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A Seleção Brasileira é um time de guerreiros. Mas quem é o inimigo?

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f3443dfb-bd02-40df-a1e0-c089632b699dNão foi porque o Paulinho saiu. Nem porque o Fernandinho entrou. Ou porque o Felipão mexeu mal. Porque o Jô não é jogador para Copa. Porque o Neymar foi anulado. Porque o meio-campo evaporou. Ou porque faltou raça, vontade, aplicação. Os motivos que levaram a seleção brasileira a entrar em pânico na partida contra o Chile, no sábado 28, passaram longe das explicações mágicas para referendar ou desmontar análises táticas ao fim de cada duelo. O pânico, que travou pernas e mentes, tomou a proporção que tomou durante 120 minutos do jogo porque todo mundo, da comissão técnica aos torcedores, pareceu se esquecer de que aquela era uma partida de futebol, e não uma guerra. Uma guerra construída desde a preleção, com a evocação da honra, da nação, do orgulho, do amor, da justiça divina e das lágrimas. O arsenal levou a equipe a entrar em campo com o peso de um país rendido pelo inimigo.

Mas quem era o inimigo?

A depender das reações ao fim da partida, eram todos: o rival que entrou na maldade, o juiz que errou no gol do Hulk, a desconfiança de quem apostou no fiasco, a imprensa que martelou todos os erros de uma equipe que não pode, não deve nem ouse pensar em perder o Mundial da redenção, o único capaz de expurgar nossas chagas expostas desde a Copa de 50.

A construção do inimigo incorporou nas quase linhas de campo mais que uma linguagem: incorporou na equipe o espírito de uma sociedade violenta em sua base. “Vencer”, afinal, é imperativo aos filhos chamados pelos pais de “campões” antes mesmo de sair da fralda. A eles é dito o tempo todo: sejam homens, sejam dignos, passem no vestibular, atropelem os concorrentes, subam no emprego, queimem os rivais, aliem-se aos poderosos, mantenham a guarda, protejam os seus, espalhem alarmes e cercas elétricas, tenham cuidado com o vizinho, com o prefeito, com o padre, com todo mundo que tentar tomar seu dinheiro, sua honra, seu passado, e condenem à morte, pelas leis ou pela pistolagem, todos os que morderem seus calcanhares, a começar pelos vagabundos que vagam pelas ruas.

Assim vivemos em estado permanente de guerra, declarada ou não, que pode ser vencida ou não, mas que não permite o sabor de uma trégua. E morremos um pouco a cada dia, sufocados, pressionados, equilibrando pratos, somatizando chutes na boca e lambendo botas para não chegar em casa com a vergonha de dizer: “fracassei”.

Esse espírito do funcionário-padrão que se acredita guerreiro vitorioso está espalhado por todos os setores da equipe de Luiz Felipe Scolari. Dá para ver no olho dos jogadores perfilados para cantar o hino à capela: as lágrimas, anteriores à partida nem sequer iniciada, parecem o transbordamento não de uma alegria, mas de um ódio contra tudo e contra todos que mal cabe no corpo.

Ódio de quê?

Da projeção de uma ideia de que a seleção não é a manifestação, mas a própria identidade de nação. Antes e depois dos jogos, a confirmação de que o nacionalismo é de fato o último reduto dos idiotas parece claro quando nós (este escriba, inclusive) reproduzimos um discurso segundo o qual “aqui é Brasil, somos os donos dessa Copa e ninguém vai vir aqui pisar em cima da nossa bandeira sem passar em cima dos nossos cadáveres”.

Por isso vemos jogadores como David Luiz, ótimo zagueiro da seleção, correr para a torcida com os olhos cheios de lágrimas e o antebraço quase esfolado de tanto bater com a palma da mão para mostrar que ali corria sangue. Porque nada menos do que a salvaguarda dessa ideia esperamos dos guerreiros, digo, jogadores da seleção.

