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Sofri abuso sexual. Eu mereço?

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timthumbEra noite da festa de formatura de uns amigos, em São Paulo. Por ser próximo a uma estação de metrô, e eu morar a duas quadras do metro Vila Madalena, não fazia sentido gastar uma grana em um taxi. Optei pelo transporte público na volta para casa, ao sair de lá, umas cinco da manhã. Assim que meus amigos me deixaram na estação, tive a preocupação de tirar brincos, prender o cabelo, tirar o sapato e colocar um chinelo – tudo para evitar chamar atenção. Afinal, só o que eu queria era chegar em casa e descansar.

Eis que, no meio da viagem, percebo um homem me encarando muito – ele parecia me despir com os olhos. No mesmo momento, desconcertada, desviei o olhar e me enrolei em um casaquinho (isso que meu vestido nem era decotado, tinha mangas, e descia até a altura dos joelhos). Porém, de nada adiantou. Um rápido olhar de novo e senti como se ele me engolisse com aquele olhar. Foi o que bastou para motivar minha troca de vagão.

Pouco depois, fiz baldeação para outra linha. Faltavam apenas algumas estações até a minha parada. Acontece que, para minha surpresa, a duas estações do destino final, o mesmo cara reaparece no mesmo vagão em que eu estava. Ao avistá-lo já fiquei desconfortável, mas desta vez ele teve a decência de não ficar me encarando do mesmo modo de antes.

Como eu temia, ele desceu na mesma estação que eu. Esperei que ele saísse do trem primeiro porque achei que seria melhor tê-lo no meu campo de visão. Ele foi caminhando extremamente devagar até uma das saídas do metrô. Quando o vi se dirigindo ainda vagarosamente à saída do lado direito da avenida, me adiantei para o lado oposto e ir logo – correndo – para casa. Também porque era o lado onde haviam estabelecimentos que estariam abertos e, em uma emergência, poderiam me ajudar. Avistei o tal homem andando do outro lado da avenida e comecei a pensar que talvez fosse neurose da minha cabeça e ele realmente só tinha o mesmo destino que eu e apenas me deu uma secada escrota no metrô. Pois é, não era. Na quadra de casa eis que ele ressurge, vira pra mim e começa a dizer coisas agressivas, obscenas e ameaçadoras como “vou ali bater uma pensando em você”, “tenho certeza que você é uma biscate”, entre outras coisas que prefiro nem lembrar. O louco continuou gritando enquanto saí correndo, em um misto de susto, ânsia e pânico.

Lembro até hoje quais sentimentos dominavam minha mente: raiva, medo e acima de tudo muito nojo. A cara dele, o jeito que ele falava, o palavreado chulo. Golfei. Tomei uns três banhos até sentir que estava “limpa” de novo. Não conseguia dormir, porque era só pregar o olho que parecia reviver aquele trajeto, desde a saída da festa até a entrada do meu prédio, inúmeras vezes.

Tive aquilo que 65% dos brasileiros acham que mereço: fui atacada. Sua perseguição não se consumou no ato de estupro, ainda bem. Mesmo assim, ele me assediou: foi atrás de mim, fez coerção moral. Foi o suficiente para me abalar. Quer dizer que toda essa violência é legitimada pelo simples fato de eu estar andando na rua de madrugada. “Se eu tivesse me comportado melhor…”, diriam. Curioso que é sempre o meu comportamento o alvo da crítica. Como se o abusador estivesse se comportando super certinho e eu não tivesse direitos sobre meu corpo, só de sair à noite.

Ao menos nada de tão grave aconteceu comigo – muitas outras atrocidades são cometidas diariamente, a toda hora, que ferem a moral e os direitos da mulher. O que mais me choca é que, um ano depois, eu consigo pensar racionalmente sobre tudo que aconteceu. Mas, na hora, minhas conclusões, escritas no caderninho que carregava na época, foram: eu não deveria andar no metrô com roupa de festa, eu deveria ter feito outro caminho, eu deveria ter mudado de trem, EU, EU, EU.

