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A Copa do Mundo no Brasil: “Será que no Brasil não temos um nome que seja internacionalmente respeitado para o cargo”?

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A Copa do Mundo no Brasil e Ricardo Teixeira, por Juca Kfouri em Carta Capital.

Estádio: Governador Magalhães Pinto (Mineirão), Belo Horizonte, características do projeto: o estádio será transformado em um complexo cultural, esportivo e de lazer. No interior do estádio, as maiores intervenções serão o rebaixamento do gramado em 3,5 metros , a construção de camarotes e de uma cobertura feita de metal e membranas de policarbonato para a arquibancada. O projeto ainda prevê pavimentos subterrâneos com espaço para shoppings, centros comerciais, área de eventos, equipamentos culturais, hotéis e estacionamentos. Valor estimado da obra: não divulgado

O poder acumulado por Teixeira como presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador da Copa 2014), para Kfouri, não levou o cartola a cair nas graças da presidenta Dilma Rousseff. “Eu sei e ele sabe que a Dilma não nutre por ele nenhuma simpatia.”

Nesta entrevista, o jornalista lamenta que os jogadores de futebol estejam virando “astros de rock”, fala de sua mágoa com o ex-presidente Lula, prevê mudanças na estrutura da Fifa, mas não na cartolagem brasileira, e diz que, apesar de ter condições para sediar a Copa, o Brasil hoje se tornou uma “festa das empreiteiras e das grandes agências de propaganda”, dada a megalomania do evento.

CartaCapital: O senhor já foi processado quantas vezes por Ricardo Teixeira?

Juca Kfouri: Mais de 50, pelas contas dele mesmo. Perdi duas, ganhei umas 35 e deve haver umas 10 ou 12 em andamento. Semana passada chegaram três. Se eu escrever que ele virou um sessentão bem apessoado, ele me processa dizendo que estou sugerindo que ele seja gay.

CC: Como define o presidente da CBF?

JK: Eu o avalio como um paraquedista cujo sogro (João Havelange, ex-presidente- da Fifa) o colocou à frente da entidade e que tem sabido jogar de acordo com as regras do jogo para se manter no poder há 22 anos. E o teremos, no mínimo, até 2015.

CC: E como vê a condução da organização da Copa pelo governo brasileiro e Teixeira no Comitê Organizador?

JK: Na França, o presidente do comitê organizador da Copa de 1998 não era o presidente da federação local. Era Michel Platini, então o maior jogador da história do futebol francês. A Copa 2006 da Alemanha foi comanda por Franz Beckenbauer. Será que no Brasil não temos um nome que seja internacionalmente respeitado para o cargo? Tem de ser o mesmo que preside a CBF, que, além do mais, coloca no comitê a própria filha como secretária-executiva-, o seu advogado como diretor jurídico e o seu homem de imprensa como o homem de imprensa no COL? Não pode ser um Gerdau, um Antonio Ermírio de Moraes, um Moreira Sales?

CC: E por que o governo mantém essa situação?

JK: O governo é conivente e refém. Lula foi o presidente que assinou o Estatuto do Torcedor e a Lei de Moralização do Esporte, generosamente, diga-se, porque foram leis aprovadas na gestão Fernando Henrique Cardoso. Quando assinou essa lei, Lula declarou que nunca mais veríamos o jornalista Juca Kfouri dizer que o torcedor é tratado como gado. Eu, aos 52 anos de idade e sem direito à ingenuidade, saí do evento em Brasília esmurrando o ar de alegria dentro do táxi rumo ao aeroporto. Elegeram o cara que gosta de esporte e não gosta deles, eu pensava. Seis meses depois, ele e Teixeira estavam de braços dados fazendo aquele jogo do Brasil contra o Haiti.

