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Mineirão: um “negocião” que a imprensa mineira e nem o Ministério Público Estadual dá a mínima importância. E você, contribuinte do Estado paga a conta.

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POR LEONARDO DUPIN*

No ano passado publiquei neste blog um texto sobre o repasse de dinheiro público pelo governo de Minas ao consórcio Minas Arena.

“A concessionária Minas Arena terá direito de operar o Mineirão por 25 anos. Para isso investiu R$ 654,5 milhões, dos quais recolheu do BNDES R$ 400 milhões. Nesse período, a empresa terá um retorno assegurado (em parcelas fixas e variáveis), conforme seu desempenho financeiro. Por exemplo, se o negócio não render lucro e a empresa tiver prejuízo, o governo repassaria ao consórcio um valor mensal que pode chegar até R$ 3,7 milhões por mês. O contrato assinado estabelece uma faixa de garantia: se o negócio render até R$ 2,59 milhões por mês, o governo completa a diferença entre R$ 3,7 milhões e R$ 2,59 milhões. (…) o contrato assinado impossibilita a chance de prejuízo para a empresa, o mesmo não acontecendo com os cofres públicos. Ainda que o estádio fique fechado durante esses 25 anos, o faturamento do consórcio nesse período vai passar de R$1,1 bilhão”.

Um ano depois, de acordo com matéria do jornal “O Tempo”, as previsões se confirmam:

“Em 2013, por força de um contrato firmado entre o governo mineiro e a Minas Arena, o Executivo repassou à companhia R$ 44,4 milhões apenas para garantir o lucro mínimo de R$ 3,7 milhões mensais à empresa. A obrigatoriedade de assegurar o lucro da parceira é contratual. O repasse equivale a cerca de R$ 700 por assento do estádio – são ao todo 64 mil. A empresa registrou prejuízos em todos os 12 meses de 2013.”

E o dinheiro público, repassado às empresas que compõem a Minas Arena (Egesa, Construcap e Hap Engenharia), depois irriga a campanha do Lacerda (PSB) e dos Tucanos mineiros. Aliás, um bom dado para ser atualizado nesse ano de eleição.

Resta saber, onde está o Ministério Público mineiro?

*Leonardo Dupin é jornalista e Doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp.

Fonte: Blog do Juca Kfouri

15 sinais de que você precisa mudar a sua vida

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tumblr_mt2toiEGML1su232ho1_4001. Você odeia seu trabalho. Você tem odiado seu trabalho há muito tempo. Toda vez que você encontra seus amigos, você diz a eles o quanto gostaria de largar seu trabalho. Eles até já deixaram de acreditar em você neste ponto. Planeje-se e largue logo esta porcaria. O planejamento vai prover meios pra que você não caia numa furada, mas se você não tiver coragem de sair, vai passar a vida toda numa coisa pela qual você não se sente apaixonado. Não vale a pena.

2. Sua vida é a mesma coisa, todos os dias. Você nem se lembra da última vez em que saiu do trabalho e foi fazer algo que realmente quisesse. Lembre-se: você é jovem demais pra deixar que a sua vida fique entediada assim.

3. Você quer sair pra uma festa hoje à noite, mas nenhum dos seus amigos podem ir, já que você não marcou com antecedência de pelo menos 7 dias com eles. Qual é o problema de ir sozinho? Coisas podem acontecer o tempo todo.

4. Você não se lembra da última vez em que se sentiu especial ou fez algo que te deixasse com essa sensação. Algumas vezes a gente precisa ligar o foda-se e ir atrás de um objetivo. As melhores coisas da vida raramente acontecem conforme o planejado.

5. Você sente que suas possibilidades de vida na sua cidade estão esgotadas. As pessoas geralmente se preocupam muito em se mudar pelas razões erradas, mas a busca pela felicidade não te parece uma boa razão?

6. Você nem se lembra mais como é que se faz sexo. Já deve ter virado virgem por desuso e não tem a menor ideia do porquê disso. Prazer também faz bem, jovem!

7. Você continua fazendo coisas das quais não se orgulha e que te deixam pra baixo ou preso num ciclo vicioso. Você tem aprendido algo com elas? Errar mais de uma vez na mesma coisa deixa de ser humano e se torna deplorável.

8. Você passa mais parte do seu tempo na internet do que com pessoas na vida real. Tudo bem, é meio que um problema da nossa geração, mas o triste disso é que você parece gostar de estar isolado.

