pra mim: ‘você vai beber o suco agora’… O CARA ARREGAÇOU AS MANGAS DA CAMISA, DOBROU-AS ATÉ O COTOVELO E MISTUROU O AÇÚCAR COM A MÃO. Rsrsrsrsr… havia uma coisa que era muito ruim… não conseguir acompanhar a turma que você estava pra andar na avenida. Eu dei um grito pra Ele dizendo que Eu não queria mais o suco, que os meninos já tinham partido e que ele devolvesse o meu dinheiro que Eu não poderia perder deles. Foi minha salvação. O pior é que naquela época Ele (Sinvaldo Catador) se não me engando era o único a vender “bacalhau” na cidade. Como ir lá com minha mãe comprar no Sábado da Aleluia? Saudades daquela época. Ingênua. Doce de algodão e maçã do amor. Divertida.

Às vezes descobríamos que paquerávamos a mesma garota… a beijava quem fosse o mais bonito ou inteligente. Por uma atributo ou outro – Eu sempre saia contente. Uma vida colorida de balões de gás. Dolorida – éramos muitos pobres (materialmente) a Semana era Santa e solidária com a mesma calça jeans azul clara, a conga ou kichute – só não repetia (em dias seguidos) a camisa. Era um tempo de Fé, Compaixão e Ternura. Naquele tempo viver a Semana Santa e depois o Domingo de Páscoa era algo enigmático.

Comente a sua lembrança das “barraquinhas” da Semana Santa em Araçuaí.

O dia em que o Morador de Rua apertou a minha Mão.

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Na Missa (Eucaristia) de hoje, uma experiência arrebatadora:

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A miopia proporciona-me o desprazer da apreciação de longa distância e permite o prazer do cheiro e da textura. Então, sempre uso os acentos da primeira até a terceira fileira da Igreja. Gosto de ver a expressão do Celebrante (Padre), dos Leituristas, a performance do Coral e de sentir a Liturgia e o Rito Eucarístico. Pois bem. Hoje, ao chegar vi de longe o banco da terceira fila vazio. Perguntei-me se havia algum evento e o tal lugar estaria reservado. Não. Na ponta voltada para a parede lateral assentava-se um Morador de Rua: homem alto, magro, barbudão, sujo e fétido. Logo nos demos conta (Eu e minha Esposa) do Evento. Resolvi, relutei, em um “insight” rápido tomei a decisão de ficar ali. A Valéria percebeu rapidamente que todos os olhares se voltavam para nós e me cutucou. Sussurrando ao meu ouvido constatou o óbvio dos olhares céticos, admirados e julgamentosos.

“Relutante” fiz a opção de concentrar-me naquela experiência – sob a minha Fé, algo proporcionado por Deus. Em seguida o Morador de Rua na sua lucidez começa a comentar baixinho os ritos da celebração. No start do Coral ele comenta: “as músicas parecem da Igreja Adventista. Isso aqui é uma Igreja Católica ou Adventista”? – Me pareceu alguém de conhecimento religioso. E de fato ao longo da Missa a participação dele foi de fiel acompanhamento de todos os ritos. Nos assentamos na ponta oposta do banco. Como se ali fosse um barco que precisasse da manobra de massa para não virar.

E na verdade foi… O barco da vida cotidiana. Nos comportamos assim. Segregando relacionamentos de acordo com nossas castas, condições econômicas, sociais e não percebemos que o “Morador de Rua” é a ‘canoa virada’. E, afundados em nosso preconceito nos distanciamos com a miopia do coração e do cérebro do Valor Humano. Permitimos-nos que várias pautas entre em nossas discussões como a do: estupro coletivo, do movimento anti corrupção, da crise, da comoção por tragédias, moléstias e etc. Mas não voltamos o olhar para o ‘excluído’, para a falta de dignidade, para a inclusão e para o Morador de Rua. Não há uma política pública voltada para este problema. Não há… Nada… Se não a Rua.