CC: Teixeira e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, gostam de dizer que a Fifa é uma entidade privada e que, portanto, não deve satisfações a ninguém sobre o que acontece em seus domínios…

JK: A CBF é uma instituição mista, privada, mas de interesse público, e isso está consagrado na Constituição Brasileira. Tanto que o futebol é considerado patrimônio cultural do Brasil e submetido ao escrutínio do Ministério Público. Esse argumento foi usado para tentar evitar que se instalassem aquelas duas CPIs (da CBF e da Nike), argumentando que uma entidade privada não poderia ser investigada pelo Congresso Nacional. Então não pode haver uma CPI dos bancos no Brasil? Eles se utilizam do argumento da autonomia das entidades esportivas. É uma autonomia semelhante à que existe na universidade brasileira – e nem por isso as universidades estão acima da lei. É uma absoluta convicção de impunidade.

CC: A que se deve esse poder absoluto de Teixeira? Mesmo com tantas denúncias, com duas CPIs no encalço, ele segue sem sinais de fadiga…

JK: É impressionante mesmo. Ele tem a Copa nas mãos para administrar, mas acho que anda menos senhor de si: a presidenta Dilma Rousseff não o recebe e isso evidentemente deve -incomodá-lo. Eu sei e ele sabe que ela não nutre por Teixeira nenhuma simpatia. Agora, como diz o (jornalista britânico) Andrew Jennings, o governo brasileiro tem uma grande chance de pôr o Itamaraty como interessado na questão da Fifa na Suíça. Porque se esse documento vier a público provando que Teixeira e João Havelange receberam mesmo propina da ISL (empresa suíça de marketing esportivo que negociava direitos da transmissão para a Fifa), o caso muda de figura. Como alguém que teria pago multa e devolvido o dinheiro da propina, e, portanto, confessado, pode organizar uma Copa do Mundo? O governo brasileiro tem o direito de ir à Justiça suíça pedir para quebrar o sigilo. Até para não divulgar, mas para que possa tomar uma atitude.

CC: A Fifa também argumenta, na Suíça, que ninguém tem nada com seus problemas, e sempre teve alguma conivência das autoridades locais. Dá pra confiar na Justiça suíça?

JK: A Suíça tem má fama justamente por ter sofrido por muito tempo daquele sentimento de ser um paraíso fiscal, o que tem mudado nos últimos anos por conta da pressão internacional contra o tráfico de armas e de -drogas. O COI, por exemplo, já tratou de fazer uma depuração depois dos escândalos- da compra de votos para as Olimpíadas de Inverno de Salt Lake City. E a Fifa- parece que caminha para isso também. Depois desse golpe que tomou dos ingleses, não tenha dúvida: a Fifa nunca mais será igual. Vai ter de passar por um processo de depuração. A Fifa não será mais a mesma após sua eleição presidencial, ao ponto de David Cameron (premier britânico) dizer que o pleito da Fifa é uma farsa.

CC: O Brasil pode mesmo sediar uma Copa do Mundo?

JK: É evidente que o Brasil pode fazer uma Copa do Mundo. A África do Sul fez, por que não o Brasil? Agora, podemos fazer a Copa do Mundo do Brasil e não a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil. Os alemães têm uma economia que absorveu as obras de grande impacto. Nós temos outras prioridades. O escárnio que simboliza isso é o que acontece em São Paulo. Como dizer que um estádio como o Morumbi não pode ser o estádio de uma cidade que vai sediar um evento de um mês com seis ou sete jogos? Não é o estádio ideal, mas é o estádio possível. Com as reformas que seriam feitas, dá para ser sede. O mais rico país do mundo, os Estados Unidos, não construiu nenhum estádio para a Copa de 1994, só adaptaram estádios de beisebol e futebol americano. Não há o que justifique São Paulo ter um estádio novo para a Copa, assim como Brasília, Cuiabá e Manaus. Estamos fazendo a festa das empreiteiras e das grandes agências de propaganda.

CC: O senhor é abertamente corintiano. Como está vendo essa imposição do estádio do Corinthians, o Itaquerão, como estádio paulistano para o Mundial?

