Posts tagged Mente Aberta

Gabo (Gabriel García Marquez)

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Como vocês sabem ontem perdemos o grande Gabriel García Marquez, então o EOH resolveu fazer uma simples homenagem. Separamos algumas frases dele para vocês conhecerem um pouco mais do trabalho do Gabo (apelido par aos íntimos). Espero que gostem e deixem-se levar.

1. Gosto de você não por quem você é, mas por quem sou quando estou contigo.

2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.

3. Só porque alguém não te ama como você quer, não significa que este alguém não te ame com todo o seu ser.

4. Um verdadeiro amigo é quem te pega pela mão e te toca o coração.

5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vai poder tê-lo.

6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.

7. Pode ser que você seja somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa você seja o mundo.

8. Não passe o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.

9. Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheça esta pessoa saibas estar agradecido.

10. Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

11. Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes.

12. Converta-se em uma pessoa melhor e tenha certeza de saber quem você é antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem você é.

13. Não se esforce tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.

Fonte: Entenda Os Homens

O monge, o gato e a lua: perder-se para encontrar-se !

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trilogiaO homem moderno perdeu o sentido da contemplação, de maravilhar-se diante das águas cristalinas do riacho, de encher-se de espanto face a um céu estrelado e de extasiar-se diante dos olhos brilhantes de uma criança que o olha interrogativa. Não sabe o que é o frescor de uma tarde de outono e é incapaz de ficar sozinho, sem celular, internet, televisão e aparelho de som. Ele tem medo de ouvir a voz que lhe vem de dentro, aquela que nunca mente, que nos aconselha, nos aplaude, nos julga e sempre nos acompanha. Essa pequena estória de meu irmão Waldemar Boff, que tenta pessoalmente viver no modo dos monges do deserto, nos traz de volta a nossa dimensão perdida. O que é profundamente verdadeiro só se deixa dizer bem, como atestam os sabios antigos, por pequenas estórias e raramente por conceitos. Às vezes quando imaginamos que nos perdemos, é então que nos encontramos. É o que esta estória nos quer comunicar: um desafio para todos.

“Era uma vez um eremita que vivia muito além das montanhas de Iguazaim, bem ao sul do deserto de Acaman. Fazia bem 30 anos que para lá se recolhera. Algumas cabras lhe davam o leite diário e um palmo de terra daquele vale fértil lhe dava o pão. Junto à cabana esgueiravam-se algumas ramas de videira. Durante o ano todo, sob as folhas de palmeira de cobertura, abelhas vinham fazer suas colméias.

“Há 30 bons anos que por aqui vivo! …”, suspirou o monge Porfiro. “Há 30 bons anos! …”. E, sentado sobre uma pedra, o olhar perdido nas águas do regato que saltitavam entre os seixos, deteve-se neste pensamento por longas horas. “Há 30 bons anos e não me encontrei. Perdi-me para tudo e para todos, na esperança de me encontrar. Mas perdi-me irremediavelmente !”

Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, de parco farnel aos ombros e semi-rotas sandálias aos pés, pôs-se a caminho das montanhas de Igazaim, após a reza pelos peregrinos. Ele sempre subia as montanhas, quando, sob forças estranhas, seu mundo interior ameaçava desabar. Ia visitar Abba Tebaíno, eremita mais provecto e mais sábio, pai de uma geração toda de homens do deserto. Vivia ele sob um grande penhasco, de onde se podia ver lá embaixo os trigais da aldeia de Icanaum.

“Abba, perdi-me para encontrar-me. Perdi-me, porém, irremediavelmente. Não sei quem sou, nem para que ou para quem sou. Perdi o melhor de mim mesmo, o meu próprio eu. Busquei a paz e a contemplação, mas luto com uma falange de fantasmas. Fiz tudo para merecer a paz. Olha meu corpo, retorcido com uma raiz, retalhado de tantos jejuns, cilícios e vigílias! … E aqui estou, roto e combalido, vencido pelo cansaço da procura.”

E dentro da noite, sob uma lua enorme, iluminando o perfil das montanhas, Abba Tebaíno, sentado à porta da gruta, ficou a escutar com ternura infinita as confidências do irmão Porfiro.

Depois, num destes intervalos onde as palavras somem e só fica a presença, um gatinho que já vivia há muitos anos com o Abba, veio se arrastando de mansinho até a seus pés descalços. Miou, lambeu-lhe a ponta reta do burel, acomodou-se e pôs-se, com grandes olhos de criança, a contemplar a lua que, como alma de justo, subia silenciosa aos céus.