Sobrou para os chilenos, adversários dignos e vizinhos respeitáveis que durante 120 minutos foram nomeados inimigos maior da pátria e sofreram a descortesia de ouvir as vaias dos anfitriões durante a execução de seu hino. Naquele momento estava claro que o Brasil havia levado a sério demais a ideia de que nós (nós: eu, você, a seleção, o vizinho, o dono da padaria e até o dono do jornal que você detesta) somos um time de guerreiros, que não desiste nunca, que não se dobra jamais e blábláblá. Por isso foi insuportável assistir à partida. Porque vimos em campo soldados, e não jogadores de futebol, os artistas capazes de arrancar a graça em um jogo calculado por meio do drible, do improviso, da surpresa, da leveza e da amplitude. É quando o futebol deixa de ser uma concessão pra sorrir para se tornar uma batalha, triste como a mais ordinária das rotinas, em que só vence quem mata mais e morre menos.

Ao fim do jogo, ainda confuso entre alívio, alegria e certa tristeza, assisti à exaustão a entrevista do goleiro Júlio César, heroi da partida com dois pênaltis defendidos. Fosse uma guerra, seria laureado com medalhas de honra, palmas e aplausos, sem perceber que na próxima sexta-feira será empurrado novamente para o front, de novo na linha de frente, e que condecoração alguma o salvará da saraivada de tiros em caso de fracasso. Por isso, ao ouvi-lo falar de orgulho, honra e reconquista, senti apenas pena. Pena pelos quatro anos em que viveu como um apátrida por ter falhado nos gols contra a Holanda, na já distante Copa de 2010. Aquelas lágrimas não pareciam ser de alegria, como afirmou, mas de um ódio por tudo o que ouviu e pensou em ouvir em caso de novo fracasso: de todos os que colocariam às suas costas o projeto do que poderíamos ter sido e não fomos. Senti pena como sinto pena dos soldados, condecorados ou não, vitoriosos ou não, que colocam a valentia em teste e perdem sua vida por uma causa: a honra, o orgulho, a bandeira, a glória, a nação. É em nome desses termos, tão abstratos como o vento, que os homens vão à luta não para espalhar a liberdade, como prometeram a eles, mas para morrer.

Assim começam e terminam todas as guerras, concluí ao fim da entrevista do goleiro. Nenhum general motiva o soldado a morrer falando em barbárie, em terror, em destruição. Convence o sujeito a morrer falando sobre valores: a maldita honra, o maldito orgulho, a maldita bandeira, a maldita glória e a maldita nação (e a maldita evocação a Deus, claro, pai de todos sem distinção mas que escolhe quem mata e quem morre conforme a amplitude da reza).

Se em uma guerra não há vencedores, o Brasil não venceu a partida contra o Chile nem contra Camarões nem contra a Croácia e nem contra o México na Copa das Confederações, quando descobrimos um novo grito de guerra ao cantar o hino à capela. Perdemos todos. Perdemos no instante em que transformamos a partida em uma questão de honra e absorvemos no campo a linguagem de uma sociedade já suficientemente violenta e injusta e, em vez de alegrias e amplitudes, falamos em honra, orgulho, bandeira, glória e nação. Em nome de tudo isso matamos Júlio César por mais de quatro anos, e só agora damos a ele o direito de falar com a cabeça erguida diante da câmera – um direito negado a Barbosa, que não teve outra chance em 54.

Ao fim da entrevista, pensei em telefonar ao goleiro da seleção brasileira, de quem não tenho o telefone, e dizer: meu amigo, só Deus (e meus pacientes vizinhos) sabe o quanto vibrei ao ver suas muitas defesas contra o Chile. Mas de minha parte pode ficar tranquilo: você não me devia nada. Você, ao que tudo leva a crer, é um grande sujeito, com ou sem milagres redentores em campo, e não merece ser sacrificado em meu nome nem em nome de ninguém (as falhas em 2010 nem foram tão falhas assim). Essa guerra da Copa, como todas as guerras, é só uma velha ficção: por ela inventa-se um inimigo para unir uma nação em nome de muito pouco ou quase nada. Ficaremos felizes e guardaremos para sempre a lembranças da Copa se tudo der certo. Mas ainda assim será só futebol, e só terá graça se for só futebol. Quando vira guerra vira outra coisa. Vira trauma, vira pânico, vira tristeza. Mesmo quando levamos a taça, somos apenas a expressão daquela gente honesta, boa e comovida da música de Belchior. Aquela gente que caminha para a morte pensando em vencer no campo e na vida.