A impressão que dá é que nós, mulheres, passamos por uma lavagem cerebral e nem percebemos. A violência em forma de assédio nos ataca e a primeira coisa que pensamos é que a culpa é nossa. Será mesmo?!

O que aconteceu comigo é a mesma coisa que rola quando a menina que vai correr no parque e, ao ser secada de cima a baixo e “elogiada” por homens com que ela se depara pela rua, conclui que o erro é dela, que deveria usar uma calça menos agarrada ou um short menos curto. É a garota que tira fotos com o namorado e depois sofre revenge porn e conclui que o erro é dela, que ela não deveria ter feito as fotos. É a mulher que vai à balada e, ao ter que lidar com caras que já chegam passando a mão e agarrando – muitas vezes de forma violenta – , e conclui que o erro é dela, que ela não deveria beber tanto. É a mulher que anda de metrô e é encoxada descaradamente por um estranho e conclui que o erro é dela, que deveria ter acordado mais cedo pra pegar a condução mais vazia.

Poderia passar o dia listando as inúmeras situações desagradáveis pelas quais tenho certeza que a maioria das meninas já passou, sentindo-se abusada. A solução pra isso não é simples, até porque muitos homens (inclusive conhecidos meus) que acham um absurdo o cara que estuprou a menina no metrô, são os mesmos que agarram meninas sem nenhum pudor na balada “porque olha lá, se ela não se respeita, porque tenho que respeitá-la?”. Sem contar os inúmeros que acham normal o que aconteceu no metrô porque “ela mereceu”.

Fico triste de ainda ter que pensar qual roupa vou usar a depender do caminho que vou fazer até meu destino, de ter que ficar noiada sempre que pego um transporte público, e ter que me conter em baladas e festas. Tudo isso pelos outros, não por mim.


Marina é estudante de engenharia e gosta de escrever para tirar as caraminholas da cabeça. Vive em busca do seu equilíbrio, é extremamente curiosa e concorda com Dickens que um fato maravilhoso para refletir é que toda criatura humana é constituída para ser o grande segredo e o mistério para todos os outros.

Fonte: Blog da Lasciva

Repare. Às vezes é amor. Às vezes é só apego.

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G0faDAR7GzY_largeEu tenho um costume estranho, ou talvez só um pouquinho diferente, de destacar partes de livros que leio e conectá-las a outros enredos. Ainda que não seja sobre a minha vida, a ideia de deslocar o drama de outra pessoa ou personagem faz com que eu me sinta capaz de fantasiar histórias que eu gostaria de ter vivido ou que eu gostaria de ter sentido. Numa dessas, enquanto lia e movia o celular com maestria num café vazio no meio da cidade, me deparei com a dramática sentença que mudou minha semana:

“Existe uma linha sútil entre adaptação e apego.”

Fui atingido por um trem em altíssima velocidade no exato momento em que terminei a leitura do ponto final. Será que eu sou uma dessas pessoas que se deixa levar por um comodismo barato que se apodera de algumas relações afetivas? Nah, eu sempre estive acima disso, pensei com ingenuidade. Mas a volta de ônibus pra casa foi turbulenta. Enquanto o motorista derrapava pela décima vez por uma via molhada, eu derrapava pra dentro de mim pensando em como seria possível distinguir apego de outra coisa.

A adaptação é o período correspondente à calmaria dos relacionamentos. Você sabe do que eu falo, é quando o namoro dá uma estacionada de leve e as coisas parecem todas iguais. Não que isso seja ruim, pelo contrário, parece que finalmente a gente achou aquele amor com sabor de fruta mordida, calminho, bom pra passar os domingos juntos e construir alguma coisa edificante e sólida e, pera, será que isso não é só uma desculpa pra não admitir pra mim mesmo que as coisas têm sido todas iguais e que aquela chama toda, aquele amor-combustível que movia a gente, pode ter chegado ao fim? Não, não é a rotina em si, é quando o sentimento estaciona. Imagina que o sentimento não evoluiu durante a coisa toda e que o desgaste vai batendo, arranhando, sujando a lataria.

