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Sininho. Quem tem medo dela?

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downloadE então só se fala de Sininho, a ativista nascida no Rio Grande de Sul e radicada no Rio de Janeiro.

A Globo e a Veja estão massacrando Sininho, e isto leva a crer que a garota tem virtudes.

Sininho, 28 anos, cineasta, é essencialmente uma jovem inconformada com o “sistema”.

Que jovem idealista não estaria, diante das circunstâncias?

Você vê índios sendo mortos, operários se destruindo nas obras da Copa, brasileiros miseráveis sendo removidos de suas casas precárias por causa do Mundial – e vai ficar conformado, se tem sensibilidade social?

A cidade em que vive Sininho ajuda também a entender seu inconformismo: como aturar, sentado no sofá, o desgoverno de Cabral?

“Ah, não vamos para a rua porque Cabral é chapa do Lula”: quem diria isso?

E então os jovens vão às ruas e são recebidos pela polícia predadora de Cabral, sob a omissão de um governo federal que não podia mexer nos brios de seu aliado.

Ora, condenar Sininho é farisaico.

Ela representa o espírito do tempo. Seus pais, segundo ela, participaram da fundação do PT.

Mas para ela, e para muitos outros jovens da mesma geração, o PT acabou por se transformar no sistema.

Ou você quer que Sininho veja Lula abraçado a Maluf e Sarney ou Dilma comprometida com os ruralistas e se sinta representada?

Querer transformar os black blocs em terroristas é uma falácia, um gesto cínico e indefensável.

Que a direita faça isso, entende-se por seu apego a privilégios e medo de tudo que represente oposição a regalias ancestrais.

Mas o PT?

As acusações são bizarras. Eles são atacados porque são “mascarados”. E daí? Tentaram matar uma família num carro quando tudo que ocorreu foi que um motorista assustado tentou passar com seu Fusca baixo sobre um colchão em chamas.

Mataram o cinegrafista e conseguiram seu primeiro cadáver.

Ora, foi um acidente lastimável, triste, mas foi exatamente isto: um acidente. Ninguém pegou uma arma e atirou contra Santiago.

Coube a Sininho mesma trazer um pouco de lógica ao debate ao perguntar: por que a Band não deu um capacete para proteger seu cinegrafista? Em áreas conflagradas mundo afora, isso acontece: dar proteção aos jornalistas que cobrem protestos perigosos.

O DCM é visceralmente antiviolência. Somos franciscanos na essência. Andamos com passarinhos nos ombros, e ficamos maravilhados com o Papa Francisco, nosso ídolo. Gandhi e Luther King estão em nossos corações.

Agora: a violência nos protestos do Rio é obra da polícia. Em algum momento, os black blocs entraram em cena para proteger os manifestantes.

Eles são uma reação à truculência policial.

Não fosse a violência policial, altamente estimulada pela mídia com sua pregação contra os “vândalos” e “baderneiros”, eles provavelmente nem tivessem surgido no Brasil.

Agora mesmo: a direção da empresa jornalística alemã Deutsche Welle manifestou formalmente à embaixada brasileira na Alemanha seu protesto contra as cacetadas que seu correspondente levou no protesto em que morreu Santiago.  Ninguém prestou atenção nisso, exceto, modéstia à parte, o DCM. O relato do correspodente conta tudo: uma manifestação pacífica virou um campo de guerra por causa da polícia.

Repito: por causa da polícia.

E em vez de dar um basta à violência policial, os crucificados são os black blocs, por pura conveniência e oportunismo político.

Vamos encarar os fatos: o PT detesta os black blocs por dois motivos. Um: eles não obedecem ao partido. Sequer respeitam. Dois: os protestos podem por em risco, na visão petista, a eleição fácil de Dilma.

O segundo item é uma fantasia. Dilma, com ou sem black blocs, caminha para uma reeleição fácil, dada a fragilidade excepcional da oposição.