Fonte: Carta Capital / por Matheus Pichonelli

O principal legado da Copa é invisível aos olhos

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Por Marcelo Freitas*,

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O principal legado da Copa é invisível aos olhos. Não está nos estádios, muito menos nos metrôs e BRTs. Em sete anos de execução, o projeto Copa do Mundo produziu algo que, pelo menos até onde eu sei, nunca ocorreu no Brasil: a junção, independentemente de partidos políticos, das três esferas que compõem o chamado Estado brasileiro – governo federal, estados e municípios – em torno de um único projeto: garantir as condições necessárias à realização, em território nacional, do campeonato mundial de futebol. Além disso, o projeto Copa, de certa forma, começa a derrubar o mito de que o Estado brasileiro planeja mal e também gasta mal os recursos públicos. Isso não é verdade.

Todos os estádios projetados foram construídos; todos os jogos programados serão realizados na data prevista, no horário previsto e nos locais previstos. Está tudo às mil maravilhas? Não. Há obras de mobilidade incompletas. Há outras que foram abandonadas no meio do caminho. Aí, os críticos do poder público dirão: se fosse a iniciativa privada isso não teria acontecido. Não é bem assim. A iniciativa privada também erra. Uma montadora quando produz um carro que não vende, ou vende abaixo do esperado, como é muito comum, cometeu um erro de projeto. A diferença é que isso não recebe da mídia tanto destaque quanto um erro de planejamento do poder público.

É até natural que seja assim, porque recurso público é um dinheiro que deveria ser usado em projetos de interesse da coletividade. No caso da montadora, o erro de planejamento de um automóvel é uma notícia que interessa apenas aos seus concorrentes, quando muito, aos acionistas. O problema é que, com o correr do tempo, isso acabou criando, no Brasil, o mito de que o poder público, por natureza, é perdulário, o que não é verdade. Há erros de planejamento? Há, porque o erro é da natureza humana. E não ocorre só no Brasil. Basta citar o caso recente dos trens franceses, cujas especificações de largura não batem com a das plataformas onde deveriam parar. Ou do aeroporto alemão que fica com as luzes acesas dia e noite. Outro caso emblemático: o do Itaquerão. Os atrasos ocorridos na reta final não foram de responsabilidade do poder público. Foram dos empreiteiros privados – o acidente com o guindaste e a paralisação da montagem das estruturas metálicas porque as condições de segurança estavam aquém do mínimo.

Portanto, quando se busca descobrir o legado da Copa é preciso ir além daquilo que nossos olhos vêem e que somente agora começa a aparecer, como os centros integrados de operação das cidades, que reúnem as três esferas do poder público e que continuarão a funcionar após a Copa.

O passo mais importante foi dado. O ideal seria que essa imensa logística integrada de operação do Estado brasileiro, em seus três níveis, fosse replicada, a partir de agora, para a educação, a saúde, a segurança e a mobilidade urbana, apenas para citar algumas áreas. O modelo já se tem. Ele constitui o legado mais importante da Copa. Mas é invisível aos olhos.

(*) Marcelo Freitas é jornalista e professor de Comunicação (por excelência afinal, do qual tive a honra de ser aluno).

 

Copa do Mundo de 2014 no Brasil

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A canções que sonorizam a Copa do Mundo no Brasil – Copa de 2014.

Carnaval: é a celebração da desconstrução social, segundo o antropólogo Roberto Damatta.