Não é nem um pouco fácil, pelo menos pra mim, perceber e admitir isso. Paixão e apego podem ser sentimentos parecidos quando não se tem certeza do que se sente e de como funciona o nosso fluxo emocional. Pra mim calmaria significa morte decretada de um casal. Quando a gente passa a semana sem se falar, coisa e tal, e isso não incomoda nem um pouco. Quando a gente começa a se questionar se sentiria falta ou não, e acaba não sentindo mesmo. Tá, eu sou confuso, mas talvez você também seja e esteja nessa. Talvez seja uma tendência natural dos librianos (ou do zodíaco inteiro).

Descobrir se o namoro se tornou puro apego é complicado. Ainda mais quando bate aquela vontade de ir embora, porque, do contrário, a gente ficaria à beira de uma estrada pedindo carona, já que o carro não tem mais rota, nem combustível, nem motoristas aptos a conduzir o veículo. Pior do que descobrir, é o ato de admitir pra si mesmo. Sério, quem em sã consciência jogaria um balde de água gelada num castelo de areia que foi construído com tanto carinho? Talvez alguém que conseguisse fazer metáforas melhores que as minhas e alguém que quisesse ser realmente feliz. Sabe, tenho a impressão de que o apego faz a gente ficar mais pelo outro do que por nós mesmos, como bons samaritanos. Mas a verdade é que bate um medo danado de perder tudo aquilo, perder o outro, perder o companheirismo. Bate um medo danado de ficar sozinho, de ter feito burrada e errado, de sentir falta (você vai sentir, com certeza) e coisas do tipo. Admitir que é apego congela a gente, e é preciso coragem pra sair dessa inércia e resolver correr atrás de outra chance de ser feliz (ou quebrar a cara).

Digo, olha pra esse motorista do ônibus no qual estou, ele claramente não sabe o caminho, mas tá tentando chegar lá. Pode demorar, a gente pode reclamar, ele pode se sentir confuso, mas vai que ele chega. Na pior das hipóteses, ele liga o GPS ou pede ajuda pra alguém. E não é tão diferente assim na vida real. A gente não precisa ser vilão, eu acho. Basta explicar tudo direitinho, agradecer pela estadia, explicar que não existe culpa, que você quis se dar mais uma chance de ser feliz e sentir tudo aquilo que as pessoas merecem sentir: um arrepio na barriga enjoado que nem parece aquele bonito que é descrito nos livros de romance. Explica isso, fecha a porta do carro com carinho e assume a responsabilidade de pegar o seu futuro nas mãos e fazer o que bem entender com ele. Vamos acabar descobrindo sozinhos se foi bom ou ruim, se foi a decisão certa ou não, se era amor ou se era apego. Se era apego, bom, bem-vindo de volta à trilha. Se era amor, mantenha a calma: você só vai precisar achar um jeito diferente de achar a estrada de volta pra casa.

Fonte: Entre Todas As Coisas

Não é da sua conta.

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Até hoje, o meu texto mais acessado aqui no blog, é o “Cada um no seu quadrado”, no qual eu comento a importância de se preocupar com a sua própria vida, ao invés de cuidar da vida dos outros. Então, pensando sobre esse assunto, senti vontade de falar sobre o outro lado, sobre quem recebe essa intromissão não solicitada.

Quem nunca recebeu um conselho, uma dica, uma ajuda, sem sequer ter se dirigido àquele que lhe ofereceu a “cortesia”?

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Às vezes, eu me pego pensando o porquê que as pessoas (incluindo eu mesma) sentem essa necessidade de se manifestar em relação à vida do outro. Será que é uma compensação por aquilo que elas mesmas não fazem com as suas próprias vidas?

Não sou hipócrita, porque como mesmo já admiti, em alguns casos eu também me coço querendo dizer só “uma coisinha”. Quantas vezes conheço alguém que, aparentemente, está passando pela “mesma” situação que eu já passei, e fico com vontade de lhe dar apenas um conselho… Por isso, antes de julgar essa atitude do outro que vem se meter na minha vida, o que acredito que ocorre até por um hábito ou por outros motivos que a psicologia explica, começo limpando a minha própria vidraça e capinando o meu próprio terreno.