Após a aclamação do Salmo (33) o Morador arredou-se para o meio do banco. Involuntariamente uma moça (Catequista) e um outro Senhor assentou-se onde ele estava. Rapidamente eu movi as ‘antenas’ oculares como Radar e Todos da quarta fileira atrás de nós direcionava o olhar para o banco do Morador de Rua e dos Casais Diferentes. Mal sabiam eles (falando por Eu e Vá) que a diferença entre eles e nós era apenas o local de assentados. Somos iguais no Preconceito Classista. Bem próximo a de mim, o cheiro forte de suas vestes e do corpo acentuava. A cor de sua pele era um misto de encrustação de sujidades e fagulhas de algo indecifrável. Logo me passou pela cabeça “a hora do rito da Paz de Cristo”. É quando o Padre diz: “- meus Irmãos cumprimentai-vos uns aos outros”. Na minha cruzada interna eu tentava vencer “a mim mesmo”. E aproximando-se do ‘rito da paz de Cristo’, a catequista levantou-se e saiu para organizar as crianças no Altar. E quando chegou a hora D… Eu deixei me vencer pelo preconceito e o toque primário foi apenas um ‘tapinha em seu ombro’. Mas Deus (no Morador de Rua) estendeu a sua mão e em posição de ‘espera’ da minha ansiava-se por aquele aperto de mão. Apertamos-nos a mão um do outro… E ele interlocutou com o “paz de Cristo”. Não perdi minha mão. Não morri.

Pois, precisava ver a criança que saiu da primeira fila de bancos para cumprimentar (dar a paz de Cristo) ao Morador de Rua. E, todos ao redor dele e de outros bancos, assim o fizeram também. Na continuidade da Eucaristia ele continuou participando e foi para a fila da Comunhão. A celebração de hoje era sim de eventualidades. Pois, o Seminário Diocesano de Missões do Rio de Janeiro era quem Presidia a Missa. Uma obra fundada em 1987 pelo Papa João Paulo II. E que o o atual Papa (Francisco) dá muita ênfase. Como é de Missão, o Seminário têm participantes de várias nações. Lá hoje haviam de mais de cinco. Ao serem apresentados por cada País… o Morador de Rua fazia questão de sussurrar e dizer de qual continente pertencia tal nacionalidade. Uma pessoa de cultura também.

A dois: o sexo é pra ser vivido de prazer

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Quando é para falar de sexo o que mais vejo por aí são dicas de “como enlouquecer seu homem na cama” ou “como fazer um boquete inesquecível” e até “posições preferidas dos homens”. É claro que existe material direcionado para os homens também, mas a grande maioria visa o público feminino. E não é que sejam matérias ruins (um pouco antiquadas talvez). É até legal aprender a fazer um boquete incrível e ver o cara gozando só com o poder da sua língua. Mas o que sinto falta nesse tipo de material é de ver temas que explorem o prazer a dois e – principalmente – o prazer da mulher.

Porque – olha que coisa louca – mulher também sente prazer. O objetivo do sexo não é apenas deixar o homem louco, de quatro, arfando, de pernas para o ar. O sexo é para a mulher também. Para a mulher curtir, gozar, sentir prazer, se sentir desejada. Mas vendo as matérias sobre sexo por aí não é isso que parece.

E de tanto ler esse tipo de coisa muitas mulheres acabam se esquecendo que o sexo é para elas também. Não só para elas entrarem no ranking das que mais deram prazer ao cara, mas também criarem seus próprios rankings das transas que mais deram prazer à elas.

É meio maluco como o mundo ao nosso redor mexe com a gente. Nós (mulheres) crescemos achando que sexo (além de ser coisa errada, de vagabunda e pecado) é para dar prazer ao homem. Mesmo quando a gente amadurece um pouco e começa a “gostar” desse negócio de sexo e se sentir a vontade transando, o que a gente aprende é como se exibir para os caras. Como impressionar. Como ser o mais incrível objeto sexual.

A gente fica toda satisfeita porque consegue deixar o cara louco só com uma punhetinha, ou porque aprendemos a fazer um boquete digno de Linda Lovelace e ficamos animadas quando perdemos a vergonha de fazer um strip-tease que o cara tem que se segurar pra não gozar só de olhar pra gente.