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tumblr_mdgq2h99px1qa0zf5o1_500Todo brasileiro nasce num Brasil que tem Carnaval. Sabemos que o Brasil é Brasil por causa do Carnaval. Dizer isso parece trivial, mas não é. Nem todo mundo conheceu o Brasil dos imperadores, dos escravos e das ditaduras. Quantos de vocês, leitores, andaram de bonde? Ou viveram numa São Paulo sem crimes e engarrafamentos colossais e num Rio de Janeiro com a Baía de Guanabara despoluída?

Se a sociedade pode ser comparada a um tea­tro, então existem coisas passageiras e dramas permanentes que nos dão a certeza de estar vivendo num mesmo lugar. Mudou o estilo de se vestir, de comer e de morar; as cidades ficaram enormes, chegamos à era dos computadores e dos telefones celulares; trocamos a moeda e o mundo globalizou-se. E o Carnaval continua.

Ele tem sido uma das poucas coisas permanentemente nacionais. A repetição festiva, como disse Thomas Mann, é a abolição da diferença entre o ser e o ter sido. Todo ano tem Carnaval – e todo ano é o Carnaval que, talvez mais do que qualquer outra instituição nacional, nos certifica da continuidade do Brasil. Apesar de todas as mudanças, inclusive as que ocorreram no próprio Carnaval. Imaginar um Brasil sem Carnaval seria como imaginar uma noite sem lua ou um arroz sem feijão. Existem planos para acabar com tudo no Brasil, menos para proibir o Carnaval.

Claro que existem Carnavais em outros lugares – senão em todos os lugares. Mas há um “Carnaval brasileiro”. Tem muita gente que jura que ele só existe no Brasil. Daí a necessidade de qualificá-lo – de saber o que ele diz do Brasil.

Outro dia me perguntaram sobre suas origens. Não teria o nosso Carnaval nascido na Índia, nos festivais nos quais as castas se misturam? Na Grécia de Dionísio ou na Roma de Saturno? Respondi observando se ele não teria também nascido na Idade Média, quando Deus brigava diariamente com o Diabo – esse patrão dos excessos, do luxo e da libertinagem, marcas do nosso festejo.

Se, entretanto, passarmos das origens para o significado, compreenderemos por que o Carnaval tem essa centralidade no Brasil. Uma importância inexistente em outros lugares, como Estados Unidos, Itália ou Alemanha, onde ele não é nacional, mas local. Os estudiosos das festas e dos rituais classificam essas ocasiões em que as rotinas são provisoriamente abandonadas em dois tipos. Existem as celebrações da ordem (chamadas de solenidades) e as da desordem (os bailes, as festas, as folias). Há encontros que salientam o sério e o sagrado, em que não se pode rir, como as procissões ligadas à Igreja, ou as paradas militares, ligadas ao governo; e as festas do riso e da desordem, sempre relacionadas ao “povo” e aos “pobres”. Nas primeiras, usamos uniformes; nas segundas, máscaras e fantasias. As primeiras são rezadas e faladas; nas outras, o modo de comunicação é a dança e o canto.

Não há dúvida de que, na ordem capitalista hoje dominante – este mundo baseado na economia e no equilíbrio das contas –, as festas que celebram o excesso, a nudez, o canto, a dança, a rua, o riso, o uso de máscaras, a bebida e a sensualidade (sem suas consequências) são mais raras. Daí o lugar especial do Carnaval brasileiro. Mas elas existem também em outras sociedades. Mais que isso, todas as festas combinam ordem com desordem, formalidade com informalidade.

Imaginar um Brasil sem Carnaval seria como imaginar uma noite sem lua ou um arroz sem feijão

Um bom exemplo é um casamento que começa na igreja, no templo ou no cartório, debaixo do olho e da voz de um celebrante oficial (um padre, pastor ou juiz). E, depois da formalidade, vêm os esperados “comes e bebes”. O sermão que ainda está em nossos ouvidos é substituído pela estrondosa música para dançar e juntar o que estava separado: as famílias e os convidados dos nubentes e, simbolicamente, o noivo e a noiva que, depois da cerimônia, estão livres para se unir amorosamente.