Porém, todavia, entretanto, não é porque eu também sinto esse desejo de me expressar (mais sinto do que faço, efetivamente), de expor o meu ponto de vista em relação à vida do outro, que vou admitir que terceiros se intrometam nas minhas questões. Como diz um professor meu, não caiamos no relativismo. Por mais que eu compreenda essa “necessidade”, não serei passiva diante dessa ingerência.

Olhando ao meu redor, vejo que o mundo está repleto de pessoas que precisam falar, dar a sua opinião, oferecer a sua contribuição. Precisam falar e falar, muitas vezes, creio eu, porque não aguentam o silêncio e nem ouvir o que a sua consciência tem a lhes dizer. Então, já que não dão conta de lidar com as suas inquietudes, o que fazem? Resolvem a dos outros. Ou pelo menos pensam que resolvem. Dão a sua opinião porque o mundo hoje permite e incentiva a expressão. E isso até seria bom, se fosse canalizado para soluções, como opiniões casadas com ideias para a resolução de problemas. Porque tem coisa mais chata do que alguém que só aponta problemas e fala e fala e fala sobre eles?

O contrário são as pessoas que te acrescentam. Sim, aquelas para quem você corre quando precisa de uma opinião, mesmo. Um olhar de fora, que por mais implicado que seja, já que tudo o que falamos passa pela janela da nossa própria vivência, é uma visão diferente da sua. Sim, apesar de eu criticar os comentários forasteiros, também acredito na importância de se receber uma palavra ou compartilhar da sabedoria e da experiência de alguém.

Já que eu critiquei o simples apontamento de problemas, venho trazer o remédio que eu uso para esses casos. Como enxeridos existirão para toda a eternidade, penso que mais importante do que identifica-los, é saber como lidar com eles. Na maioria dos casos, acredito que uma simples ignorada ou uma cara de egípcia, como diria o saudoso Félix, já bastem, mas para os mais insistentes e cansativos, um “Não é da sua conta” também pode funcionar. Claro que eu não quero incentivar ninguém a ser indelicado, mas acredite, a intromissão do outro naquilo que não lhe pertence é uma agressão muito maior do que você dizer algo como “Não estou falando com você”.

Certa vez coloquei na página do meu blog um texto sobre isso e ele repercutiu bastante. Entendi ali que, realmente, as pessoas estão de saco cheio daqueles que metem o nariz onde não foram chamados.

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Vamos praticar?

Repita comigo: “Isso não é da sua conta!”.

Fonte: Sobre A Vida

“Bumbum brasileiro”, é o sonho das mulheres americanas (EUA).

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Segundo especialista, Kim Kardashian é um dos exemplos para as americanas que querem ter nádegas mais avantajadas (Foto: Reprodução/Instagram/Kimkardashian)A Sociedade Americana para Cirurgia Plástica Estética (Asaps, na sigla em inglês) adiantou alguns dados do seu levantamento sobre as operações feitas em 2013 nos EUA, e eles indicam uma clara tendência de maior procura pelo “bumbum brasileiro” por meio do lifting de glúteos.

No decorrer do ano passado, foi notado um aumento de 58% nesse tipo de intervenção, em que os glúteos são esculpidos com gordura tirada de outras partes do corpo.

O número de médicos que fazem esse procedimento nos EUA também aumentou de 2012 a 2013, de 19% para 30%.

“No decorrer da última década, vimos uma mudança cultural para uma maior aceitação e maior demanda por um traseiro mais arredondado e proeminente em regiões específicas do país, por isso o aumento nos procedimentos de aumento de nádegas não é tão surpreendente”, analisa Jack Fisher, presidente da Asaps.

Segundo o cirurgião Constantino Mendieta, citado em nota da Asaps, as pacientes muitas vezes chegam ao consultório com a demanda de ficarem mais parecidas com a cantora Jennifer Lopez ou a socialite Kim Kardashian, famosas por suas curvas mais acentuadas da cintura para baixo.