Que legal! A gente manja muito nesse negócio de sexo. Não temos vergonha de falar sobre esse assunto em mesa de bar, não temos problema em dar de primeira e até aula de pole dance a gente faz e com o maior orgulho. A gente é muito liberada sexualmente.

Será?

Mas masturbação não fazemos. Gozar durante o sexo ainda não conseguimos (tem até quem diga que isso é lenda!). Conhecimento sobre nosso corpo e o que nos excita fica sempre em último lugar. Sexo oral pra gente se vier é lucro, porque indispensável mesmo é o boquete pro cara, senão não é sexo, né?

Chega desse sexo que é para o outro e nunca para os dois.

Vamos lembrar que a gente também é parte interessada nesse negócio de transar. Inclusive seu clitóris é a prova concreta disso. A ÚNICA função dele é te dar prazer, sabia? Sexo não pode ser uma via de mão única. Então quando for pesquisar sobre sexo por aí, que tal menos “como enlouquecer seu homem na cama” e mais buscas pelo seu prazer sexual (sozinha ou acompanhada)?

Fonte: Entre Todas As Coisas

2016: disseram que não vai mudar nada

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tumblr_o0a6karz9D1s44eovo2_1280Sempre que quero pensar na vida, entro numa playlist especial que coloca minhas músicas preferidas nas alturas. Quase fico completamente surdo – pra quem não sabe, tenho surdez total em um ouvido e já deveria ter deixado os fones aposentados pra não prejudicar ainda mais a audição -, mas é inevitável o transe em que as músicas me colocam. Nesse fim de ano, mais que todos os outros, voltar ao passado também foi inevitável.

Particularmente tive um ano incrível. Gosto de dizer que foi o melhor ano da minha vida, não importa o que tenha acontecido de ruim. Senti-me vivo, rodeado de amores, realizado em âmbitos completamente diferentes. Esse ano, a balança de libra pesou mais pro lado bom, meu bem. Vai ver, foi isso. E fecho o ano cheio de gratidão, pronto pra recomeçar.

Tenho a crença de que todo fim e início de ano promovem esperança na gente. É a chance de um recomeço cronológico, contado e marcado por meses em que a gente já sabe o que vai acontecer, por datas obrigatórias, por feriados aguardados e por uma agenda pré-moldada na nossa cabeça. Fim de ano traz uma vontade danada de ser feliz no ano que vem, faz uma faxina completa na casa e nas coisas que a gente pensa. E parece que também traz alívio, já que vi tanta gente reclamando desse ano e das coisas todas que aconteceram nele. Ano que vem vai ser melhor, dizem eles.

Mas o que é a mudança de ano senão uma simples virada de calendário? Se não contássêmos os dias dessa forma, trinta e um de dezembro não teria valor algum além daquele que damos a ele no Ocidente. Se a vida fosse linear – até é, depende do ponto de vista -, viveríamos sem a expectativa de reparar erros antigos, sem projetá-los mais na frente. Parece que a vida em ciclos faz mais sentido, é mais humana, permite que a gente reviva nas primaveras de outros anos o degelo dos invernos anteriores. É nisso que a gente acredita.

O fato é que 2016 não vai mudar nada. Nadica. Não é o ano que chega com algo especial, mas a motivação que essa nossa crença em ciclos traz. Não haverá uma mudança completa e louca no alinhamento das nossas vidas por nenhuma razão além de nós mesmos e da nossa vontade em mudar. 2016 não vai ser melhor só por ser 2016, assim como o mundo não vai mudar num passe de mágica entre os dias trinta e um de dezembro e primeiro de janeiro. Mas acreditar nisso acende na gente a possibilidade da mudança. Nós é que criamos a nossa chance de recomeçar.

Então, se você é uma dessas pessoas que espera ansiosamente pelo ano novo como se um milagre caísse do céu, sinto decepcioná-lo: nada vai acontecer. Assim como nada aconteceu em 2015 porque você não se moveu, não aproveitou o impulso mágico dos recomeços pra fazer uma vida melhor. É claro que existem fatores que são independentes e não controlamos, e geralmente são esses fatores que estragam tudo. No entanto, se já sabemos que eles existem, resta a nós fazer a outra parte dar certo, aquela que depende da gente. Ser feliz é movimento, e toda felicidade reside na busca por ela mesma.