JK: Não faz nenhum sentido o Corinthians receber incentivo para ter o seu estádio. “Ah, mas o São Paulo também teve para conseguir o Morumbi.” Um erro não justifica o outro. E quando se diz que esse dinheiro é para construir um polo de desenvolvimento para uma região pobre da cidade, eu argumento com a opinião de urbanistas de várias partes do mundo que dizem que não é verdade que uma arena esportiva seja fator de progresso. O exemplo prático é o Soccer City, de Soweto, principal estádio da África do Sul. E tem o Engenhão, no Rio, construído para o Pan 2007. O bairro do Engenho não ganhou nada de novo no entorno. Esse argumento é uma demagogia, uma mentira.

CC: O senhor vê algum clube no Brasil que tem algum indício de mudança nesse paradigma de bagunça do futebol nacional?

JK: Não, não vejo. Por exemplo: você tem um sujeito aparentemente diferenciado como o presidente do Santos (Luís Álvaro Ribeiro) e o vê apaixonado pelo Teixeira. Não há nenhum sinal de mudança por aqui, tem mais mudança na Fifa que no Brasil. Telê Santana já dizia que o futebol não é para gente séria.

CC: O esporte hoje é, sobretudo, uma questão de negócios. Você considera esse fato saudável?

JK: Acho que passou um pouco do limite. Infelizmente o capitalismo ganhou, é uma marcha inexorável. Agora, o esporte mais popular do mundo está virando cada vez mais um esporte para gente rica. Os estádios estão virando estúdios pasteurizados. Sou a favor de conforto para o torcedor, mas isso está custando tão caro que afasta o cara simples que deu um colorido especial aos estádios. Excluí-los é dar um tiro no pé do futebol. Porque aí se fabricam esses caras que são cada vez menos boleiros e mais pop stars. Você tem cada vez menos Sócrates e Zicos e cada vez mais o cantor de rock. Cobrir hoje Copa do Mundo é cada vez mais como cobrir um show de rock.

Ricardo Teixeira é denunciado por seus esquemas na CBF

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Em Carta Capital,

 

Ricado Teixeira - presidente da CBF

A rede britânica BBC não sai do encalço da Fifa, a entidade máxima do futebol mundial. No final do ano passado, o repórter investigativo Andrew Jennings levou ao ar no programa Panorama a reportagem Fifa’s Dirty Secrets (Os segredos sujos da Fifa, em tradução livre), em que afirmava ter obtido uma lista de pagamentos de propinas a membros do alto escalão da entidade. Entre os citados, um velho conhecido dos brasileiros, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira.

Eis que, na segunda-feira 23, um novo programa sob o comando de Jennings foi transmitido. E, mais uma vez, o jornalista não esqueceu de Ricardo Teixeira. A denúncia diz respeito a empresa de marketing esportivo ISL, que teria pagado propina a altos dirigentes da Fifa na década de 1990. O total seria de mais de 100 milhões de dólares, sendo que apenas o presidente da CBF teria ficado com 9,5 milhões de dólares desse montante. Em troca, os cartolas garantiam à companhia os contratos de marketing esportivo para os eventos esportivos, entre eles o Mundial de Futebol.

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Quem vai impor limites?

Além de Ricardo Teixeira, a reportagem citou os presidentes da Conmebol, Nicolas Leoz e da Confederação Africana de Futebol (CAF), Issa Hayatou, que também teriam engordado os bolsos. A ISL faliu em 2001, o que ocasionou a abertura de dois processos na cidade suíça de Zug. Os promotores queriam saber como uma empresa com contratos de marketing milionários foi a bancarrota. No primeiro, Nicolas Leoz foi citado por receber propina da ISL por meio de empresas de fachada. Entretanto, pelas peculiares leis suíças da época, esse tipo de pagamento não era considerado crime conquanto que o dinheiro não deixasse o país ou Liechtenstein, um principado ao lado do país. Esse julgamento foi mencionado pela Fifa em defesa às alegações da BBC, argumentando que nenhum de seus integrantes havia sido acusado de qualquer crime.