9. Você tem odiado a sua forma física há algum tempo e vive reclamando de como o mundo e sua genética são injustos, mas pensa algo do tipo “olha ali um cupom de rodízio de pizzas por R$ 9,90! Vamos?”.

10. Você caminha pelos lugares rotineiros e se dá conta de que algumas partes deles trazem más lembranças ou memórias desagradáveis.

11. Você tem a sensação de que as pessoas próximas a você estão se encontrando na vida, com exceção de você mesmo.

12. Você se pega reclamando das mesmas coisas que reclamava há 1 ou 2 anos.

13. Você passa boa parte do tempo surtando pelas coisas que está perdendo por aí, mas está muito paralisado pelo medo ou pela ansiedade pra fazer alguma coisa.

14. Estranhos estão começando a sentir pena de você. Outro dia desses o barman até te deu uma bebida grátis porque achou que você queria se matar.

15. Você tem medo de mudar e de mudanças, mesmo sabendo que este é o único modo de reparar as coisas que fazem mal a você. Mesmo sabendo que é um dos poucos modos de salvar a sua vida e deixá-la melhor.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Só os garis são os responsáveis pelo lixo nas ruas (Rio de Janeiro)?

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É atávica e ancestral a rejeição que temos ao lixo e aos excrementos.

Uma herança do reino animal, onde o instinto de sobrevivência parece soar um alarme toda vez que nos aproximamos de algo que ameaça nossa saúde e integridade.

É natural que seja assim.

Ainda que tantos seres humanos ainda vivam perigosamente em áreas saturadas de lixo e esgoto – não por opção, que fique claro – esta é uma aberração que afronta a civilização e deveria constranger os governantes.

A paralisação dos garis no Rio de Janeiro durante o carnaval expõe várias questões que extrapolam a tumultuada negociação por melhores salários de uma categoria historicamente mal remunerada e alvo de preconceitos em todo o país.

Pode-se dizer que o não recolhimento dos resíduos por alguns poucos dias na segunda maior cidade do Brasil inspira várias reflexões importantes e oportunas para todos nós

Será que apenas os garis têm a nobre função de zelar pela limpeza pública? De que maneira tanto lixo foi parar nas ruas? Qual a nossa responsabilidade nessa história?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada em 2010 e com plena implementação prevista para este ano, estabelece que essa responsabilidade é compartilhada, ou seja, começa com a indústria que gera o produto (no caso do carnaval, boa parte dos resíduos encontrada nas ruas foi de material de propaganda, embalagens e latinhas dos patrocinadores do evento), alcança o varejista que comercializa o produto, o consumidor que faz uso do produto e a Prefeitura (a quem cabe institucionalmente a função de organizar as rotinas da coleta/transporte e destinação final do lixo). Em resumo: o gari é fundamental, mas não está sozinho nessa história.

Já reparou que greve de gari costuma durar menos do que as paralisações de médicos, professores e outras categorias profissionais? A razão é simples: ninguém suporta tanto lixo acumulado nas ruas. O nível de impaciência é proporcional ao desconforto causado pelos fortes odores, pelo volume de moscas, baratas e ratos, e materiais de diferentes tamanhos e consistências espalhados pelo vento ou pela chuva.

Infelizmente, é forçoso reconhecer que só quando os garis cruzam os braços a cidade se dá conta compulsoriamente do espetacular volume de lixo que gera todos os dias. Tangibiliza-se o que parecia invisível. Valoriza-se o que parecia desimportante. Enquanto o lixo é coletado e levado para longe, todos nos refugiamos nos efeitos inebriantes de uma cidade onde a montanha de resíduos (no caso do Rio de Janeiro são aproximadamente 10 mil toneladas de lixo por dia) não é uma questão relevante. Quando interrompe-se a coleta (pelo motivo que for) aquele alarme ancestral soa alto o suficiente para gerar imensa repulsa. Para uma cidade como o Rio de Janeiro onde tantos ainda jogam lixo displicentemente nas ruas, onde o desperdício de materiais é acintoso, onde a taxa de coleta seletiva é medíocre, onde o consumismo é voraz, a percepção do resultado de tudo isso é (ou deveria ser) pedagógica.

Fonte: Mundo Sustentável

Carnaval: é a celebração da desconstrução social, segundo o antropólogo Roberto Damatta.