Insistir nas mesmas pessoas que nos quebraram, deixar de lado afetos reconhecidos e não correspondidos, largar sonhos por preguiça de ir atrás deles, amar pouco e fechar os olhos pro que importa são coisas que não mudam sozinhas, dependem da gente. Já disse isso há tempos, já escrevi no meu livro, só falta tatuar na cara: desalojar velhos vícios é muito difícil, mas muito necessário pra novos e bons ciclos. Não é um ano novo, um mês novo, um dia novo que vai mudar tudo. É o que faremos com eles e com as chances que nos serão dadas de mudar a vida.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Ficha Rosa: você é ou faz?

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Algumas recepcionistas de feiras e eventos são contratadas para prestar serviços sexuais para determinados clientes; o recrutamento das chamadas fichas rosa é feito nas redes sociais

Nome, idade, telefone, endereço, altura, manequim, medidas do busto e do quadril. Tem tatuagem? Onde? Disponibilidade para viagens? Valor cobrado pelo período de uma a duas horas? Aceita homens mais velhos? E mais novos? Transa com casais? Topa anal? Dupla penetração? Oral finalizado ou sem camisinha (caso o cliente tenha higiene)? E beijo na boca? O longo e incomum questionário poderia ser o cadastro a ser preenchido por uma candidata a emprego em uma casa de prostituição. Mas, com a promessa de uso exclusivo pela agência e manutenção das informações em sigilo, trata-se de um recrutamento das chamadas modelos ficha rosa, ou seja: aquelas que além do trabalho em feiras e eventos topam esticar o expediente para acompanhar clientes.

Com um cachê que pode chegar a 1.000 reais por duas horas, as meninas ficha rosa participam de eventos pequenos – como despedidas de solteiro –, a grandes produções – como salões de carros, feiras de corridas automobilísticas e exposições voltadas à indústria agropecuária. O mercado se baseia na ideia tradicional de que um corpo bonito é capaz de atrair mais clientela.

Tudo começou, reza a lenda, em meados dos anos 1990, quando a Shell colocou em seu estande uma modelo vestida com um macacão branco colado ao corpo e notou um aumento expressivo de visitas a seu setor. Desde então, é comum ver em grandes eventos Brasil afora “gostosas” que têm o papel de atrair mais visitantes e potenciais consumidores do produto à venda. Para a modelo ali ser considerada ficha rosa, no entanto, ela tem de topar também acompanhar os empresários que visitam essas feiras, seja em festas pós-evento ou mesmo para oferecer “favores sexuais” em troca de um cachê maior do que o previsto para trabalhar no estande.

A partir de um falso perfil no Facebook, CartaCapital buscou se informar sobre os detalhes de um trabalho ficha rosa. Fazendo-se passar por uma garota de 24 anos interessada nesse tipo de atividade, muitas agências, agenciadores e comunidades explicaram os requisitos para uma mulher bonita vir a se tornar ficha rosa, assim como as condições de pagamento.

Em uma das respostas, o perfil de uma agência de fichas rosa contou que a demanda parte do contratante. “O cliente nos passa o perfil da garota que ele deseja para um atendimento VIP ou evento. Nós indicamos as meninas ao cliente, mostramos as fotos das garotas conforme o perfil solicitado. O cliente informa qual foi a modelo escolhida, e nós entramos em contato com você para confirmar a disponibilidade, cachê, data, local e detalhes dos trabalhos”, explicou.

Em relação às condições de pagamento, neste caso, a comissão que cabe à agência gira em torno de 10% sobre o total do cachê. “Nossa comissão nos é repassada por você. Em alguns casos, onde temos um acordo com o cliente, ele paga nossa comissão por fora quinzenalmente ou mensalmente”, acrescentou.

Em um anúncio feito no mural de um grupo aberto, uma outra agência seleciona meninas ficha branca e ficha rosa, ou seja, as interessadas em apenas trabalhar como recepcionista em eventos e também as dispostas a “acompanhar clientes VIPs” e “fazer atendimento em hotéis e pousadas”. Com o título “Job Campos do Jordão – 8 vagas ficha rosa e 10 vagas ficha branca”, a agência pede envio de material fotográfico sem maquiagem ou alterações feitas pelo photoshop e lembra que os cachês para fichas rosa começam em 1.500 reais.

