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As barraquinhas – na Semana Santa de Araçuaí

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Era assim… um misto de ansiedade e alegria velada a espera da chegada da Semana Santa em Araçuaí. Naquela época existia um negócio de ‘marcar presença’ no encontro de Nossa Senhora das Dores com o Senhor dos Passos. E logo depois o Dia de Lava Pés e até o êxtase da procissão do Senhor Morto – pronto. Maratona cumprida. Eu tinha no ensino primário uma professora muito católica, que fazia questão de todos os alunos dela fossem vistos no eventos da Igreja na Semana Santa.

Quando cheguei ao ensino fundamental achei que ficaria livre daquele “para casa” na Praça da Matriz (Igreja). Nada. Tive duas professoras de Ensino Religioso, uma delas ‘religiosa’ de carreira – encomendavam a presença dos alunos na festa Católica. E de fato, a minha Mãe e o meu Pai também inspiravam, incentivavam a minha participação. Uma festa religiosa e popular maravilhosa no Kiau. Era mágico ver os soldados romanos, a descida da cruz, o canto de Verônica e o teatro de Lava Pés.

Quem esquece as recomendações de Tó para o cuidado dos País para com os filhos? As chamadas para os Eventos seguintes da Semana Santa… aquela voz estridente, pausada e que emitia uma mensagem sem ruídos. Mas no final dos seus anúncios ele não esquecia de uma coisa. “Só podem ir para as barraquinhas depois da festa da Igreja”. E nós os jovens e adolescentes da época era também o que queríamos. Afinal de contas quem se esquece daquele “sobe e desce” da Avenida das barraquinhas. Havia de tudo: muita comida, bebida, brinquedos, música, algodão doce e maçã do amor. E o amor? Ah… com certa muita intenção de “amor”. Era aquela ‘caçada’… ninguém tinha a liberdade e a libertinagem de hoje. Na verdade ali nas ‘barraquinhas’ dar um beijo naquela garota da escola – era como uma prova dos nove. O bacana é que havia tanta gente, mas tanta gente que dava para enganar a galera e dizer que ficou com a garota… ninguém veria mesmo, só você e seu imaginário da paixão platônica.

Era divertido também… quantas vezes fui apenas com a grana da “maçã do amor”! Ou do algodão doce colorido. Me recordo que uma vez fiz uma grana maior… na caixa de engraxar sapatos e dava pra comprar a maçã, o pastel e um suco na barraca do “Sinvaldo Catador”… E, quando pedi o suco lembro que o funcionário da barraca disse que tinha que esperar, pois, a colher de misturar o açúcar no taxo de suco havia sumido. Aí o menino fala pro Sinvaldo… Ele com aquele jeitão dele disse pra mim: ‘você vai beber o suco agora’… O CARA ARREGAÇOU AS MANGAS DA CAMISA, DOBROU-AS ATÉ O COTOVELO E MISTUROU O AÇÚCAR COM A MÃO. Rsrsrsrsr… havia uma coisa que era muito ruim… não conseguir acompanhar a turma que você estava pra andar na avenida. Eu dei um grito pra Ele dizendo que Eu não queria mais o suco, que os meninos já tinham partido e que ele devolvesse o meu dinheiro que Eu não poderia perder deles. Foi minha salvação. O pior é que naquela época Ele (Sinvaldo Catador) se não me engando era o único a vender “bacalhau” na cidade. Como ir lá com minha mãe comprar no Sábado da Aleluia? Saudades daquela época. Ingênua. Doce de algodão e maçã do amor. Divertida.

Às vezes descobríamos que paquerávamos a mesma garota… a beijava quem fosse o mais bonito ou inteligente. Por uma atributo ou outro – Eu sempre saia contente. Uma vida colorida de balões de gás. Dolorida – éramos muitos pobres (materialmente) a Semana era Santa e solidária com a mesma calça jeans azul clara, a conga ou kichute – só não repetia (em dias seguidos) a camisa. Era um tempo de Fé, Compaixão e Ternura. Naquele tempo viver a Semana Santa e depois o Domingo de Páscoa era algo enigmático.

Comente a sua lembrança das “barraquinhas” da Semana Santa em Araçuaí.

Araçuaí: “de uns tempos para cá piorou demais”. Desabafa uma moradora desolada!

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Além da água, falta à região do Vale do Jequitinhonha estratégica política. Ou melhor, boa vontade, por parte principalmente dos governos (prefeitos) que administram o Vale. Não há como fazer um dilúvio – é obra para o mestre Deus. Mas é possível sim, políticas públicas de sobrevivência em períodos de estiagem crítica. Amenizar a situação com investimentos em tecnologia de captação de recursos hídricos no subsolo das cidades do Jequi. É possível fazer isso com perfurações mínimas e custo menor que 5 mil reais por “poços” de água. Falta também a participação do Estado (Minas) na solução do caso.