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tumblr_mdgq2h99px1qa0zf5o1_500Todo brasileiro nasce num Brasil que tem Carnaval. Sabemos que o Brasil é Brasil por causa do Carnaval. Dizer isso parece trivial, mas não é. Nem todo mundo conheceu o Brasil dos imperadores, dos escravos e das ditaduras. Quantos de vocês, leitores, andaram de bonde? Ou viveram numa São Paulo sem crimes e engarrafamentos colossais e num Rio de Janeiro com a Baía de Guanabara despoluída?

Se a sociedade pode ser comparada a um tea­tro, então existem coisas passageiras e dramas permanentes que nos dão a certeza de estar vivendo num mesmo lugar. Mudou o estilo de se vestir, de comer e de morar; as cidades ficaram enormes, chegamos à era dos computadores e dos telefones celulares; trocamos a moeda e o mundo globalizou-se. E o Carnaval continua.

Ele tem sido uma das poucas coisas permanentemente nacionais. A repetição festiva, como disse Thomas Mann, é a abolição da diferença entre o ser e o ter sido. Todo ano tem Carnaval – e todo ano é o Carnaval que, talvez mais do que qualquer outra instituição nacional, nos certifica da continuidade do Brasil. Apesar de todas as mudanças, inclusive as que ocorreram no próprio Carnaval. Imaginar um Brasil sem Carnaval seria como imaginar uma noite sem lua ou um arroz sem feijão. Existem planos para acabar com tudo no Brasil, menos para proibir o Carnaval.

Claro que existem Carnavais em outros lugares – senão em todos os lugares. Mas há um “Carnaval brasileiro”. Tem muita gente que jura que ele só existe no Brasil. Daí a necessidade de qualificá-lo – de saber o que ele diz do Brasil.

Outro dia me perguntaram sobre suas origens. Não teria o nosso Carnaval nascido na Índia, nos festivais nos quais as castas se misturam? Na Grécia de Dionísio ou na Roma de Saturno? Respondi observando se ele não teria também nascido na Idade Média, quando Deus brigava diariamente com o Diabo – esse patrão dos excessos, do luxo e da libertinagem, marcas do nosso festejo.

Se, entretanto, passarmos das origens para o significado, compreenderemos por que o Carnaval tem essa centralidade no Brasil. Uma importância inexistente em outros lugares, como Estados Unidos, Itália ou Alemanha, onde ele não é nacional, mas local. Os estudiosos das festas e dos rituais classificam essas ocasiões em que as rotinas são provisoriamente abandonadas em dois tipos. Existem as celebrações da ordem (chamadas de solenidades) e as da desordem (os bailes, as festas, as folias). Há encontros que salientam o sério e o sagrado, em que não se pode rir, como as procissões ligadas à Igreja, ou as paradas militares, ligadas ao governo; e as festas do riso e da desordem, sempre relacionadas ao “povo” e aos “pobres”. Nas primeiras, usamos uniformes; nas segundas, máscaras e fantasias. As primeiras são rezadas e faladas; nas outras, o modo de comunicação é a dança e o canto.

Não há dúvida de que, na ordem capitalista hoje dominante – este mundo baseado na economia e no equilíbrio das contas –, as festas que celebram o excesso, a nudez, o canto, a dança, a rua, o riso, o uso de máscaras, a bebida e a sensualidade (sem suas consequências) são mais raras. Daí o lugar especial do Carnaval brasileiro. Mas elas existem também em outras sociedades. Mais que isso, todas as festas combinam ordem com desordem, formalidade com informalidade.

Imaginar um Brasil sem Carnaval seria como imaginar uma noite sem lua ou um arroz sem feijão

Um bom exemplo é um casamento que começa na igreja, no templo ou no cartório, debaixo do olho e da voz de um celebrante oficial (um padre, pastor ou juiz). E, depois da formalidade, vêm os esperados “comes e bebes”. O sermão que ainda está em nossos ouvidos é substituído pela estrondosa música para dançar e juntar o que estava separado: as famílias e os convidados dos nubentes e, simbolicamente, o noivo e a noiva que, depois da cerimônia, estão livres para se unir amorosamente.