Outros agenciadores pedem, ainda, modelos ficha rosa para um trabalho de dois dias com disponibilidade para viajar para o interior paulista, com passagem, alimentação e hospedagem pagas em troca de um cachê de 3.000 reais. Há quem ofereça também 1.000 reais por duas horas para um “novo cliente em São Paulo”, sem a necessidade de experiência prévia e sob a promessa de ser “tudo bem discreto, seguro e sigiloso”.

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Ficha rosa na tela da Globo

O assunto tomou fôlego recentemente com a novela Verdades Secretas, da Globo, na qual o autor Walcyr Carrasco aborda a prostituição de luxo no mundo da moda. O mundo das tops, por sua vez, está urrando com o enredo e quer traçar uma linha divisória entre o trabalho em passarelas e eventos e a atividade exercida por quem faz parte do famoso “book rosa”, cardápio de modelos que fazem as vezes de acompanhantes e garotas de programas.

As fichas rosa, no entanto, não se consideram prostitutas, mas, sim, modelos que prestam serviços VIPs. O termo ficha rosa parece, portanto, dar certo status ao trabalho da meretriz. Além disso, muitas são meninas com curso superior, que revelam em seus perfis do Facebook terem estudado em universidades, em geral particulares, de prestígio ou não.

 O mesmo vale para homens modelos, que quando topam fazer além de eventos e recepções são chamados de ficha azul e acabam compondo o “book azul”.

No Brasil, explica o promotor de justiça Everton Luiz Zanella, a prostituição não é crime, mas facilitá-la é. “A pessoa que pratica o comércio do corpo de forma habitual não comete crime. Comete quem induz, atrai ou submete alguém à prostituição, impedindo essa pessoa de abandonar a atividade e se beneficiando dela”, observou o coordenador do centro de apoio criminal do Ministério Público de São Paulo.

O Código Penal prevê pena de dois a cinco anos para quem induzir ou atrair alguém para a prostituição (artigo 228), um a quatro anos se uma pessoa tirar proveito da atividade de prostitutas (artigo 230), dois a cinco anos para quem mantiver um estabelecimento destinado à prostituição (artigo 229), dois a seis anos para quem promover o deslocamento de alguém com esses fins dentro do País ou uma punição de três a oito anos de prisão quando se tratar de um deslocamento internacional (artigo 231).

Assim, em uma situação onde uma modelo ficha rosa é recrutada por uma agência para realizar um trabalho em outra cidade ou estado e ainda é obrigada a repassar parte de seu cachê como comissão, o agenciador estará sujeito à soma das penas referentes aos três tipos de crime: induzir à prostituição, tirar proveito dela e promover o tráfico interno de pessoas.

Zanella explicou, no entanto, que a prostituta em si nunca é punida. “Essas modelos ficha rosa, por exemplo, são consideradas vítimas do crime, uma vez que são exploradas. O crime seria contra a dignidade sexual delas”, afirmou. “Não se pune autoprostituição. Portanto, se a própria prostituta anunciar seus serviços não estará cometendo crime.”

Apesar de se mostrarem facilitadores, ferramentas como o Facebook ou sites que recrutam e anunciam modelos ficha rosa, raramente são punidos. É preciso comprovar que os administradores ou responsáveis por esses meios têm ciência de que estão sendo negociados ali serviços envolvendo a prostituição de terceiros.

O mesmo vale para os responsáveis por ceder o espaço onde ocorrem grandes feiras e exposições com modelos fichas rosa. Questionada sobre fichas rosa nos eventos realizados no Anhembi, em São Paulo, a responsável SPTuris diz desconhecer o tema e deixa claro que “a organização deve ser feita pela empresa locatária”, responsável pela mão de obra contratada. Organizadores de eventos nacionais de renome, por sua vez, responsabilizam os expositores de cada estande pelas contratações – do buffet a garçons, atendentes e recepcionistas –, alegando não ter como interferir nelas.