O lifting de nádegas também é conhecido nos EUA como “Brazilian buttock lift” (levantamento de nádegas brasileiro, numa tradução livre). Outro tipo de cirurgia que teve aumento considerável é a labioplastia, intervenção na região dos lábios vaginais, que registrou crescimento de 44% em 2013.

“A realidade é que as mulheres têm se depilado de forma diferente há cerca de dez anos, com muitas delas eliminando todos os pelo pubianos e, consequentemente, elas estão notando a aparência dessa região. Muitas de minhas pacientes querem alcançar uma aparência limpa e suave [nessa área], assim como querem no rosto e nas axilas”, avalia a cirurgiã especializada em labioplastia Christine Hamori, também em nota da Asaps.

Segundo a Asaps, o lifting de nádegas e a labioplastia representam uma parte pequena das mais de 10 milhões de intervenções estéticas cirúrgicas e não cirúrgicas feitas em 2013 nos EUA, mas, ainda assim, o aumento porcentual serve para indicar uma tendência. Os dados completos da sociedade para 2013 devem ser divulgados em março.

Fonte: G1 (O Portal da Globo)

[+18] É dela… os desejos múltiplos.

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Nunca teve vergonha de admitir: gostava da vida a dois. Desde que se lembrava por gente, levava todo e qualquer rolo que encontrava no meio do caminho a sério. A típica dama na mesa, puta na cama. Essa sim, gostava da coisa. E no fundo, sabia que fazia direitinho: tinha prazer em ver o cara se contorcendo pra não gozar rápido e judiava ainda mais, só pra impor ainda mais seu ar de dominatrix.

Sabia que nem todos lhe entenderiam: gostava de detalhes, de coisinhas românticas e beijos na boca. Era fã de preliminares e massagens. Velas, cheiros e comidas sempre faziam parte do ritual que ela tanto adorava ter. Mas na hora H, ahhhh, ela se transformava. Em meio a puxões de cabelo e arranhões com olho no olho, derramava parafina e gemia alto na orelha dele, porque não tinha vergonha de mostrar para os vizinhos que sentia prazer.

Gozava várias vezes a fio, sem pudor, sem restrições. Preferia sempre quando estava por cima. Adorava a visão superior que tinha, e a maneira que conseguia lhe prender as mãos com algemas lhe atordoava os sentidos enquanto ele fechava os olhos e se concentrava para não gozar.

Ele sabia que a provocava ainda mais toda vez que balbuciava “gostosa” em seu ouvido e por isso, sempre o fazia. Era quase um gozo certo, e ela adorava. Sentia-se MESMO a mulher mais gostosa do mundo. Até hoje, ele confessa: se espantava com ela nas primeiras vezes.  Não reconhecia aquela menina meiga e doce naquela mulher rebolando em seu colo, com os dentes cerrados, corpo todo suado e os olhos fixos nos dele. Aquela transformação o excitava ainda mais. Delícia saber que a mesma mulher que pedia há minutos atrás que ele lhe amarrasse as mãos era a mesma que naquela manhã havia acordado pedindo cafuné.

Entre transas rápidas na escada de incêndio do prédio e almoços de família onde seus avós a elogiavam, eles se apaixonavam sempre mais. Os ataques repentinos que ela tinha sempre o deixavam com o coração acelerado: de sexo oral no elevador, foto dos peitos no meio do expediente que, somados à janta fresquinha em casa e carinhos na hora de dormir lhe faziam sentir que ela era uma mulher completa.

Ele adorava ter as duas. Ela adorava ser as duas. Achasse errado ou julgasse quem fosse, eles nunca ligariam. Eram felizes assim: ele pra “elas”, “elas” só dele, e fim.

Fonte: Entre Todas As Coisas

(+18) O que é o que é: é engraçada, está sempre sorrindo, nunca é trágica.

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A bunda também é, para o homem brasileiro, onipresente, pois está por todos os lugares que sua vista alcança, nas ruas, nas calçadas, nas praias.

E é, ainda, sua maldição, já que, onipresente, desvia sua atenção e impede que se mantenha concentrado nos seus deveres perante a civilização.