O segundo julgamento, entretanto, promete evidênciais mais concretas do envolvimento de integrantes da federação. Encerrado no mês passado por meio de um acordo, membros do comitê executivo da Fifa devolveram às autoridades 5,5 milhões de francos suíços, segundo a emissora. “Os repasses foram mencionados como uso impróprio de dinheiro da ISL, porque os executivos estavam pagando propinas em vez das contas da companhia”, disse em dezembro à CartaCapital o jornalista Andrew Jennings. “Quando você devolve o dinheiro, está admitindo que o conseguiu de maneira ilegal”, concluiu.

No segundo programa Panorama sobre o assunto, Jennings conversou com o jornalista suíço Jean François Tanda, que requisitou ao promotor do caso a divulgação dos nomes dos envolvidos, no que foi atendido. Porém, ele afirma que a própria Fifa e dois de seus cartolas do mais alto escalão atuam na justiça para impedir essa divulgação. Para evitar o pior, diz Tanda, que trabalha no jornal suíço Handelszeitung, a Fifa quer atrasar a publicação desses nomes para depois da eleição presidencial do começo de junho, quando o Joseph Blatter tentará a reeleição.

Na reportagem, Andrew Jennings crava que os dois cartolas envolvidos no processo são os brasileiros Teixeira e João Havelange. A ligação de Havelange com a ISL tem contornos cômicos. Em 1998, um milhão de francos suíços da empresa caíram por engano na conta da Fifa, quando o destino seria sua conta pessoal. Na ocasião, o episódio causou pânico entre os dirigentes da federação.

Qual país os receberia?
Também no programa da BBC, Andrew Jennings afirma que o parlamento suíço, diante dos subsequentes escândalos de corrupção na Fifa, está revendo seus marcos legais para albergar essas entidades. No país, funcionam mais de 60 federações internacionais similares. Roland Büchel, político suíço, chega afirmar que se a federação não ajustar sua conduta às novas normas, ela estará livre para deixar o país. “E eu quero ver qual país os aceitaria”, ironiza o político.

Entretanto, em entrevista a CartaCapital, o jornalista Jean François Tanda tem um posicionamento mais cético. “O problema político é que a Suíça é muito orgulhosa do fato de todas essas federações terem suas sedes aqui. Eu duvido que exista uma grande determinação política para limpar a entidade. Eu não acredito que a Fifa deixará a Suíça, o marco legal aqui é muito amigável, com impostos muito baixos”.

CPI do Futebol
É possível que o dinheiro identificado por Andrew Jennings venha da mesma fonte dos valores investigados pela CPI do Futebol, encerrada em 2001. Por meio da empresa de fachada Sanud, Ricardo Teixeira teria recebido 2,9 milhões de reais entre 1996 e 1997. A lista de pagamentos obtida pela BBC, que também cita a Sanud, abrange o período de 1992 1997. O jornalista britânico crê que se trata do mesmo esquema, mas num valor muito maior. O processo que corria contra Teixeira no Rio de Janeiro foi trancado por decisão do Tribunal Regional Federal, em fevereiro deste ano. A denúncia do Ministério Público afirma que a Sanud é “uma empresa laranja constituída no exterior apenas para ocular o verdadeiro dono dos recursos, Ricardo Teixeira”. Resta aguardar para ver se o vaticínio do jornalista da BBC se provará verdadeiro, caso a corte de Zug venha a, de fato, publicar o nome dos cartolas que tiveram de devolver as propinas.

 

São Paulo, no Morumbi, ainda pode ser a abertura da Copa de 2014

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Em reunião realizada hoje em São Paulo entre o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira, o governador Alberto Goldman e o prefeito Gilberto Kassab; nada ficou definido. Também não confirmaram se o Morumbi vai sediar a abertura do mundial, mas também não descartaram.

Vamos aguardar o que vai dar isso.

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