Fonte: Carta Capital

Segundo Jane Austen – os princípios de um casamento bem sucedido

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Na sua época, minha cara Miss Austen, era comum que as mulheres ignorassem os homens que amavam – porque expressar interesse não era decente. O que acha sobre isso?

Às vezes é desvantajoso ser muito reservada. Se uma mulher esconde seus sentimentos do objeto de sua afeição, pode acabar perdendo a oportunidade de conquistá-lo.

Então a senhorita não considera inteligente a tática de fingir desinteresse somente para despertar o interesse alheio?

Uma ligeira preferência é bastante natural, mas são poucos os que tem coragem o suficiente para amar sem receber algo em troca.

O que fazer, então?

Em nove a cada dez casos, a mulher deve mostrar mais afeição do que sente.

A senhorita acha prudente esperar algum tempo antes do casamento, para que o casal se conheça mais profundamente?

Se duas pessoas se casassem um mês depois de terem se conhecido, acredito que teriam tanta probabilidade de ser felizes quanto se passassem um ano estudando o caráter um do outro. A felicidade no casamento é apenas uma questão de sorte. Mesmo que os noivos conheçam de antemão as tendências um do outro, e que estas sejam semelhantes, sua felicidade posterior não estará garantida. Eles acabarãos e tornando suficientemente diferentes para que experimentem seu quinhão de amargura – e o melhor é conhecer o mínimo possível os defeitos da pessoa com a qual passaremos o resto de nossas vidas.

Nos dias de hoje, assim como na sua época, muitos homens e mulheres se casam por motivos financeiros. O que a senhorita acha disso?

Quando se vive em sociedade, um homem ou uma mulher casar-se por dinheiro é comum demais para chocar alguém como deveria. Pessoas que não se amam – ou estimam – não deveriam se casar. Qualquer coisa é preferível ou suportável a um casamento sem afeição.

O que a senhorita entende por um casamento feliz?

Um casamento feliz é baseado na mútua compreensão e em temperamentos semelhantes.

A senhorita pode nos oferecer um exemplo de algum de seus livros?

Jane Bennet e Charles Bingley. Ambos são tão tolerantes que jamais tomariam resoluções definitivas; tão indolentes que todos os criados os enganariam; e tão generosos que sempre gastariam mais do que possuem.

E um casamento infeliz?

Uma felicidade duradoura jamais pertenceria a um casal que somente se unia porque suas paixões eram mais fortes do que suas virtudes.

Quais são as qualidades que a senhorita valoriza em um homem?

A personalidade direta, sincera, arrebatada. Ardor e entusiasmo são qualidades cativantes. Acredito poder confiar muito mais na sinceridade daqueles que às vezes agem ou dizem algo afoito ou inconsequente do que naqueles cuja presença de espírito jamais se altera, cuja língua raramente escorrega. A firmeza é outra característica admirável; o problema de uma personalidade demasiado indecisa e complacente é não se poder confiar na influência exercida sobre ela.

Hmmm…

Mas, como todas as outras qualidades morais, a firmeza deve ter limites. Um temperamento dócil pode, algumas vezes, promover tanta felicidade quanto uma índole por demais determinada.

E os atrativos físicos, são importantes?

Não menosprezo a beleza, mas sei o quão raro é qualquer defeito físico que modos agradáveis não façam, aos poucos, passar para segundo plano.

Miss Austen, a senhorita vê alguma diferença entre o amor que uma mulher sente por um homem e o amor que um homem sente por uma mulher?

Cada um de nós parte de uma ideia preconcebida a favor de nosso próprio sexo, e sobre tal preconceito edificamos todas as circunstâncias favoráveis ocorridas em nosso próprio círculo. Mas eu mereceria o pior desprezo se ousasse supor que o afeto verdadeiro e a constância fossem vividos apenas pelas mulheres. O único privilégio que reivindico para meu próprio sexo – o que, por sinal, não é nada invejável – é o de amar por mais tempo quando se foi a existência ou a esperança.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

Audições Tecnológicas com Fábio Coelho, Presidente da Google Brasil

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