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Rivaldo, um craque operário-padrão.

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 Rivaldo é o grande meia-atacante brasileiro que já vi atuar. Não vi Zico, não vi Sócrates, não vi Gerson, não vi Rivellino. Mas posso dizer que, de 1994, quando fui contaminado pela praga de ser torcedor, até os dias atuais, nunca vi ninguém – nem Ronaldinho Gaúcho nem Kaká nem Paulo Henrique Ganso – fazer tanto pelo futebol brasileiro como o atual jogador do São Paulo.

Rivaldo é também o atleta que, por pouco, não sofreu uma das maiores injustiças do futebol nacional ao se aposentar num time pequeno, o Mogi Mirim (que também presidia), sem lembrar o gosto de fazer levantar uma torcida – algo que fazia com mais frequência até o final da década passada, quando viveu seu auge no Barcelona. De 1991, quando estreou pelo Santa Cruz, até hoje, o meia pernambucano disputou e ganhou praticamente tudo o que era possível, de campeonato paulista a Copa do Mundo. Foi ídolo no Corinthians, no Palmeiras e agora, no São Paulo, algo que pouca gente conseguiu.

Se tivesse ficado no Mogi Mirim, time pelo qual ganhou projeção, seguiria fazendo estrago. Mas não estamparia sua foto em capas de jornais e revistas esportivas nem seria reconhecido, como deveria, como autoridade no esporte ao qual se dedicou como operário-padrão.

Porque Rivaldo é um operário-padrão: há alguns meses, era um reserva inutilizado num time que não empolgava e hoje é o 12º titular de um sério candidato ao título. Nas duas situações, quando foi a campo, limitou-se a jogar bola. Deveria dar algumas aulas ao zagueiro Chicão, o candidato a ex-craque do Corinthians que virou reserva e se negou a ficar no banco, à disposição do clube que paga o seu salário, no clássico contra o São Paulo.

Por essas e outras, Rivaldo é uma espécie de anti-anti-herói do futebol nacional. Estourou num tempo em que a moda era ser bad boy, acelerar carro importado na rota das boates de luxo, dar declarações ofensivas ao adversário, comemorar gol imitando bicho, apontando dedo pra torcida (contra ou a favor, não importa) ou aparecendo com uma namorada nova a cada nova capa da revista Caras. Aos 39 anos, é muito provável que ele encerre a carreira num tempo que também não é dele: um tempo em que craque que é craque dá embaixadinha em tubo de antitranspirante para os pés ou posa de modelo de cueca e meia na propaganda da tevê.

O talento para garoto-propaganda é tanto que, em sua estreia pelo clube, quando marcou seu primeiro gol (na vitória contra o Linense, por 3 a 2, pelo Paulistão), o que era festa virou esporro: na hora de comemorar, como sempre, ergueu a camisa sobre a cabeça. O patrocinador, que precisava aparecer na estreia do pentacampeão, não apareceu na foto. Dirigentes e representantes da logomarca custaram a acreditar no que viram – no caso, no que não viram.

Rivaldo não tem busto de homenagem em nenhum clube por onde passou. E, se dependesse de seu apelo na tevê, morreria sem. Alto, magro e desengonçado, Rivaldo já foi alvo de comentarista esportivo que, em brincadeira/deboche, dizia que ele mais parecia um pedreiro do que jogador profissional – algo que talvez não fosse dito se o jogador pernambucano tivesse sotaque do Sul. E talvez fosse mais admirado se fosse mais gente fina com as emissoras, fizesse como todo mundo e imitasse o João Sorrisão em frente das câmeras a cada gol. Rivaldo chegou a ser recriminado por não participar da brincadeira e se negar a rebolar para o programa de tevê.

Enquanto falam da sua timidez, Rivaldo joga bola: anotou cinco gols no Brasileiro com muito menos tempo e mais idade em campo que muito moleque mimado que faz a alegria dos programas esportivos pretensamente engraçadinhos. A maioria dos gols foi decisiva. O último, por exemplo, impediu a derrota do seu time contra o Botafogo, em pleno Engenhão. Quando entrou em campo, o São Paulo perdia por 2 a 0. O gol de empate, marcado por ele já nos minutos finais, veio numa bola cruzada por Rogério Ceni.

ASSISTA GRANDES LANCES DO CRAQUE:

 

Um colega, corintiano de andar de joelhos os anéis do futuro Itaquerão, chegou a comentar, dias atrás, que não lamentaria nenhum gol que Rivaldo anotasse pelos rivais do São Paulo. A promessa está mantida.