Carnavais e carnavalizações servem para legitimar uniões ou entrelaçamentos entre os diferentes por meio do canto, da música e da dança e, acima de tudo, do riso que dissolve barreiras; ao passo que as festividades da ordem reforçam a autoridade e as diferenças. Nos Carnavais, há uma licença para o abuso – para o que ocorre abaixo da cintura –, que acaba ficando normal e até mesmo obrigatório. Nas solenidades, salientam-se as mãos e o que fica no hemisfério superior do corpo. Mas, notem bem, toda desordem é seguida de ordem, e toda ordem de desordem. Por isso, o Carnaval termina nas cinzas da Quarta-Feira, que marcam o início da Quaresma – um tempo que anuncia o suplício de Cristo; e os casamentos e as formaturas (e muitos funerais) terminam em orgias e grandes bebedeiras. Antes da disciplina rígida que manda “abandonar a carne” (carne levare), a orgia.

Como seres sociais, fabricantes involuntários e colaboradores de um teatro para o qual não pedimos para entrar, precisamos tanto do controle que norteia o mundo do trabalho quanto do descontrole que faz a festa – e, num sentido inconfundível, é a própria festa.

“Já se observou muitas vezes que uma comunidade se retrata tão bem por meio de seus divertimentos como por meio de suas maneiras de pensar e agir sério”, escreveu o comerciante inglês John Luccock em seu livro Notas sobre o Rio de Janeiro, publicado em 1829. Ele falava do entrudo – uma forma que antecedeu o Carnaval – e arrematava: “No entrudo ficamos todos bobos!”. A festa desloca as razões e a lógica do bom-senso vigente no mundo diário, abandonando, reforçando ou invertendo rotinas. Um sujeito vai a um restaurante e gasta numa refeição todo o dinheiro do mês. No Carnaval, um conhecido se fantasia de palhaço, outro de mulher, outro passa horas tocando na bateria de sua escola. Estão “brincando” ou “trabalhando”? A mãe que passa horas fazendo o bolo do aniversário do filho está na mesma situação. Como disse o viajante inglês, os divertimentos nos levam às estruturas mais profundas da vida social. Celebrar é um modo de fazer, mas fazer sendo alguma coisa. Ora, fazer de um jeito ou de outro é o que permite saber quem somos e quem são os estrangeiros. Sabemos que somos brasileiros porque, numa época do ano, “brincamos” e “pulamos” Carnaval!

O que seria de nossas vidas sem esses significados extrarracionais de viver em sociedade? Essa é a pergunta que levantei em meu livro Carnavais, malandros e heróis, publicado em 1979. Nele, eu falava precisamente desse imenso custo para celebrar algo tão vago quanto a alegria e a sensualidade. O contraste com outros festejos nacionais – uma festa em honra de Nossa Senhora de Nazareth ou a Independência do Brasil – é enorme. Num caso, há motivo e lógica; no outro, do Carnaval, há apenas a celebração em estado puro. Ou quase puro, porque o Carnaval promove uma abertura para as camadas populares, para o povo pobre que, nos desfiles de antigamente, era vaiado quando desfilava.

Se o Carnaval tem algum sentido, ele está numa estética da igualdade que apresenta o corpo pobre, mas harmonioso e belo; e a massa, que deveria se revoltar, envolta em fantasias e contando, na forma de um samba, histórias impossíveis. Caso você não concorde comigo, leitor, não fique zangado nem ofendido. O Carnaval é riso, engano e mentira. Por isso, ele está tão dentro do Brasil.

Fonte: Época (em revista)

“Bumbum brasileiro”, é o sonho das mulheres americanas (EUA).

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Segundo especialista, Kim Kardashian é um dos exemplos para as americanas que querem ter nádegas mais avantajadas (Foto: Reprodução/Instagram/Kimkardashian)A Sociedade Americana para Cirurgia Plástica Estética (Asaps, na sigla em inglês) adiantou alguns dados do seu levantamento sobre as operações feitas em 2013 nos EUA, e eles indicam uma clara tendência de maior procura pelo “bumbum brasileiro” por meio do lifting de glúteos.

No decorrer do ano passado, foi notado um aumento de 58% nesse tipo de intervenção, em que os glúteos são esculpidos com gordura tirada de outras partes do corpo.

O número de médicos que fazem esse procedimento nos EUA também aumentou de 2012 a 2013, de 19% para 30%.

“No decorrer da última década, vimos uma mudança cultural para uma maior aceitação e maior demanda por um traseiro mais arredondado e proeminente em regiões específicas do país, por isso o aumento nos procedimentos de aumento de nádegas não é tão surpreendente”, analisa Jack Fisher, presidente da Asaps.