Carnavais e carnavalizações servem para legitimar uniões ou entrelaçamentos entre os diferentes por meio do canto, da música e da dança e, acima de tudo, do riso que dissolve barreiras; ao passo que as festividades da ordem reforçam a autoridade e as diferenças. Nos Carnavais, há uma licença para o abuso – para o que ocorre abaixo da cintura –, que acaba ficando normal e até mesmo obrigatório. Nas solenidades, salientam-se as mãos e o que fica no hemisfério superior do corpo. Mas, notem bem, toda desordem é seguida de ordem, e toda ordem de desordem. Por isso, o Carnaval termina nas cinzas da Quarta-Feira, que marcam o início da Quaresma – um tempo que anuncia o suplício de Cristo; e os casamentos e as formaturas (e muitos funerais) terminam em orgias e grandes bebedeiras. Antes da disciplina rígida que manda “abandonar a carne” (carne levare), a orgia.

Como seres sociais, fabricantes involuntários e colaboradores de um teatro para o qual não pedimos para entrar, precisamos tanto do controle que norteia o mundo do trabalho quanto do descontrole que faz a festa – e, num sentido inconfundível, é a própria festa.

“Já se observou muitas vezes que uma comunidade se retrata tão bem por meio de seus divertimentos como por meio de suas maneiras de pensar e agir sério”, escreveu o comerciante inglês John Luccock em seu livro Notas sobre o Rio de Janeiro, publicado em 1829. Ele falava do entrudo – uma forma que antecedeu o Carnaval – e arrematava: “No entrudo ficamos todos bobos!”. A festa desloca as razões e a lógica do bom-senso vigente no mundo diário, abandonando, reforçando ou invertendo rotinas. Um sujeito vai a um restaurante e gasta numa refeição todo o dinheiro do mês. No Carnaval, um conhecido se fantasia de palhaço, outro de mulher, outro passa horas tocando na bateria de sua escola. Estão “brincando” ou “trabalhando”? A mãe que passa horas fazendo o bolo do aniversário do filho está na mesma situação. Como disse o viajante inglês, os divertimentos nos levam às estruturas mais profundas da vida social. Celebrar é um modo de fazer, mas fazer sendo alguma coisa. Ora, fazer de um jeito ou de outro é o que permite saber quem somos e quem são os estrangeiros. Sabemos que somos brasileiros porque, numa época do ano, “brincamos” e “pulamos” Carnaval!

O que seria de nossas vidas sem esses significados extrarracionais de viver em sociedade? Essa é a pergunta que levantei em meu livro Carnavais, malandros e heróis, publicado em 1979. Nele, eu falava precisamente desse imenso custo para celebrar algo tão vago quanto a alegria e a sensualidade. O contraste com outros festejos nacionais – uma festa em honra de Nossa Senhora de Nazareth ou a Independência do Brasil – é enorme. Num caso, há motivo e lógica; no outro, do Carnaval, há apenas a celebração em estado puro. Ou quase puro, porque o Carnaval promove uma abertura para as camadas populares, para o povo pobre que, nos desfiles de antigamente, era vaiado quando desfilava.

Se o Carnaval tem algum sentido, ele está numa estética da igualdade que apresenta o corpo pobre, mas harmonioso e belo; e a massa, que deveria se revoltar, envolta em fantasias e contando, na forma de um samba, histórias impossíveis. Caso você não concorde comigo, leitor, não fique zangado nem ofendido. O Carnaval é riso, engano e mentira. Por isso, ele está tão dentro do Brasil.

Fonte: Época (em revista)

Sustentabilidade: cresce no Brasil e no Mundo o consumo de produtos orgânicos.

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istock_000019966097small_4304O mercado de orgânicos está ganhando força. Em 2013, o setor cresceu 10% em nível global, faturando US$ 60 bilhões. No Brasil, 74 empresas exportadoras desse tipo de produto movimentaram US$ 130 milhões, mostraram dados divulgados peloProjeto Organics Brasil.