Moradores do Norte do estado e do Jequitinhonha bebem água de minas salobras ou das chuvas

“Eu não conto felicidade, não. Moro aqui desde que nasci e sempre foi uma vida difícil, mas de uns tempos para cá piorou demais. Não tem água mais para nada, a gente tem de usar esse barro aí”, lamenta Maria Aparecida Nunes Silva, 37 anos, moradora da comunidade de Lagoa do Boi Morto, na zona rural de Araçuaí. A água que abastece a casa da família, onde moram ao todo 10 pessoas – entre elas Davi Luiz Silva, de apenas 10 meses – é captada de uma cacimba (cova aberta para juntar água da chuva) feita pelos moradores. Essa água é usada para o consumo diário ou do Córrego Narciso.
Saiba mais…

Por ironia, Boi Morto fica a cerca de dois quilômetros da barragem do Calhauzinho, que tem água bem melhor. Relatório feito pelo Laboratório de Saúde Pública/Água da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais da água usada em Boi Morto indica que ela é imprópria para o consumo humano. O laudo é assinado pela coordenadora do laboratório, Sérgia Maria Starling Magalhães, e foi realizado a pedido da Comissão de Participação Legislativa da Assembleia Legislativa, que visitou a comunidade em companhia de técnicos da Copasa. Já houve uma tentativa de levar água da barragem para a localidade, mas ela fracassou pois precisava de “homens para cavar a vala”, conta Maria. É que na comunidade a maioria dos homens passa 10 dos 12 meses do ano em São Paulo, no corte de cana e colheita de café.

A abertura de poços tubulares é uma alternativa para o abastecimento de comunidades rurais. O problema é que em muitos lugares a água captada no subsolo tem qualidade ruim – é salobra. Mesmo assim, é distribuída sem receber nenhum tipo de tratamento. É o caso de Coqueirinho, onde vivem 10 famílias, na zona rural de Francisco Sá. A localidade do Norte de Minas, de 23,4 mil habitantes, fica a 469 quilômetros de Belo Horizonte. “A água que vem do poço tubular é muito salgada”, conta o vaqueiro Paulo César Santos Oliveira, pai de sete filhos. A água de beber da família é, na maior parte do ano, fornecida por um caminhão-pipa que o Exército cedeu para o município. Mas, como ele parou de rodar por falta de recursos, os tambores que ficam na porta da casa estão secos e empoeirados. “O jeito está tomar água salgada do poço mesmo”, diz Paulo César. A mulher dele, Maria Lucimar Oliveira, carrega nos braços o filho mais novo do casal, Júlio César, de apenas 1 mês e 10 dias.

Sem espuma

Já  em algumas localidades a água é tão salgada que é impossível bebê-la. É o caso da Lajinha, povoado de 20 família, distante 40 quilômetros da sede de Araçuaí. Lá, o sabão não espuma e a mão das mulheres fica branca e cortada. A água vem de um minadouro que brota do que restou do ribeirão que tem o mesmo nome do lugarejo. Mãe de cinco filhos, a dona de casa Luzia Dias Barbosa, 38 anos, uma das moradoras do povoado, ainda agradece ao “minador”, pois sem ele a família não teria água nem para tomar banho. O sal da água, segundo ela, endurece o cabelo e a roupa de cama, mas mesmo assim é usada. “Só não usamos mesmo para beber, aí tem de ser água da chuva ou da prefeitura”. Luzia conta que tem de ir pelo menos cinco vezes ao “minador” apanhar a água para a família. “Tenho até vergonha de falar, mas banho aqui a gente nem toma direito. Tem dia que a gente só lava o pé. Roupa de cama a gente não lava mais, pois gasta muita água e até mesmo a do minador acaba se todo mundo pegar.”

 Fervura, cloro e bomba

 Em Alfredo Graça, a 15 quilômetros de Araçuaí, moram cerca de 200 famílias. Nenhuma tem água tratada. A comunidade é abastecida diretamente do Rio Gravatá, que recebe também o esgoto de sete povoados ao longo do seu curso e de outros municípios da região. A água chega in natura à  casa das famílias. Quem tem mais recursos e informação a ferve antes de beber e também coloca cloro e outros produtos para clareá-la e reduzir as impurezas. O sistema de distribuição da água captada no rio é mantido pela própria população.