Segundo o cirurgião Constantino Mendieta, citado em nota da Asaps, as pacientes muitas vezes chegam ao consultório com a demanda de ficarem mais parecidas com a cantora Jennifer Lopez ou a socialite Kim Kardashian, famosas por suas curvas mais acentuadas da cintura para baixo.

O lifting de nádegas também é conhecido nos EUA como “Brazilian buttock lift” (levantamento de nádegas brasileiro, numa tradução livre). Outro tipo de cirurgia que teve aumento considerável é a labioplastia, intervenção na região dos lábios vaginais, que registrou crescimento de 44% em 2013.

“A realidade é que as mulheres têm se depilado de forma diferente há cerca de dez anos, com muitas delas eliminando todos os pelo pubianos e, consequentemente, elas estão notando a aparência dessa região. Muitas de minhas pacientes querem alcançar uma aparência limpa e suave [nessa área], assim como querem no rosto e nas axilas”, avalia a cirurgiã especializada em labioplastia Christine Hamori, também em nota da Asaps.

Segundo a Asaps, o lifting de nádegas e a labioplastia representam uma parte pequena das mais de 10 milhões de intervenções estéticas cirúrgicas e não cirúrgicas feitas em 2013 nos EUA, mas, ainda assim, o aumento porcentual serve para indicar uma tendência. Os dados completos da sociedade para 2013 devem ser divulgados em março.

Fonte: G1 (O Portal da Globo)

Seleção Brasileira: é indicada as convocações dos goleiros Rogério Ceni e Dida. O Felipão só tem a ganhar.

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O polêmico Rogério Ceni amadureceu e tem lenha para queimar (Foto: Facebook Oficial do goleiro)

O polêmico Rogério Ceni amadureceu e tem lenha para queimar (Foto: Facebook Oficial do goleiro)

Vou direto ao ponto. Acho que a seleção brasileira só teria a ganhar na Copa do Mundo se o técnico Luiz Felipe Scolari convocasse um goleiro quarentão. É claro que estou falando de Rogério Ceni ouDida, dois nomes que resistem ao tempo e ainda contribuem mais para o futebol atual do que a maioria de seus jovens pares.

O motivo principal para encorpar minha tese é o seguinte: a experiência de um desses dois goleiros seria importante, não apenas para os outros colegas de posição, mas para todo o grupo – tãoinexperiente em Copas e que terá a responsabilidade de administrar a pressão de jogar em casa.

Não podemos ainda fechar os olhos para os problemas de Julio Cesar. Ninguém duvida que o ex-flamenguista que brilhou na Itália possa fechar o gol no Mundial, mas, convenhamos… O currículo recente do titular da Copa de 2010 o faria ser considerado carta fora do baralho se a situação dos goleiros brasileiros fosse outra.

Trocando em miúdos, Julio Cesar só está garantido porque não existe consenso sobre Jefferson, Victor, Fábio, Cavalieri, Cássio… Bons nomes, sem dúvida, mas que ainda carecem de uma pitada de sal para fazer a receita dar certo.

Leia mais: 
Dida, Rogério Ceni e Marcos: um trio para sempre
Julio Cesar: o goleiro que tirou férias
A escolha de Diego Costa e o vexame de Felipão

Se defendo a posição de titular para o quarentão? Não, Felipão não precisaria chegar a tanto – embora não fosse nenhum absurdo. Mas, repito: a presença de goleiros com vasta coleção de títulos, inclusive de Copas do Mundo, daria uma encorpada no elenco. Eles agiriam como “consiglieri” na concentração, nos treinos…

Como não pretendo ficar no muro, chamaria Rogério Ceni. Aos 41 anos, e, embora cometa falhas, o goleiro do São Paulo finalmente passou a ser apenas um goleiro. Um baita goleiro, deixando de lado a faceta de “artilheiro” – muito mais útil ao marketing do que ao futebol propriamente dito. Sua atuação no Chile, ano passado, pela Copa Sul-Americana, foi das mais brilhantes de um goleiro brasileiro nos últimos tempos.

Dida, por sua vez, ganharia na discrição e na grande experiência internacional.

Sei que muita gente vai discordar, mas que fique a pensata…

Leia ainda: 
Ao Esporte Fino, ex-goleiro Zetti também falou sobre a convocação de um veterano

Dida ajudou o Grêmio a eliminar o Corinthians na Copa do Brasil, em 2013 (Foto: Jefferson Bernardes/ Agência Preview)

Sininho. Quem tem medo dela?