Não surgiu, com envergadura, partido nenhum que represente uma nova ordem social menos injusta. É uma tremenda sorte para o PT — e um enorme azar para o país — que do lado de lá estejam fósseis políticos como Aécio, Serra, FHC, Marina, Eduardo Campos etc. Um partido envelhecido como o PT parece jovem diante de rivais encarquilhados.

A não ser que o PT se reinvente, o que parece difícil, no futuro o espaço estará aberto a um partido que realmente interprete a raiva das ruas contra tantos absurdos.

A mensagem de Sininho, no fundo, é esta: o Brasil tem que ser melhor do que é.

Como discordar?

Fonte: Diário do Centro do Mundo

Ocupação da Rocinha: proteção para quem?

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Os militares tramavam alguma operação para aquela noite. Foi o que concluiu um grupo de jovens visivelmente inquietos diante das manobras de dois jipes apinhados de homens armados. As roupas camufladas, os coletes balísticos e os fuzis a tiracolo tornaram-se habituais no cenário do Complexo do Alemão, ocupado há um ano pelas “forças de pacificação”. Horas antes, espalhou-se, porém, o boato de que policiais do Bope entrariam na favela disfarçados de soldados do Exército. “Não viu Tropa de Elite, não? Aquilo ali é faca na caveira, paulista. Milico não segura o fuzil dessa forma”, comenta um rapaz, ao criticar a displicência dos militares no manuseio do parafal 7,62 milímetros. “Eles deixam o fuzil recaído sobre o colo, para descansar o braço. Quem é do Bope jamais deixa de empunhar a arma. Certeza que eles vão atacar.”

A belicosa previsão não se confirma. Os soldados logo se dispersam. E a noite avança tranquila em meio aos goles de cerveja no Largo da Vivi, talvez a única opção de distração disponível para quem mora no Morro da Alvorada, uma das 13 favelas do complexo, onde vivem ao menos 65 mil habitantes da zona norte do Rio de Janeiro. De repente, uma aglomeração se forma em torno da tevê de um bar. Todos guardam silêncio, olhos vidrados na tela. Em instantes, gritam em comemoração. Efusiva. “Saiu um gol do Vasco?”, indaga um desavisado. “Não, prenderam o Coelho e o Nem. A casa caiu pra eles.” Líderes do tráfico na Rocinha, favela da zona sul carioca, ambos pertencem a uma facção criminosa rival do Comando Vermelho, que dominava o Complexo do Alemão e continua a operar algumas bocas de fumo na comunidade.

A Rocinha será a próxima favela a ser ocupada por uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Antes da prisão de Nem, o governo fluminense temia o confronto e tratou de solicitar ao Ministério da Defesa o envio de fuzileiros navais e blindados da Marinha para dar suporte à intervenção, prevista para o domingo 13. Após o êxito da operação que frustrou a fuga de Nem, descoberto no porta-malas de um carro e escoltado por policiais da banda podre, talvez não seja necessário mobilizar tamanho aparato. Tampouco convocar 3 mil homens das Forças Armadas e das polícias, como ocorreu em novembro do ano passado, na ocupação do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. À época, a opinião pública aplaudiu a reconquista dos territórios, ocorrida poucas semanas após uma série de ataques em ônibus atribuídos ao Comando Vermelho.

Leia mais em Carta Capital,

Deputado Fluminense Marcelo Freixo (PSOL/RJ) – quando o Crime Organizado é mais Organizado que o Estado?

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De Carta Capital,

Alvo de 27 ameaças de morte –sete delas só no último mês–, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), 44 anos, saiu do Brasil no início da noite desta terça-feira 1º, desconcertado e às pressas, segundo deixou entrever em conversa com Carta Capital duas horas antes de tomar o avião rumo à Europa (o país de destino está sendo mantido em sigilo por razões de segurança). “O governo do Estado veio com uma nota no dia de ontem dizendo que as ameaças não têm fundamento, mas que não falaram nada por sigilo. Sigilo para mim? Nem eu sabia! Que sigilo é esse?”