Gostem ou não, Rivaldo é hoje o principal exemplo de um campeonato que, se terminasse agora, consagraria atletas que há pouco tempo eram esnobados pelos clubes pelos quais passaram. Tecnicamente, a edição 2011 do Brasileiro pode não ser a mais brilhante (e qual é que foi?), mas, a exemplo do Rivaldo, tem sido didática em vários sentidos. Se terminasse hoje, teria como campeão um time praticamente formado por refugos, a começar pelo treinador, hoje ausente por problemas de saúde e que parecia desacreditado até conquistar, no primeiro semestre, a Copa do Brasil com o Vasco da Gama. O grande destaque da equipe é Diego Souza, escorraçado no Palmeiras e mal aproveitado no Atlético Mineiro nas duas últimas temporadas. Jumar, Eder Luís, Alecssandro e Leandro não brilham com a mesma intensidade, mas têm históricos parecidos de injustiças e perseguições.

Juninho Pernambucano, espécie de líder do time, era considerado um ex-jogador em atividade, e ao deixar o futebol árabe chegou a ser esnobado por metade dos clubes brasileiros. Humilde, voltou ao clube pelo qual se consagrou com um salário muito, mas muito abaixo do inflacionado mercado da bola. A torcida não poderia ser mais grata. Hoje, ele e o time de refugos vascaínos jogam bola e ofuscam muito pseudo-ídolo mimado que surge em campo como nova promessa.

Por fim, vale lembrar também que o artilheiro do campeonato, o santista Borges, é o mesmo atacante que no Grêmio e no São Paulo praticamente tinha que pedir licença para jogar.

Enquanto isso, a aposta em estrelas feita por outros clubes começam a dar em nada. O Palmeiras, por exemplo, dá uma lição a cada jogo sobre como minar qualquer desenho de união em uma equipe ao dar afagos e mimos a dois jogadores, antigos quase ídolos, que estão tão preocupados com o clube quanto com o drama das formigas albinas da Malásia. Cai pelas tabelas porque nitidamente a base de operários não está disposta a segurar a onda dos reizinhos Kleber e Valdívia – que, juntos, somam quatro gols no campeonato, menos do que Rivaldo, com quase o dobro da idade deles. Dá para pensar que o técnico Felipão rola de raiva quando vê pela tevê cada gol do jogador que ele decidiu aposentar precocemente, ao cortar qualquer possibilidade de Rivaldo voltar a atuar no Parque Antártica porque estaria velho. Achou que estaria em melhores mãos (ou pés) com Patrick e Luan.

Rivaldo tem também mais gols que Paulo Henrique Ganso, o menino prodígio do Santos que ultimamente anda com mais vontade de fazer foto para comercial do que em ampliar a marca de dois gols que soma no campeonato. Mário Fernandes, o jogador do Grêmio que dormiu na casa de um amigo e “esqueceu” de servir à seleção, tem, por exemplo, um mísero gol no Brasileiro. A geração dos meninões não poderia estar mais bem representada.

Como no futebol não existe lógica, eu que não vou me arriscar aqui a dizer que a aposta em jogadores supostamente com o moral baixo é o melhor custo-benefício para se montar equipes competitivas. Mas nunca duvidei o que a fome de querer vingar injustiças pode produzir no futebol. Nessa, Rivaldo, que já deveria estar consagrado, é o melhor exemplo – mesmo que lhe falte o talento para rebolar feito o João Sorrisão.

Por Matheus Pichonelli – Formado em jornalismo e ciências sociais, é subeditor do site de CartaCapital e colaborador da revista desde maio de 2011. Escreve sobre política nacional, cinema e sociedade. Foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e do portal iG. Em 2005, publicou o livro de contos ‘Diáspora’

Ricardo Teixeira é denunciado por seus esquemas na CBF

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Em Carta Capital,

 

Ricado Teixeira - presidente da CBF

A rede britânica BBC não sai do encalço da Fifa, a entidade máxima do futebol mundial. No final do ano passado, o repórter investigativo Andrew Jennings levou ao ar no programa Panorama a reportagem Fifa’s Dirty Secrets (Os segredos sujos da Fifa, em tradução livre), em que afirmava ter obtido uma lista de pagamentos de propinas a membros do alto escalão da entidade. Entre os citados, um velho conhecido dos brasileiros, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira.

Eis que, na segunda-feira 23, um novo programa sob o comando de Jennings foi transmitido. E, mais uma vez, o jornalista não esqueceu de Ricardo Teixeira. A denúncia diz respeito a empresa de marketing esportivo ISL, que teria pagado propina a altos dirigentes da Fifa na década de 1990. O total seria de mais de 100 milhões de dólares, sendo que apenas o presidente da CBF teria ficado com 9,5 milhões de dólares desse montante. Em troca, os cartolas garantiam à companhia os contratos de marketing esportivo para os eventos esportivos, entre eles o Mundial de Futebol.