E, depois de muito tempo, começou o Abba Tebaíno a falar com grande doçura:

“Porfiro, meu filho querido, deves ser como o gato; ele nada busca para si mesmo, mas espera tudo de mim. Toda a manhã aguarda ao meu lado um pedaço de côdea e um pouco de leite desta tigela secular. Depois, vem e passa o dia juntinho a mim, lambendo-me os pés machucados. Nada quer, nada busca, tudo espera. É disponibilidade. É entrega. Vive por viver, pura e simplesmente. Vive para o outro. É dom, é graça, é gratuidade. Aqui, junto a mim deitado, contempla inocente e ingênuo, arcaico como o ser, o milagre da lua que sobe, enorme e abençoada. Não se busca a si próprio, nem mesmo na vaidade íntima da auto-purificação ou na complacência da auto-realização. Ele se perdeu irremediavelmente, para mim e para a lua…É a condição de ele ser o que é e de encontrar-se.

E um silêncio profundo desceu sobre a boca do penhasco.

Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, os dois eremitas cantaram os salmos das Matinas. Seus louvores ecoaram pelas montanhas e fizeram estremecer as fímbrias do universo. Depois, deram-se o ósculo da partida. O irmão Porfiro, de parco farnel à costas e semi-rotas sandálias aos pés, retornou ao seu vale, ao sul do deserto de Acaman. Entendeu que para encontrar-se devia perder-se na mais pura e singela gratuidade.

Contam os moradores da aldeia próxima que, muitos anos depois, numa profunda e quieta noite de lua cheia, eles viram no céu um grande clarão. Era o monge Porfiro que subia, junto com a lua, à imensidão infinita daquele céu delirantemente faiscado de estrelas. Agora não precisava mais perder-se porque se havia definitivamente encontrado”.

Waldemar Boff (um dos meus 10 irmãos) estudou nos USA, é educador popular e camponês.

Fonte: Leonardo Boff

Sofri abuso sexual. Eu mereço?

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timthumbEra noite da festa de formatura de uns amigos, em São Paulo. Por ser próximo a uma estação de metrô, e eu morar a duas quadras do metro Vila Madalena, não fazia sentido gastar uma grana em um taxi. Optei pelo transporte público na volta para casa, ao sair de lá, umas cinco da manhã. Assim que meus amigos me deixaram na estação, tive a preocupação de tirar brincos, prender o cabelo, tirar o sapato e colocar um chinelo – tudo para evitar chamar atenção. Afinal, só o que eu queria era chegar em casa e descansar.

Eis que, no meio da viagem, percebo um homem me encarando muito – ele parecia me despir com os olhos. No mesmo momento, desconcertada, desviei o olhar e me enrolei em um casaquinho (isso que meu vestido nem era decotado, tinha mangas, e descia até a altura dos joelhos). Porém, de nada adiantou. Um rápido olhar de novo e senti como se ele me engolisse com aquele olhar. Foi o que bastou para motivar minha troca de vagão.

Pouco depois, fiz baldeação para outra linha. Faltavam apenas algumas estações até a minha parada. Acontece que, para minha surpresa, a duas estações do destino final, o mesmo cara reaparece no mesmo vagão em que eu estava. Ao avistá-lo já fiquei desconfortável, mas desta vez ele teve a decência de não ficar me encarando do mesmo modo de antes.

Como eu temia, ele desceu na mesma estação que eu. Esperei que ele saísse do trem primeiro porque achei que seria melhor tê-lo no meu campo de visão. Ele foi caminhando extremamente devagar até uma das saídas do metrô. Quando o vi se dirigindo ainda vagarosamente à saída do lado direito da avenida, me adiantei para o lado oposto e ir logo – correndo – para casa. Também porque era o lado onde haviam estabelecimentos que estariam abertos e, em uma emergência, poderiam me ajudar. Avistei o tal homem andando do outro lado da avenida e comecei a pensar que talvez fosse neurose da minha cabeça e ele realmente só tinha o mesmo destino que eu e apenas me deu uma secada escrota no metrô. Pois é, não era. Na quadra de casa eis que ele ressurge, vira pra mim e começa a dizer coisas agressivas, obscenas e ameaçadoras como “vou ali bater uma pensando em você”, “tenho certeza que você é uma biscate”, entre outras coisas que prefiro nem lembrar. O louco continuou gritando enquanto saí correndo, em um misto de susto, ânsia e pânico.