A presidente da Associação dos Moradores de Alfredo Graça, Gislene Guedes Medeiros, conta que desde 2005 os moradores assumiram o pagamento de um funcionário para dar manutenção na bomba usada para captar a água. No entanto, a bomba não consegue captar água suficiente para atender a demanda e costuma estragar. Além disso, o responsável não é um técnico especializado, e sim um morador. Quem não tem uma bomba aluga de quem tem. Encher uma caixa de 500 litros custa R$ 5. Se a pessoa morar longe, precisa de metros e metros de mangueira. O equipamento é ligado em uma extensão elétrica puxada até a beira do rio. A mangueira da bomba tem de ser mergulhada na água para ser puxada pela bomba que, por sua vez, é conectada à mangueira ou cano que leva a água até a caixa.

Uma das locatárias do equipamento é a dona de casa Sumaia Lemes Coelho, 31 anos, mãe de uma menina de 10. Seu pai, Joventino João Coelho, 79 anos, conta que ninguém na sua casa bebe água sem fervê-la e que quando a água chega à caixa ele sobe no telhado e coloca sulfato de alumínio por orientação de um técnico da prefeitura. “Não descuido de jeito nenhum. Sou pobre, mas gosto da coisa asseada.” O sonho de seu Joventino é se mudar de Alfredo Graça para a localidade de Pedra D’água , em Itaipé, também no Jequitinhonha. É que lá, diz seu Joventino, tem “água limpinha” . Esse também é o desejo da professora Gislene. “Os filhos do Vale sofrem muito. O nosso sonho aqui é pequeno. Sonhamos com água. Água potável?”.

Araçuaí: investimentos da ordem de R$ 1,2 milhões sem destino claro.

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Araçuaí: vereadores se recusam a assinar cheque em branco para o Executivo.

Após 2 sessões extraordinárias, o projeto de lei número 14 de suplementação orçamentária, proposto pelo Executivo Municipal, foi aprovado, após muita polêmica, na Câmara Municipal de Araçuaí, no Médio Jequitinhonha, no nordeste de Minas.

Asdúbal Teixeira, vereador da situação, acusou os vereadores da oposição de prejudicar a população. Estes por sua vez afirmaram que a culpa do impasse foi da prefeitura que não especificou onde parte dos recursos de um R$ 1,2 milhão seriam investidos. E que eles não poderiam aprovar um cheque em branco para o poder executivo municipal.

A polêmica foi causada em função da falta de clareza por parte executivo municipal que não especificou no escopo do projeto para onde seriam destinados os recursos da suplementação orçamentária. Segundo os vereadores da oposição somente os cerca de R$ 300 mil destinados à aquisição de ônibus escolares estavam claros. O restante dos recursos de R$ 1.2 milhão não.

Os vereadores solicitaram que o executivo enviasse um representante para esclarecer as dúvidas para que o projeto fosse votado. A Chefe de Gabinete esteve na Câmara Municipal na reunião do último 6 de maio. Entretanto, ela afirmou que foi esclarecer os valores referentes a aquisição do ônibus, que o restante do projeto quem poderia dar maiores informações era a Secretaria Municipal de Fazenda.

Diante da falta de informações, os vereadores da oposição não aceitaram votar o projeto por acordo de liderança. Foi marcada, então, uma nova reunião, no sábado, dia 7 de maio. Durante a reunião, a bancada da oposição apresentou uma emenda para ser votada aprovando somente os valores referentes à aquisição dos ônibus que estavam claros.

O município corria o risco de perder os recursos. Entretanto, os vereadores da situação não aceitaram e queriam votar o projeto como estava.

Na reunião foi apresentada uma tabela, especificando alguns itens para onde iriam os recursos. Os vereadores da oposição não aceitaram porque a tabela foi enviada por e-mail e sem assinatura, não tendo validade legal.

Além disso, eles argumentaram que mesmo nesta tabela não ficava claro para onde iriam os recursos. Sem consenso, o projeto foi para votação sendo aprovado por 4 votos a 3, com uma abstenção a do vereador Arthur Cândido. O presidente da casa Carlindo Dourado não precisou desempatar. Mesmo assim ele afirmou que votaria a favor.

Através da Lei de Diretrizes Orçamentária, o Executivo Municipal pode utilizar somente 1% do orçamento sem autorização da Câmara. Ultrapassado esse valor, a prefeitura é obrigada a enviar as alterações orçamentária para o Legislativo para este aprovar as modificações.

No domingo, 08 de maio, foi realizada a ultima sessão e o projeto foi aprovado pelo mesmo placar 4 x 3. O vereador Elias Esteves afirmou que votou contra por que se assim não o fizesse estaria assinando um cheque em branco para a Prefeitura de Araçuaí.

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