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Quem vai impor limites?

Além de Ricardo Teixeira, a reportagem citou os presidentes da Conmebol, Nicolas Leoz e da Confederação Africana de Futebol (CAF), Issa Hayatou, que também teriam engordado os bolsos. A ISL faliu em 2001, o que ocasionou a abertura de dois processos na cidade suíça de Zug. Os promotores queriam saber como uma empresa com contratos de marketing milionários foi a bancarrota. No primeiro, Nicolas Leoz foi citado por receber propina da ISL por meio de empresas de fachada. Entretanto, pelas peculiares leis suíças da época, esse tipo de pagamento não era considerado crime conquanto que o dinheiro não deixasse o país ou Liechtenstein, um principado ao lado do país. Esse julgamento foi mencionado pela Fifa em defesa às alegações da BBC, argumentando que nenhum de seus integrantes havia sido acusado de qualquer crime.

O segundo julgamento, entretanto, promete evidênciais mais concretas do envolvimento de integrantes da federação. Encerrado no mês passado por meio de um acordo, membros do comitê executivo da Fifa devolveram às autoridades 5,5 milhões de francos suíços, segundo a emissora. “Os repasses foram mencionados como uso impróprio de dinheiro da ISL, porque os executivos estavam pagando propinas em vez das contas da companhia”, disse em dezembro à CartaCapital o jornalista Andrew Jennings. “Quando você devolve o dinheiro, está admitindo que o conseguiu de maneira ilegal”, concluiu.

No segundo programa Panorama sobre o assunto, Jennings conversou com o jornalista suíço Jean François Tanda, que requisitou ao promotor do caso a divulgação dos nomes dos envolvidos, no que foi atendido. Porém, ele afirma que a própria Fifa e dois de seus cartolas do mais alto escalão atuam na justiça para impedir essa divulgação. Para evitar o pior, diz Tanda, que trabalha no jornal suíço Handelszeitung, a Fifa quer atrasar a publicação desses nomes para depois da eleição presidencial do começo de junho, quando o Joseph Blatter tentará a reeleição.

Na reportagem, Andrew Jennings crava que os dois cartolas envolvidos no processo são os brasileiros Teixeira e João Havelange. A ligação de Havelange com a ISL tem contornos cômicos. Em 1998, um milhão de francos suíços da empresa caíram por engano na conta da Fifa, quando o destino seria sua conta pessoal. Na ocasião, o episódio causou pânico entre os dirigentes da federação.

Qual país os receberia?
Também no programa da BBC, Andrew Jennings afirma que o parlamento suíço, diante dos subsequentes escândalos de corrupção na Fifa, está revendo seus marcos legais para albergar essas entidades. No país, funcionam mais de 60 federações internacionais similares. Roland Büchel, político suíço, chega afirmar que se a federação não ajustar sua conduta às novas normas, ela estará livre para deixar o país. “E eu quero ver qual país os aceitaria”, ironiza o político.

Entretanto, em entrevista a CartaCapital, o jornalista Jean François Tanda tem um posicionamento mais cético. “O problema político é que a Suíça é muito orgulhosa do fato de todas essas federações terem suas sedes aqui. Eu duvido que exista uma grande determinação política para limpar a entidade. Eu não acredito que a Fifa deixará a Suíça, o marco legal aqui é muito amigável, com impostos muito baixos”.

CPI do Futebol
É possível que o dinheiro identificado por Andrew Jennings venha da mesma fonte dos valores investigados pela CPI do Futebol, encerrada em 2001. Por meio da empresa de fachada Sanud, Ricardo Teixeira teria recebido 2,9 milhões de reais entre 1996 e 1997. A lista de pagamentos obtida pela BBC, que também cita a Sanud, abrange o período de 1992 1997. O jornalista britânico crê que se trata do mesmo esquema, mas num valor muito maior. O processo que corria contra Teixeira no Rio de Janeiro foi trancado por decisão do Tribunal Regional Federal, em fevereiro deste ano. A denúncia do Ministério Público afirma que a Sanud é “uma empresa laranja constituída no exterior apenas para ocular o verdadeiro dono dos recursos, Ricardo Teixeira”. Resta aguardar para ver se o vaticínio do jornalista da BBC se provará verdadeiro, caso a corte de Zug venha a, de fato, publicar o nome dos cartolas que tiveram de devolver as propinas.

 

São Paulo, no Morumbi, ainda pode ser a abertura da Copa de 2014

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Em reunião realizada hoje em São Paulo entre o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira, o governador Alberto Goldman e o prefeito Gilberto Kassab; nada ficou definido. Também não confirmaram se o Morumbi vai sediar a abertura do mundial, mas também não descartaram.

Vamos aguardar o que vai dar isso.

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