Lembro até hoje quais sentimentos dominavam minha mente: raiva, medo e acima de tudo muito nojo. A cara dele, o jeito que ele falava, o palavreado chulo. Golfei. Tomei uns três banhos até sentir que estava “limpa” de novo. Não conseguia dormir, porque era só pregar o olho que parecia reviver aquele trajeto, desde a saída da festa até a entrada do meu prédio, inúmeras vezes.

Tive aquilo que 65% dos brasileiros acham que mereço: fui atacada. Sua perseguição não se consumou no ato de estupro, ainda bem. Mesmo assim, ele me assediou: foi atrás de mim, fez coerção moral. Foi o suficiente para me abalar. Quer dizer que toda essa violência é legitimada pelo simples fato de eu estar andando na rua de madrugada. “Se eu tivesse me comportado melhor…”, diriam. Curioso que é sempre o meu comportamento o alvo da crítica. Como se o abusador estivesse se comportando super certinho e eu não tivesse direitos sobre meu corpo, só de sair à noite.

Ao menos nada de tão grave aconteceu comigo – muitas outras atrocidades são cometidas diariamente, a toda hora, que ferem a moral e os direitos da mulher. O que mais me choca é que, um ano depois, eu consigo pensar racionalmente sobre tudo que aconteceu. Mas, na hora, minhas conclusões, escritas no caderninho que carregava na época, foram: eu não deveria andar no metrô com roupa de festa, eu deveria ter feito outro caminho, eu deveria ter mudado de trem, EU, EU, EU.

A impressão que dá é que nós, mulheres, passamos por uma lavagem cerebral e nem percebemos. A violência em forma de assédio nos ataca e a primeira coisa que pensamos é que a culpa é nossa. Será mesmo?!

O que aconteceu comigo é a mesma coisa que rola quando a menina que vai correr no parque e, ao ser secada de cima a baixo e “elogiada” por homens com que ela se depara pela rua, conclui que o erro é dela, que deveria usar uma calça menos agarrada ou um short menos curto. É a garota que tira fotos com o namorado e depois sofre revenge porn e conclui que o erro é dela, que ela não deveria ter feito as fotos. É a mulher que vai à balada e, ao ter que lidar com caras que já chegam passando a mão e agarrando – muitas vezes de forma violenta – , e conclui que o erro é dela, que ela não deveria beber tanto. É a mulher que anda de metrô e é encoxada descaradamente por um estranho e conclui que o erro é dela, que deveria ter acordado mais cedo pra pegar a condução mais vazia.

Poderia passar o dia listando as inúmeras situações desagradáveis pelas quais tenho certeza que a maioria das meninas já passou, sentindo-se abusada. A solução pra isso não é simples, até porque muitos homens (inclusive conhecidos meus) que acham um absurdo o cara que estuprou a menina no metrô, são os mesmos que agarram meninas sem nenhum pudor na balada “porque olha lá, se ela não se respeita, porque tenho que respeitá-la?”. Sem contar os inúmeros que acham normal o que aconteceu no metrô porque “ela mereceu”.

Fico triste de ainda ter que pensar qual roupa vou usar a depender do caminho que vou fazer até meu destino, de ter que ficar noiada sempre que pego um transporte público, e ter que me conter em baladas e festas. Tudo isso pelos outros, não por mim.


Marina é estudante de engenharia e gosta de escrever para tirar as caraminholas da cabeça. Vive em busca do seu equilíbrio, é extremamente curiosa e concorda com Dickens que um fato maravilhoso para refletir é que toda criatura humana é constituída para ser o grande segredo e o mistério para todos os outros.

Fonte: Blog da Lasciva

Elas cantam Deus

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Esta é uma seleção das melhores canções interpretadas por grandes cantoras do ambiente gospel e católico, incluindo participações internacionais.

Aline Barros – Corra para os braços do Pai

Eliana Ribeiro – Saudade de ti

Brooke Fraser (Hillsong United)- Hosanna

Ana Paula Valadão (Diante Do Trono) – Me ama

Taya Smith (Hillsong United)- Oceanos [onde os pés podem falhar]

Bruna Karla – Advogado fiel

Todas as canções e interpretações são divinas. Mas qual é a que mais tocou o seu coração?