Outra boa notícia é que o Brasil está negociando a criação de um convênio com o Mercado Comum Europeu (MCE), trazendo a expectativa de impulso aos negócios já no curto prazo. No médio, a meta do projeto é atingir 100 empresas brasileiras participantes até o final de 2014.

“O Brasil já é conhecido por ter produtos de qualidade, porém ainda tem a imagem de fornecedor de matéria-prima. Vamos investir no branding dos produtos, promover o interesse em inovar e melhorar o nível de empreendedorismo sustentável dos produtores, das cooperativas e das empresas”, afirma o coordenador executivo da iniciativa, Ming Liu.

Fonte: As Boas Novas

Acorda Eduardo… a Marina Silva mais te atrapalha e ajuda Dilma. Aécio, nem se fala…

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A presença de Marina Silva produz efeitos colaterais que ameaçam isolar o governador pernambucano no páreo da eleição presidencial

Que tente tapar o sol com a peneira quem quiser tentar. Inútil. Não é possível mais esconder as trombadas entre Eduardo Campos e Marina Silva e as consequências derivadas desse choque.

A relação entre os dois é um modelo novo de coligação entre um partido existente, o PSB, e um partido inexistente, a Rede Sustentabilidade. Por isso, Marina não é apenas ornamentação. Tem vez e voz.

A melhor imagem para explicar a aliança é a maternidade. O PSB seria a “barriga de aluguel”, onde está em gestação a Rede. A “barriga” de Marina, puxando votos, representa o ventre onde cresce a candidatura de Eduardo Campos.

As pesquisas de opinião dão indícios de que ela tem condições de transferir para Eduardo Campos parte de votos prometidos, até então, a ela. É possível considerar, pela última pesquisa Ibope, que os 6 pontos de crescimento (de 4% para 10%) do pré-candidato do PSB resultaram da retirada do nome dela da disputa. É, porém, mais um caso de suposição do que de ciências exatas.

Há sinais mais fortes que a transferência de votos. A presença de Marina provoca efeitos colaterais desastrosos para Eduardo Campos. Pode, por exemplo, isolar a quase solitária candidatura do governador de Pernambuco à Presidência da República. Ele precisa de aliados, de recursos e de tempo na televisão. O PSB, sem alianças, dispõe de 1m40s do horário eleitoral.

Nesse “casamento” com Marina, inesperado, Campos é quem faz a costura política. Para dentro e para fora. Presidente do PSB, ele tem poder incontestável na agremiação.

Marina descostura com a prática do excesso de zelo. É a guardiã da pureza política inalcançável.  Ela já tem um boletim de ocorrências negativas grande para tão pouco tempo de atuação como parceira e virtual candidata à Vice-Presidência.

Desferiu o primeiro ataque contra Ronaldo Caiado (DEM), identificado como “inimigo histórico”. Recém-chegada ao PSB, ela não sabia que provocaria com a declaração o rompimento de uma aliança eleitoral que Campos costurava em Goiás. Mas não parou por aí. Bloqueou a aproximação do PSB com o PDT, partido que, na definição dela, conduz o Ministério do Trabalho “como um feudo”.

Na segunda-feira 4, criou atritos numa reunião, em São Paulo, para definir a estratégia política no maior colégio eleitoral do País. Ela defendeu a necessidade de ter um candidato próprio no estado. Tinha na bolsa o nome do deputado Walter Feldman.

Em São Paulo, o PSB trabalha, porém,  pela reeleição do tucano Alckmin. E assim será. Marina perdeu. Há, inegavelmente, nessa aliança uma contradição entre o que parece ser novo com o que parece ser velho.

Campos é um político clássico. Não pede a carteira de identidade ao filiado. Foi ao Piauí para consolidar o apoio do ex-senador Heráclito Fortes, ex-DEM e agora do PSB, um político com feitos negativos que dispensam apresentação.