Uma análise séria, divertida, atraente e cultural – como outras coisas da vida. Vale a pena ler.

tumblr_mzvctlO5A01qbrcvzo1_500Não importa o que vai pela frente, ela se basta.

São duas luas gêmeas, em rotundo meneio.

Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.

Diverte-se, segundo o poeta, por conta própria.

Na cama agita-se. Montanhas avolumam-se, descem. Ondas batendo numa praia infinita.

E vai sempre sorrindo, vai feliz, na carícia de ser e balançar.

Se você ainda não descobriu a resposta dessa charada, amigo leitor, apesar das dicas e das ilustrações de Serpieri, então o próprio Drummond responde:

“A bunda é a bunda, redunda.”

É redonda, e retumba, e além de nadegamente redundante, ela é também ambulante, até porque a bunda feminina é mais linda quando anda, tanto que seu andar tem um nome que só a ela pertence: rebolado.

A bunda também é, para o homem brasileiro, onipresente, pois está por todos os lugares que sua vista alcança, nas ruas, nas calçadas, nas praias.

E é, ainda, sua maldição, já que, onipresente, desvia sua atenção e impede que se mantenha concentrado nos seus deveres perante a civilização.

Talvez um sociólogo, num desbunde teórico inspirado na maior cara-de-pau, pudesse desenvolver uma tese que justificasse toda nossa história de crises econômicas e subdesenvolvimento social argumentando que aqui, no Brasil, a bunda abunda.

Ou seja, o motivo de nosso atraso é que a natureza já prestigiou nossas mulheres com aquilo que mais apreciamos, e isso nos distrai de todo o resto. Nessa tese atrevida, seria demonstrado que não temos apenas uma população de homens que cultuam desavergonhadamente a mencionada parte da anatomia feminina.

Temos, ainda, mulheres estupendamente privilegiadas pela natureza, no que diz respeito a essa mesma região do corpo humano.

Texto completo em: Papo de Homem

Leia o poema de Drummond completo aqui.

Não morra sem assistir Ninfomaníaca. Por favor.

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Cinemascope-Charlotte-Gainsbourg-cantará-clássico-de-Jimi-Hendrix-em-Ninfomaníaca-232x160Ninfomaníaca segue uma rota confessional ousada: uma mulher é achada com ferimentos em uma rua deserta por um senhor erudito que entende bastante de pescaria e que a leva para sua casa no intuito de ajudá-la a se recuperar. Embarcamos então por um travelling de lembranças desde sua infância, assistimos a disputas lúdicas, competições sexuais entre amigas, e cultos de louvor a vulva, temos acesso a uma intimidade tão familiar quanto excêntrica que aos poucos vão abordando a gênese do tema.

Nos deparamos com o rito banal e desajeitado da experiência da primeira vez, a busca por sentidos de conexão, e uma surpreedente competição declarada contra o amor: a partir daí vamos entendendo que o filme não vai apenas retratar torridas cenas de sexo com nus frontais sem proposta aparente. Ali a protagonista vai se desnudando e expondo a sua crença anti-amor: o considera um agente aprisionador, talvez uma doença desnecessária, acha que o amor se trata de um surto de luxúria acrescida de ciúme. Defende que esse tipo de sentimento nos obriga a mentir, a dizer sim quando queremos o não, modifica a nossa liberdade. Já o sexo em si compreende apenas dizer sim no âmago da vontade nossa do momento.

A vida na horizontal e seus segredos a flor da pele, o trajeto pelo vazio, que se mostra em caminhadas sem rumo no parque, o choro durante o coito, as analogias com a pesca profissional e a polifonia de Bach. São tantas as referências e metáforas, e tem a cena magistral e constrangedora feita por Uma Thurman que pra mim só vingava em filmes do Tarantino.

Ninfomaníaca é erógeno, relevante, poético e pode ser toda uma porta que se abre para que você conheça o cinema de Lars Von trair: livre e polêmico, desconcertante e genial.

Acesse também o link (Ninfomaníaca)

Fonte: Entenda Os Homens

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