Repare. Às vezes é amor. Às vezes é só apego.

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G0faDAR7GzY_largeEu tenho um costume estranho, ou talvez só um pouquinho diferente, de destacar partes de livros que leio e conectá-las a outros enredos. Ainda que não seja sobre a minha vida, a ideia de deslocar o drama de outra pessoa ou personagem faz com que eu me sinta capaz de fantasiar histórias que eu gostaria de ter vivido ou que eu gostaria de ter sentido. Numa dessas, enquanto lia e movia o celular com maestria num café vazio no meio da cidade, me deparei com a dramática sentença que mudou minha semana:

“Existe uma linha sútil entre adaptação e apego.”

Fui atingido por um trem em altíssima velocidade no exato momento em que terminei a leitura do ponto final. Será que eu sou uma dessas pessoas que se deixa levar por um comodismo barato que se apodera de algumas relações afetivas? Nah, eu sempre estive acima disso, pensei com ingenuidade. Mas a volta de ônibus pra casa foi turbulenta. Enquanto o motorista derrapava pela décima vez por uma via molhada, eu derrapava pra dentro de mim pensando em como seria possível distinguir apego de outra coisa.

A adaptação é o período correspondente à calmaria dos relacionamentos. Você sabe do que eu falo, é quando o namoro dá uma estacionada de leve e as coisas parecem todas iguais. Não que isso seja ruim, pelo contrário, parece que finalmente a gente achou aquele amor com sabor de fruta mordida, calminho, bom pra passar os domingos juntos e construir alguma coisa edificante e sólida e, pera, será que isso não é só uma desculpa pra não admitir pra mim mesmo que as coisas têm sido todas iguais e que aquela chama toda, aquele amor-combustível que movia a gente, pode ter chegado ao fim? Não, não é a rotina em si, é quando o sentimento estaciona. Imagina que o sentimento não evoluiu durante a coisa toda e que o desgaste vai batendo, arranhando, sujando a lataria.

Não é nem um pouco fácil, pelo menos pra mim, perceber e admitir isso. Paixão e apego podem ser sentimentos parecidos quando não se tem certeza do que se sente e de como funciona o nosso fluxo emocional. Pra mim calmaria significa morte decretada de um casal. Quando a gente passa a semana sem se falar, coisa e tal, e isso não incomoda nem um pouco. Quando a gente começa a se questionar se sentiria falta ou não, e acaba não sentindo mesmo. Tá, eu sou confuso, mas talvez você também seja e esteja nessa. Talvez seja uma tendência natural dos librianos (ou do zodíaco inteiro).

Descobrir se o namoro se tornou puro apego é complicado. Ainda mais quando bate aquela vontade de ir embora, porque, do contrário, a gente ficaria à beira de uma estrada pedindo carona, já que o carro não tem mais rota, nem combustível, nem motoristas aptos a conduzir o veículo. Pior do que descobrir, é o ato de admitir pra si mesmo. Sério, quem em sã consciência jogaria um balde de água gelada num castelo de areia que foi construído com tanto carinho? Talvez alguém que conseguisse fazer metáforas melhores que as minhas e alguém que quisesse ser realmente feliz. Sabe, tenho a impressão de que o apego faz a gente ficar mais pelo outro do que por nós mesmos, como bons samaritanos. Mas a verdade é que bate um medo danado de perder tudo aquilo, perder o outro, perder o companheirismo. Bate um medo danado de ficar sozinho, de ter feito burrada e errado, de sentir falta (você vai sentir, com certeza) e coisas do tipo. Admitir que é apego congela a gente, e é preciso coragem pra sair dessa inércia e resolver correr atrás de outra chance de ser feliz (ou quebrar a cara).