A convite da Anistia Internacional e da organização de direitos humanos Front Line, o parlamentar que presidiu a CPI das Milícias há dois anos e é pré-candidato à Prefeitura do Rio, sai por um mês “do circuito” e, no exterior, tem o objetivo de aumentar a pressão internacional sobre o Brasil para que se combata o problema no Estado. “Não vou deixar que façam o mesmo que ocorreu com a Patrícia (Acioli, juíza assassinada em agosto, em Niterói).”

Carta Capital – O sr. sai por não se sentir seguro com as condições de proteção oferecidas?

Marcelo Freixo – O grande debate não é sobre a minha segurança. Eu tenho uma segurança que a maioria da população não tem. O grande debate é o enfrentamento das milícias. Eu estou saindo para fazer uma denúncia porque das 58 propostas concretas que aprovamos no relatório da CPI quase nada saiu do papel. O número de milícias em 2008 era de 170, hoje é de mais de 300. Já torturaram jornalistas, já mataram uma juíza e agora ameaçam a vida de um parlamentar. Tivemos 500 prisões depois da CPI, isso é muito importante, mas só as prisões não resolvem, tem que tirar deles o braço econômico e territorial. Nada é feito e há um cinismo no Rio de Janeiro, em que se finge que o problema das milícias está resolvido. Eu não posso continuar convivendo com essas ameaças como se a milícia fosse um problema só meu. Não é. Esse é um problema do Rio de Janeiro.

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CC – Mas que atinge o sr. diretamente…

MF – A minha queixa não é em relação a segurança, é quanto à falta de comunicação da Secretaria de Segurança ou de qualquer pessoa do governo quanto a essas ameaças. Ninguém me procurou para dizer qual apuração foi feita, e aí o governo do Estado vem com uma nota no dia de ontem dizendo que as ameaças não têm fundamento, mas que não falaram nada por sigilo. Sigilo para mim? Nem eu sabia! Que sigilo é esse?

Carta – De acordo com a Secretaria de Segurança do Rio, o sr. é o parlamentar mais protegido do Rio de Janeiro…

Freixo – O governo me protege porque tem obrigação de fazer isso, porque estou ameaçado por conta da minha função pública. Não é favor. Estou ameaçado porque eles não fizeram o que deviam fazer, não cumpriram o que o relatório da CPI determinou. A minha insegurança é o preço da inoperância deles. Não é bom viver com segurança, não é privilégio. Eu troco. Quem quiser trocar (de lugar comigo), eu troco. E mais do que isso, não estou discutindo segurança. Estou discutindo por que, em nenhum momento, eles entraram em contato comigo para falar que investigação estava sendo feita. Sabe por quê? Porque não fizeram investigações. Duvido. Assim como não fizeram investigações sobre (as denúncias do) disque-denúncia da Patrícia (Acioli). Porque se tivessem feito, ela estava viva. Desconsideraram o disque-denúncia da Patrícia, o que não vou deixar que façam… A milícia usou as armas do Estado, da polícia, para matar a Patrícia. Deram um recado: estão calando o Estado. É isso que eles querem. A minha saída do Brasil é uma forma de protesto. Estou saindo porque recebi sete ameaças em um mês, porque não recebi um comunicado do Estado e porque a situação das milícias se agrava a cada dia no Rio de Janeiro, e a minha ida para lá gerou um debate. Se alguém acha que a minha segurança é muito grande, devia comparar com a segurança do sr. Luiz Zveiter, presidente do TRE (RJ). Não existem essas ameaças sobre ele, mas a segurança dele é cinco vezes maior que a minha. Estou denunciando uma situação grave, de uma milícia estabelecida no Rio de Janeiro e em outros lugares do Brasil, as providências não são tomadas, o Estado sabe o que fazer, e essa pressão na esfera internacional tem que acontecer para que a pressão sobre o Estado brasileiro aconteça.