Não é possível, porém, imaginá-la dando as boas-vindas a Heráclito com um sorriso constrangedor ou, muito menos, com um beijinho amigável nas descomunais bochechas dele. Pelo apoio de Heráclito, Marina nunca iria ao Piauí.

Fonte: Carta Capital

Brasileiros em trânsito também foram espionados pelos EUA.

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O ex-técnico da CIA Edward Snowden, que denunciou um gigantesco esquema de espionagem liderado pela Agência Nacional de Segurança dos EUA
Foto: HANDOUT / REUTERS/9-6-2013
O ex-técnico da CIA Edward Snowden, que denunciou um gigantesco esquema de espionagem liderado pela Agência Nacional de Segurança dos EUA HANDOUT / REUTERS/9-6-2013

RIO – Na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no país, se tornaram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency – NSA, na sigla em inglês). Não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.

É o que demonstram documentos aos quais O GLOBO teve acesso. Eles foram coletados por Edward Joseph Snowden, técnico em redes de computação que nos últimos quatro anos trabalhou em programas da NSA entre cerca de 54 mil funcionários de empresas privadas subcontratadas – como a Booz Allen Hamilton e a Dell Corporation.

No mês passado, esse americano da Carolina do Norte decidiu delatar as operações de vigilância de comunicações realizadas pela NSA dentro e fora dos Estados Unidos. Snowden se tornou responsável por um dos maiores vazamentos de segredos da História americana, que abalou a credibilidade do governo Barack Obama.

Os documentos da NSA são eloquentes. O Brasil, com extensas redes públicas e privadas digitalizadas, operadas por grandes companhias de telecomunicações e de internet, aparece destacado em mapas da agência americana como alvo prioritário no tráfego de telefonia e dados (origem e destino), ao lado de nações como China, Rússia, Irã e Paquistão. É incerto o número de pessoas e empresas espionadas no Brasil. Mas há evidências de que o volume de dados capturados pelo sistema de filtragem nas redes locais de telefonia e internet é constante e em grande escala.

Criada há 61 anos, na Guerra Fria, a NSA tem como tarefa espionar comunicações de outros países, decifrando códigos governamentais. Dedica-se, também, a desenvolver sistemas de criptografia para o governo.

A agência passou por transformações na era George W. Bush, sobretudo depois dos ataques terroristas em Nova York e Washington, em setembro de 2001. Tornou-se líder em tecnologia de Inteligência aplicada em radares e satélites para coleta de dados em sistemas de telecomunicações, na internet pública e em redes digitais privadas.

O governo Obama optou por reforçá-la. Multiplicou-lhe o orçamento, que é secreto como os de outras 14 agências americanas de espionagem. Juntas, elas gastaram US$ 75 bilhões no ano passado, estima a Federação dos Cientistas Americanos, organização não governamental especializada em assuntos de segurança.

Outro programa amplia ação

A NSA tem 35,2 mil funcionários, segundo documentos. Eles informam também que a agência mantém “parcerias estratégicas” para “apoiar missões” com mais de 80 das “maiores corporações globais” (nos setores de telecomunicações, provedores de internet, infraestrutura de redes, equipamentos, sistemas operacionais e aplicativos, entre outros).

Para facilitar sua ação global, a agência mantém parcerias com as maiores empresas de internet americanas. No último 6 de junho, o jornal “The Guardian” informou que o software Prism permite à NSA acesso aos e-mails, conversas online e chamadas de voz de clientes de empresas como Facebook, Google, Microsoft e YouTube.

No entanto, esse programa não permite o acesso da agência a todo o universo de comunicações. Grandes volumes de tráfego de telefonemas e de dados na internet ocorrem fora do alcance da NSA e seus parceiros no uso do Prism. Para ampliar seu raio de ação, e construir o sistema de espionagem global que deseja, a agência desenvolveu outro programas com parceiros corporativos capazes de lhe fornecer acesso às comunicações internacionais.