Digo, olha pra esse motorista do ônibus no qual estou, ele claramente não sabe o caminho, mas tá tentando chegar lá. Pode demorar, a gente pode reclamar, ele pode se sentir confuso, mas vai que ele chega. Na pior das hipóteses, ele liga o GPS ou pede ajuda pra alguém. E não é tão diferente assim na vida real. A gente não precisa ser vilão, eu acho. Basta explicar tudo direitinho, agradecer pela estadia, explicar que não existe culpa, que você quis se dar mais uma chance de ser feliz e sentir tudo aquilo que as pessoas merecem sentir: um arrepio na barriga enjoado que nem parece aquele bonito que é descrito nos livros de romance. Explica isso, fecha a porta do carro com carinho e assume a responsabilidade de pegar o seu futuro nas mãos e fazer o que bem entender com ele. Vamos acabar descobrindo sozinhos se foi bom ou ruim, se foi a decisão certa ou não, se era amor ou se era apego. Se era apego, bom, bem-vindo de volta à trilha. Se era amor, mantenha a calma: você só vai precisar achar um jeito diferente de achar a estrada de volta pra casa.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Não é da sua conta.

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Até hoje, o meu texto mais acessado aqui no blog, é o “Cada um no seu quadrado”, no qual eu comento a importância de se preocupar com a sua própria vida, ao invés de cuidar da vida dos outros. Então, pensando sobre esse assunto, senti vontade de falar sobre o outro lado, sobre quem recebe essa intromissão não solicitada.

Quem nunca recebeu um conselho, uma dica, uma ajuda, sem sequer ter se dirigido àquele que lhe ofereceu a “cortesia”?

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Às vezes, eu me pego pensando o porquê que as pessoas (incluindo eu mesma) sentem essa necessidade de se manifestar em relação à vida do outro. Será que é uma compensação por aquilo que elas mesmas não fazem com as suas próprias vidas?

Não sou hipócrita, porque como mesmo já admiti, em alguns casos eu também me coço querendo dizer só “uma coisinha”. Quantas vezes conheço alguém que, aparentemente, está passando pela “mesma” situação que eu já passei, e fico com vontade de lhe dar apenas um conselho… Por isso, antes de julgar essa atitude do outro que vem se meter na minha vida, o que acredito que ocorre até por um hábito ou por outros motivos que a psicologia explica, começo limpando a minha própria vidraça e capinando o meu próprio terreno.

Porém, todavia, entretanto, não é porque eu também sinto esse desejo de me expressar (mais sinto do que faço, efetivamente), de expor o meu ponto de vista em relação à vida do outro, que vou admitir que terceiros se intrometam nas minhas questões. Como diz um professor meu, não caiamos no relativismo. Por mais que eu compreenda essa “necessidade”, não serei passiva diante dessa ingerência.

Olhando ao meu redor, vejo que o mundo está repleto de pessoas que precisam falar, dar a sua opinião, oferecer a sua contribuição. Precisam falar e falar, muitas vezes, creio eu, porque não aguentam o silêncio e nem ouvir o que a sua consciência tem a lhes dizer. Então, já que não dão conta de lidar com as suas inquietudes, o que fazem? Resolvem a dos outros. Ou pelo menos pensam que resolvem. Dão a sua opinião porque o mundo hoje permite e incentiva a expressão. E isso até seria bom, se fosse canalizado para soluções, como opiniões casadas com ideias para a resolução de problemas. Porque tem coisa mais chata do que alguém que só aponta problemas e fala e fala e fala sobre eles?

O contrário são as pessoas que te acrescentam. Sim, aquelas para quem você corre quando precisa de uma opinião, mesmo. Um olhar de fora, que por mais implicado que seja, já que tudo o que falamos passa pela janela da nossa própria vivência, é uma visão diferente da sua. Sim, apesar de eu criticar os comentários forasteiros, também acredito na importância de se receber uma palavra ou compartilhar da sabedoria e da experiência de alguém.

Já que eu critiquei o simples apontamento de problemas, venho trazer o remédio que eu uso para esses casos. Como enxeridos existirão para toda a eternidade, penso que mais importante do que identifica-los, é saber como lidar com eles. Na maioria dos casos, acredito que uma simples ignorada ou uma cara de egípcia, como diria o saudoso Félix, já bastem, mas para os mais insistentes e cansativos, um “Não é da sua conta” também pode funcionar. Claro que eu não quero incentivar ninguém a ser indelicado, mas acredite, a intromissão do outro naquilo que não lhe pertence é uma agressão muito maior do que você dizer algo como “Não estou falando com você”.

Certa vez coloquei na página do meu blog um texto sobre isso e ele repercutiu bastante. Entendi ali que, realmente, as pessoas estão de saco cheio daqueles que metem o nariz onde não foram chamados.

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Vamos praticar?

Repita comigo: “Isso não é da sua conta!”.

Fonte: Sobre A Vida

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