CC – O que vai fazer na Europa?

Freixo – Como tudo foi feito em cima da hora –o convite foi feito de quinta para sexta–, é uma situação muito mais emergencial que planejada, vou cumprir a agenda que a Anistia conseguir lá. Vou levar alguns relatórios da CPI e vamos conversar para que a pressão sobre o governo brasileiro no sentido de cumprir o relatório possa acontecer, porque é necessário. O objetivo da Anistia é me tirar um pouco do circuito neste momento, até que se possa restabelecer minha segurança em função dessa nova conjuntura, porque sete ameaças em um mês é algo muito delicado. Também vou buscar evidentemente um equilíbrio para continuar fazendo esse trabalho e aproveitar isso para trazer para dentro do Brasil a denúncia de que as coisas não estão resolvidas. E lá fora pedir para que a comunidade internacional pressione o país, já que o Brasil vai ser palco de grandes eventos internacionais. Que essa comunidade que em breve vai estar olhando para o Rio de Janeiro, que olhe logo agora e perceba que existe uma máfia muito bem estabelecida aqui ameaçando o poder público.

Carta – Para esclarecer: o sr. pediu aumento de sua segurança pessoal ao governo do Estado, e esse reforço não chegou a tempo. É isso? O governo nega.

Freixo – Eu pedi mais um policial em agosto, até agora não chegou. Eu tenho o ofício. O secretário de segurança me parece até que desconhece, mas tenho o ofício desde agosto, e reiteradas vezes, esse ofício tramitou mais de cinco vezes para a secretaria. Realmente existiu esse pedido em agosto e não foi atendido até agora, mas é muito mais por um processo burocrático. Mas minha saída não é em função disso, por causa de um policial a mais ou a menos. Acontece por conta do acirramento das denúncias, da falta de respostas da secretaria para todas as denúncias e do convite da Anistia para poder fazer essa denúncia tanto aqui dentro como lá fora.

No ar, políticos em negócios voadores não identificados.

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Acima: Eike Batista e Abaixo da esquerda para direita Sarney, Cabral e Aécio Neves.

8 grandes políticos brasileiros tiveram seus nomes citados em viagens particulares e a negócios (quais, não é?), em aeronaves particulares e oficiais.

José Sarney – pegou carona (e cara mesmo, é o contribuinte que paga isso, com 5 meses de trabalho ao ano) – em helicóptero da PM (Polícia Militar) do Maranhão para fazer passeio particular com a família. Ele viajou até a ilha de Curupu, onde há uma casa de encontros com empresários. Esta viagem custou atraso no socorro de uma vítima com traumatismo craniano – que seria socorrido pela PM.

Sérgio Cabral – o então governador do Rio de Janeiro (PMDB), viajou em um jatinho do Eike Batista para a Bahia. O destino era uma festa de aniversário de um mega empresário do ramo da construção. Até aqui tudo bem. O avião é do Eike e ele empresta, doa, dá carona a quem ele quiser. O outro lado é que Deputados (outros iguais a este governador) pedem explicações mais claras do Cabral. Pois, o homem do Palácio das Laranjeiras concedeu vários benefícios fiscais ao Grupo EBX – do empresário Eike Batista. Que nas eleições passadas doou ao governador fluminense nada mais nada menos que R$ 750 mil para a campanha.

Aécio Neves – o “mineirinho engana quieto”. Senador pelo PSDB, usou um jato de um empresário de táxi aéreo. Cujo o sócio da empresa, foi nomeado por ele (Aécio) para presidir a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais – a Codemig. O jato foi emprestado ao ex-governador de Minas em sua última campanha política.

Outros políticos como Jaques Wagner (Gov. da Bahia) , Cid Gomes (irmão de Ciro Gomes e Gov. do Ceará), Paulo Bernardo (Min. das Comunicações) e Beto Richa (Gov. do Paraná) também estão no ar em objetos e negócios (voadores) não identificados. Ver aqui.

 

 

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