Um deles é o Fairview, que viabilizou a coleta de dados em redes de comunicação no mundo todo. É usado pela NSA, segundo a descrição em documento a que O GLOBO teve acesso, numa parceria com uma grande empresa de telefonia dos EUA. Ela, por sua vez, mantém relações de negócios com outros serviços de telecomunicações, no Brasil e no mundo. Como resultado das suas relações com empresas não americanas, essa operadora dos EUA tem acesso às redes de comunicações locais, incluindo as brasileiras.

Ou seja, através de uma aliança corporativa, a NSA acaba tendo acesso aos sistemas de comunicação fora das fronteiras americanas. O documento descreve o sistema da seguinte forma: “Os parceiros operam nos EUA, mas não têm acesso a informações que transitam nas redes de uma nação, e, por relacionamentos corporativos, fornecem acesso exclusivo às outras [empresas de telecomunicações e provedores de serviços de internet].”

Companhias de telecomunicações no Brasil têm esta parceria que dá acesso à empresa americana. O que não fica claro é qual a empresa americana que tem sido usada pela NSA como uma espécie de “ponte”. Também não está claro se as empresas brasileiras estão cientes de como a sua parceria com a empresa dos EUA vem sendo utilizada.

Certo mesmo é que a NSA usa o programa Fairview para acessar diretamente o sistema brasileiro de telecomunicações. E é este acesso que lhe permite recolher registros detalhados de telefonemas e e-mails de milhões de pessoas, empresas e instituições.

Para espionar comunicações de um residente ou uma empresa instalada nos Estados Unidos, a NSA precisa de autorização judicial emitida por um tribunal especial (a Corte de Vigilância de Inteligência Estrangeira), composto de 11 juízes que se reúnem em segredo. Foi nessa instância, por exemplo, que a agência obteve autorização para acesso durante 90 dias aos registros telefônicos de quase 100 milhões de usuários da Verizon, a maior operadora de telefonia do país. Houve uma extensão do pedido a todas as operadoras americanas – com renovação permanente.

Fora das fronteiras americanas, o jogo é diferente. Vigiar pessoas, empresas e instituições estrangeiras é missão da NSA, definida em ordem presidencial (número 12333) há três décadas.

Na prática, as fronteiras políticas e jurídicas acabam relativizadas pelos sistemas de coleta, processamento, armazenamento e distribuição das informações. São os mesmos aplicados tanto nos EUA quanto no resto do mundo.

Todo tipo de informação armazenada

Desde 2008, por exemplo, o governo monitora com autorização judicial hábitos de navegação na internet dentro do território americano. Para tanto, exibiu com êxito um argumento no tribunal especial: o estudo da rotina online de “alvos” domésticos proporcionaria vigilância privilegiada sobre a prática online cotidiana de estrangeiros. Assim, uma pessoa ou empresa “de interesse” residente no Brasil pode ter todas as suas ligações telefônicas e correspondências eletrônicas – enviadas ou recebidas – sob vigilância constante. A agência armazena todo tipo de registros (número discado, tronco e ramal usados, duração, data hora, local, endereço do remetente e do destinatário, bem como endereços de IP – assim como sites visitados). E faz o mesmo com quem estiver na outra ponta da linha, ou em outra tela de computador.

Começa aí a vigilância progressiva pela rede de relacionamento de cada interlocutor telefônico ou destinatário da correspondência eletrônica (e-mail, fax, SMS, vídeos, podcasts etc.). A interferência é sempre imperceptível: “Servimos em silêncio” – explica a inscrição numa placa de mármore exposta na sede da NSA em Washington.

Espionagem nesse nível, e em escala global, era apenas uma suspeita até o mês passado, quando começaram a ser divulgados os milhares de documentos internos da agência coletados por Snowden dentro da NSA. Desde então, convive-se com a reafirmação de algumas certezas. Uma delas é a do fim da era da privacidade, em qualquer tempo e em qualquer lugar. Principalmente em países como o Brasil, onde o “grampo” já foi até política de Estado, na ditadura militar.

Fonte: O Globo

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