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downloadE então só se fala de Sininho, a ativista nascida no Rio Grande de Sul e radicada no Rio de Janeiro.

A Globo e a Veja estão massacrando Sininho, e isto leva a crer que a garota tem virtudes.

Sininho, 28 anos, cineasta, é essencialmente uma jovem inconformada com o “sistema”.

Que jovem idealista não estaria, diante das circunstâncias?

Você vê índios sendo mortos, operários se destruindo nas obras da Copa, brasileiros miseráveis sendo removidos de suas casas precárias por causa do Mundial – e vai ficar conformado, se tem sensibilidade social?

A cidade em que vive Sininho ajuda também a entender seu inconformismo: como aturar, sentado no sofá, o desgoverno de Cabral?

“Ah, não vamos para a rua porque Cabral é chapa do Lula”: quem diria isso?

E então os jovens vão às ruas e são recebidos pela polícia predadora de Cabral, sob a omissão de um governo federal que não podia mexer nos brios de seu aliado.

Ora, condenar Sininho é farisaico.

Ela representa o espírito do tempo. Seus pais, segundo ela, participaram da fundação do PT.

Mas para ela, e para muitos outros jovens da mesma geração, o PT acabou por se transformar no sistema.

Ou você quer que Sininho veja Lula abraçado a Maluf e Sarney ou Dilma comprometida com os ruralistas e se sinta representada?

Querer transformar os black blocs em terroristas é uma falácia, um gesto cínico e indefensável.

Que a direita faça isso, entende-se por seu apego a privilégios e medo de tudo que represente oposição a regalias ancestrais.

Mas o PT?

As acusações são bizarras. Eles são atacados porque são “mascarados”. E daí? Tentaram matar uma família num carro quando tudo que ocorreu foi que um motorista assustado tentou passar com seu Fusca baixo sobre um colchão em chamas.

Mataram o cinegrafista e conseguiram seu primeiro cadáver.

Ora, foi um acidente lastimável, triste, mas foi exatamente isto: um acidente. Ninguém pegou uma arma e atirou contra Santiago.

Coube a Sininho mesma trazer um pouco de lógica ao debate ao perguntar: por que a Band não deu um capacete para proteger seu cinegrafista? Em áreas conflagradas mundo afora, isso acontece: dar proteção aos jornalistas que cobrem protestos perigosos.

O DCM é visceralmente antiviolência. Somos franciscanos na essência. Andamos com passarinhos nos ombros, e ficamos maravilhados com o Papa Francisco, nosso ídolo. Gandhi e Luther King estão em nossos corações.

Agora: a violência nos protestos do Rio é obra da polícia. Em algum momento, os black blocs entraram em cena para proteger os manifestantes.

Eles são uma reação à truculência policial.

Não fosse a violência policial, altamente estimulada pela mídia com sua pregação contra os “vândalos” e “baderneiros”, eles provavelmente nem tivessem surgido no Brasil.

Agora mesmo: a direção da empresa jornalística alemã Deutsche Welle manifestou formalmente à embaixada brasileira na Alemanha seu protesto contra as cacetadas que seu correspondente levou no protesto em que morreu Santiago.  Ninguém prestou atenção nisso, exceto, modéstia à parte, o DCM. O relato do correspodente conta tudo: uma manifestação pacífica virou um campo de guerra por causa da polícia.

Repito: por causa da polícia.

E em vez de dar um basta à violência policial, os crucificados são os black blocs, por pura conveniência e oportunismo político.

Vamos encarar os fatos: o PT detesta os black blocs por dois motivos. Um: eles não obedecem ao partido. Sequer respeitam. Dois: os protestos podem por em risco, na visão petista, a eleição fácil de Dilma.

O segundo item é uma fantasia. Dilma, com ou sem black blocs, caminha para uma reeleição fácil, dada a fragilidade excepcional da oposição.

Não surgiu, com envergadura, partido nenhum que represente uma nova ordem social menos injusta. É uma tremenda sorte para o PT — e um enorme azar para o país — que do lado de lá estejam fósseis políticos como Aécio, Serra, FHC, Marina, Eduardo Campos etc. Um partido envelhecido como o PT parece jovem diante de rivais encarquilhados.

A não ser que o PT se reinvente, o que parece difícil, no futuro o espaço estará aberto a um partido que realmente interprete a raiva das ruas contra tantos absurdos.

A mensagem de Sininho, no fundo, é esta: o Brasil tem que ser melhor do que é.

Como discordar?

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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